domingo, julho 15, 2007

ESTOU AQUI....

Estou aqui...

Calada, guardada no silêncio imenso
de mais esta noite, da distancia
que marca, como fumo de incenso
que se eleva na breve instância
de um olhar.
Conjugando o verbo amar
nas horas mortas da noite,
no desfiar da memória,
nos lençois onde pernoite
o sonho, repouse a glória
de um amor,
de um beijo e do calor
dos corpos em união,
dos beijos trocados,
ansiados, ousados, em profusão,
dos lábios molhados,
dos olhos perdidos
na calada da noite feita silêncio imenso




terça-feira, julho 10, 2007

Uma vez mais o meu querido Gui, me atribuiu um "award", e mais uma vez me sinto imerecedora de tal. Aqui fica como prova do carinho, da amizade, e da bondade deste amigo tão especial. Obrigada por me visitares, leres e gostares das lagrimas de luar que por aqui repousam.
Também as queridissimas Ana e Igara, me deram um mimo, ao qual indelizmente já não fui a tempo de corresponder, mas mesmo sem a minha votação um dos blogs a que iria dar votos seria ao "Alquimista", e foi com muita alegria que o vi eleito, porque de facto, e perdoem-me todos, é um espaço com imensa qualidade e com um sentir pofundo.
Como o Flyaward vai ser entregue aqui ficam os seus destinatários. Agradeço com toda a estima a todos vós que por aqui passam e deixam o vosso rasto, amizade e estima;

Pensamentos de Alma - Igara

Ana Luar - Ana Luar

Alquimista - Alquimista

Lágrimas e Sorrisos - Juli Ribeiro

Eternidade nun Momento - Vlad

Tascanight - Antonio Moinante

Labirinto do Sol e da Lua (Bruxinhachellot) - Claudia Miqueloti

domingo, julho 08, 2007

TEMPORAL

O vento fustigava em ondas de raiva a vegetação ressequida da orla costeira, a ventania salgada e forte vergava duramente os caules dando a impressão, a quem via, de um mar verde em convulsões ou espasmos de maternidade. Era sempre assim a chegada de mais um Inverno, as neblinas glaucas envolviam a costa no seu manto de arrepiante e sepulcral silêncio, as aves aconchegavam-se nos ninhos tufando as penas e tentando conservar o calor dos corpos juntando-se mais às companheiras com quem partilhavam o espaço, e, se nova geração ainda havia, a mesma era coberta pelos corpos enregelados dos pais.
As águas rugiam tocadas pelo sopro duro de Eolo que no seu búzio os quatro ventos chamava a plenos pulmões. O fundo marítimo revolvia-se como se milhares de mãos o agitassem sem descanso e o empurrassem para cima, trazendo à tona areia, sedimentos, lixo e a ira do próprio mar, as ondas atiravam os seus corpos de alva espuma de encontro aos rochedos, ás fragas e ás areias frias e solitárias.
No alto da falésia uma figura alta, descarnada e firmemente cravada no solo olhava, alucinada o bravio oceano, concentrando em si aquela força inóspita e bruta, como que sugando a energia das águas em rebelião. Os cabelos de neve agitavam-se ao vendaval, a mão, seca, e engelhada de muitos e duros trabalhos segurava firmemente o bastão tão nodoso como os anos de ancião, a longa barba tão branca como as cãs esvoaçava como algodão, adoçando o rosto tisnado e os traços duros e magoados, só os olhos conservavam a meiguice do olhar de criança; Azuis como miosótis, ainda frescos e vivazes, quase alegres, traziam áquele rosto fechado e ainda vigoroso um toque de doçura, um leve traço de mansidão e paz. A seus pés o mar, esse traiçoeiro e encantador mar, contorcia-se, rugia, debatia-se qual fera enjaulada e prestes a rebentar com as grades da clausura, mediariam forças um e outro? O estrondo das águas aumentava e a força da ventania também, lá bem no alto o velho homem do mar enfrentava sem se mexer a fúria do ar, o seu envelhecido corpo sustentava com um insuspeito vigor o embate e fazia gala em, de cabeça erguida, olhos pregados no infinito e pés bem assentes no lajedo, desafiar a natureza.
Quantas vezes ali estivera, no mesmo lugar, segurando nos braços o corpo amado, sussurrando as palavras mais doces, as juras mais sinceras, o amor mais belo, quantas vezes ali estivera rindo dos primeiros passos do fruto desse amor, ensinando, de costas nas rochas, os nomes de todas as estrelas, segurando a pequenina mão entre as suas matando o medo das noites de trovoada, e, em dias assim, saudando o Inverno, esse dono dos vendavais, mais temido que amado, mas que ele ensinara a respeitar e a amar. Mais tarde, ali viera chorar calado o amor cedo arrebatado dos seus braços e que aquele mesmo mar levara para bem longe de si, mas mesmo assim o encanto das estrelas nas noites calmosas de estio e o filho ainda novo por criar davam-lhe forças para continuar. E um dia, esse belíssimo mar, essa águas que tanto amava roubaram-lhe de vez a vida tragando, num dia como este, o único bem que lhe restava, o fruto amado e querido de um amor sem fim, o filho único.
Desde então vinha a cada chegada do Inverno que passara a odiar profundamente, desafiar a tempestade, medir forças com a natureza, orgulhosamente só, duramente fustigado pelo vendaval, decididamente cravado no solo inóspito, mergulhava o olhar ora desvairado ora meigo, ora magoado ora apaixonado naquele abismo de espuma. E a sua longa barba alva era como que um lenço acenando no alto da fraga ao amor da sua vida.

