
Pé ante pé de mansinho
o sonho abre alas,empurra a bruma,
espraia o tempo devagarinho.
O ar, mais leve que uma pluma,
eleva-se rosado em céu cinzento,
e o sonho teima em caminhar
em seu tom neutro, pardacento,
incapaz de se calar
porque o sonho grita mais alto,
porque a alma não se cala,
porque o coração em sobressalto
se agita, se torçe e resvala
para a névoa da memória
essa tão imensa história
que nos põe de novo no rumo,
nos faz de novo viver,
ter orgulho, ter aprumo,
desejar, amar e querer.
Pé ante de pé, devagarinho,
o sonho vem deitar-se a meu lado
beijando, calmo de mansinho,
este severo e triste fado
que é amar de longe e calado.





