quinta-feira, maio 24, 2007

MANSOS PASSOS


Pé ante pé de mansinho

o sonho abre alas,empurra a bruma,

espraia o tempo devagarinho.

O ar, mais leve que uma pluma,

eleva-se rosado em céu cinzento,

e o sonho teima em caminhar

em seu tom neutro, pardacento,

incapaz de se calar

porque o sonho grita mais alto,

porque a alma não se cala,

porque o coração em sobressalto

se agita, se torçe e resvala

para a névoa da memória

essa tão imensa história

que nos põe de novo no rumo,

nos faz de novo viver,

ter orgulho, ter aprumo,

desejar, amar e querer.

Pé ante de pé, devagarinho,

o sonho vem deitar-se a meu lado

beijando, calmo de mansinho,

este severo e triste fado

que é amar de longe e calado.

sábado, maio 19, 2007

SOLUÇO D'ALMA



Sentei-me à beira do caminho e escutei o silêncio que me sussurra a tua voz. Escutei a folhagem que rumoreja lá no alto e me faz sentir pequena, perdida casquinha de noz. Duas lágrimas, quais pérolas doridas, rolam caladas, descem mansas,
descoloridas, pelas faces já cansadas. No peito o coração já se calou ao estoque das punhaladas. Perdida do amor me encontrei, perdida do sonho caminho, e todos os passos que dei foram aves sem rumo nem ninho.
Sentei-me à beira do caminho e chorei, solucei perdidamente, a noite desceu e mansa me envolveu em seu manto, cobrindo-me friamente. As pedras rasgaram as trevas e os seu brados lamberam a cercania, o ribeiro chorou pelas fragas e nos cabeços uivou a dura ventania.
Sentei-me à beira do caminho pontilhado a azul e rosa, encabeçado de verde, vestido de fantasia.
Sentei-me à beira do caminho e soçobrei na ironia.

terça-feira, maio 15, 2007

EXCLUIDA


Folha arrancada de um livro que o tempo se encarregou de amarelecer, pedaço de vida sem gosto, sem cor, nos dias que se esquecem de amanhecer.
Folha amachucada, perdida, enrugada, pisada, rasgada sem préstimo algum, já rabiscada, suja e amarfanhada, que o vento arrasta para lugar nenhum.
Eterna excluída, banida e esquecida depois de usada, depois de rendida, como qualquer folha de um velho caderno largado a um canto sem sinais de vida.
Vogo em mares de negras vagas, alterosas ondas de medos sem fim, vogo sem rumo entre escolhos mil, à espera de mim. Tempestade imensa, insana tormenta! Que arrastas louca uma frágil noz, que tudo arrebatas e nada te contenta, nada te seduz, nada te demove, devoras enraivecida cada estrela ardente, tempestade em chamas, que tudo arrasas e docemente queimas esta folha dolente…
Folha arrancada de um livro qualquer que o tempo comeu, que o tempo gastou, que o tempo esgotou que o tempo esqueceu.

sábado, maio 12, 2007

OLÁ AMOR!




Olá amor,mais uma vez
e outra e outra ainda,
infinitas vezes, talvez,
aguardando a tua vinda.
Nada chega para este amor
assim, grande, forte, incontido,
nada cala este clamor
sentimento repartido.
Olá amor, nesta loucura,
neste querer-te mais que tudo,
na solidão mais escura
sentir profundo e mudo.
Nada mais quero que amar-te
poder ter-te, tocar-te, prender-te,
cobrir o teu corpo de beijos,
acolher-te em mil desejos...
Olá amor, mais uma vez,
e outra e mais outra, infinitas!
Perco-me em tantos, porquês,
malhas de duras desditas.
Olá meu amor, mais uma vez....

terça-feira, maio 08, 2007

SOMBRAS


Do passado elevam-se negras as sombras.

Como gigantes de tenebrosas faces

que se arrastam medonhos pelas alfombras

em breves e estreitos enlaces.

Do passado mais profundo, elevam-se em riste

as memórias mais pungentes, mais loucas,

e as promessas mais doces, o amor mais triste.

E nós ficamos, sós, perdidos, unidas as bocas

num beijo eterno sem cor, nem tempo,

perdido na mágoa, na dor do desalento!

Perdido do mundo, afastado de nós,

acrisolado no espaço desta vida desfeita,

deste resto que arrastamos, doendo, a sós.

Pedaço de sonho, quimera imperfeita

que do passado se eleva, qual sombra atróz,

selada num beijo eterno e sem voz.

sábado, maio 05, 2007

IMENSIDÃO DO VAZIO

Na imensidão da noite sem fim

onde os ecos do passado soam alto,

onde a escuridão envolve as sobras de mim
lançando-me no vazio ao assalto

da minha alma fria e oca.

Coisa pequena e tão louca!

Nesta noite tenebrosa e vazia,

onde o murmurio do vento

e o leve perfume a maresia,

nada mais são que um lamento

da minha alma louca e vazia,

coisa tão pequena e fria!

Perdida em mais uma noite

de tenebrosa agonia.


sexta-feira, maio 04, 2007

AWARD



A querida Juli e o Gui, tiveram a gentileza de atribuirem o "Thinking Blogger Award" a este espacinho que dá pelo nome de "Lagrimas de Luar", agradeço aos dois a delicadeza e a ternura, porque este espaço não merece de todo um tal prémio.
No entanto é bom saber que gostam de o visitar e que de alguma forma "faço pensar".
OBRIGADA
E como tenho que nomear passo à fase das dores de barriga;

"Eternidade num Momento" - Vlad
"Em Conto" - Também de Vlad
"O Alquimista"
"Pensamentos da Alma" - Igara e CIA
"Ana Luar" - Ana
"Tulipa Negra" - Gui
"Coisas do Gui" - Também do Gui
"Sintra - A Glorious Eden" - Igualmente do Gui
"Flores Elsfos e Anjos" - Sindarin
"Lagrimas e Sorrisos" - Juli
Um beijo grande para todos

SILÊNCIO ENSURDECEDOR

Por entre as palavras mordidas e os silêncios demorados, decorrem os dias. Escorrem as horas e passam os anos. Moldam-se a...