terça-feira, julho 03, 2007

E.....

~


E passam os dias
e morrem as horas,
e dói o amor,
e escoa-se a alma.
Perde-se o beijo
e mata-se a vida,
amordaça-se o sonho
e peia-se a felicidade,
cala-se a lágrima
e acorrenta-se o coração.
Valerá a pena continuar?

segunda-feira, junho 25, 2007

TERRA VIBRANTE - II


De repente um ruído surdo e continuo faz-se ouvir na gruta, parecia o vento suão a rugir ao longe, canalizado por uma conduta onde corria a alta velocidade. Ao princípio não ligaram muito ao som e os afazeres continuaram, mas uma das vulcanólogas que se encontrava mais perto da poça borbulhante de lava, é desperta das suas medições e meditações por uma projecção mais forte de uma bolha fervente que espalha o seu material fundido em todas as direcções acertando-lhe num braço e numa perna que lhe arrancaram um uivo de dor. Acorrem todos e numa fracção de segundos são surpreendidos pela enchente ruidosa do lago que, assustadoramente, cresce como uma serpente venenosa em direcção a eles. A temperatura subiu bastante e o cheiro a enxofre é nitidamente mais forte dificultando a respiração, os olhos enchem-se de lágrimas e a pele da rapariga tem um aspecto horrível de queimadura perfurante, o material de primeiros socorros está no outro extremo da gruta, a salvo, seco sobre uma rocha lisa. Mas as águas em subida rápida travam-lhe o passo deixando poucos sítios por onde passarem. A torre por onde desceram é agora um ancoradouro inacessível já que as águas lambem a entrada abobadada da escada em caracol que só há pouca horas desceram, o calor torna-se cada vez mais insuportável e as emanações já formam uma nuvem densa que sufoca a cada inspiração. Pelas escadas desce esbaforido o guarda-florestal, num pânico total ao aperceber-se que na pequena salinha tudo apitava e gritava a um ritmo alucinante, ele tinha apenas ido ao café por uns escassos dez minutos, e quando voltara os aparelhos pareciam loucos, as níveis haviam disparado para valores mortais. Lançara-se numa correria desenfreada escadas abaixo para tentar retirar da gruta os cientistas que à sua guarda tinham sido confiados. O espectáculo que se lhe deparou provocou-lhe um calafrio pelas costas. Os gritos de dor da moça, amparada nos braços pelos companheiros de infortúnio sobrepunham-se ao rugir das entranhas da montanha, mas chegar até eles e auxilia-los a saírem com vida daquela traiçoeira bocarra de veneno era empresa quase impossível. Conhecedor das manhas do monte, arrisca-se a entrar na gruta e gritando para se sobrepor ao ruído indica o caminho mais seguro para atingirem as escadas e a salvação. O vapor asfixia-os, os olhos estão praticamente cegos pelo enxofre e pela nuvem sulfurosa que envolve a cratera, os pés escaldam nas botas ao pisarem as rochas incandescentes do solo em ebulição, e a poça lança ao ar explosões de lava que se projectam em todos os sentidos da gruta a cada dois segundos e as águas quentes rasam as formações rochosas por onde nem havia uma hora passeavam despreocupados.
Sem cordas para os auxiliar, só pela voz os guia esperando que não tropecem e caiam na caldeira, enquanto lhes vai gritando ordens a sua alma entoa ao Senhor Santo Cristo uma prece pelo bom sucesso da empreitada de os retirar dali a breve espaço de tempo, os gritos da rapariga perturbam-no em extremo porque a sente em sofrimento sem poder socorre-la mais rápido, terão que encontrar o caminho até ele e depois sim, acalmar as dores insuportáveis da queimadura.Finalmente chegam, cegos, asfixiados, suados e extenuados aos braços do guarda que os empurra sem cerimónia pelas escadas acima obrigando-os a um esforço complementar de correrem pelos degraus em caracol e afastarem-se dali o quanto antes. Mais de metade da ascensão faz-se ainda debaixo da influência do gás venenoso, a rapariga sucumbe ao terceiro degrau desmaiando com o braço em chaga. Será carregada ao colo escadas acima pelo vigoroso guarda-florestal que horrorizado se apercebe que por sua culpa aquele braço alvo e esguio ficará deformado para todo o sempre, bem como a perna que tem igualmente uma queimadura muito feia e profunda….
Toca o sino de alerta no alto da montanha e para lá convergem todos os que podem caminhar, que podem auxiliar, os bombeiros e as ambulância voaram monte acima, o topo da montanha está agora cinzento, e as copas das árvores parecem queimadas com os vapores que pelo meio delas se eleva, tudo se silenciou ao rugido das entranhas da terra, o chão treme vezes sem conta em abalos pequenos, quase sincopados, de intervalos curtos e cíclicos, dir-se-ia que a terra lembra aos homens a sua força, o seu poder, e a pequenez e insignificância do homem frente às forças naturais.
Passadas alguma horas o sol volta a brilhar, as aves entoam de novo os seus cânticos de esperança e alegria no topo do monte, o fumo dissipou-se, as árvores readquiriram o seu vestido verde belíssimo, na gruta tudo é silêncio e calma, e nas camas do hospital uma equipa médica luta pelas cinco vidas, em especial pela aquela rapariga de rosto crispado e queimado pela exposição ao enxofre e cujo braço e perna são uma pasta ensanguentada que a custo tentam compor com enxertos de pele.
A montanha uma vez mais ganhou a batalha, o seu misterioso lago e a “maré” ficam de novo no segredo da mãe terra, essa deusa ciosa das suas coisas que a muito poucos se revela.

TERRA VIBRANTE - I

O vento cortante do sopro marítimo atingia em cheio a pequena vila encolhida nas brumas salgadas. As pedras desgastadas pelas intempéries e pelo rodar dos anos do porto, eram lambidas furiosamente pelas águas revoltas, escachoantes e repletas de alvas espumas que no ar se elevavam qual poalha translúcida e fria que ao nevoeiro breve se juntavam. Os barquitos, a salvo bem no topo do molhe, mais pareciam velhos lobos-do-mar olhando saudosos as profundas águas seu elemento natural. A quietude era apenas cortada pelo forte embate do mar, agressivo e duro nas pedras, no paredão e nas escadas que lhe travavam os ímpetos. Não se via vivalma nas ruas da vila, as portas e portadas permaneciam obstinadamente fechadas, as redes de pesca e os apetrechos cuidadosamente arrumados nos seu lugares à espera de nova onda benigna que os levasse até aos tesouros do azul profundo. As aves haviam calado os seus trinados, até os cães vadios pareciam ter-se encolhido nalgum canto escuso. O silêncio sepulcral da vila levava a crer que, por misteriosa mão, tudo se evaporara deixando os esqueletos das vidas que normalmente por ali giravam, nas suas azáfamas diárias, nos seus afazeres costumeiros. Onde estavam todos? Não que os houvesse muitos é uma verdade, mas mesmo assim entre os pescadores, o pessoal do balneário, e todos os que do comércio viviam ainda faziam jus a uma Câmara Municipal e quatro juntas de freguesia…Onde estava uma vila inteira? O “monte” não fumava, as terras haviam algum tempo não fremiam sob os pés dos homens, que se soubesse ninguém havia passado para os braços do Criador, então, onde estavam?Lá bem no interior da ilha a azáfama era totalmente diferente; Do continente tinham chegado havia alguns dias dois vulcanólogos, um fotógrafo e dois espeleólogos que se iam dedicar ao estudo da cratera ainda activa. Esta estava num local quase paradisíaco, envolta pelo manto verdejante que caracteriza estas paragens de contos de fadas, descoberta alguns séculos atrás, por acaso, no decorrer de uma batida pelos bosques e montes, a imensa bocarra estava agora airosamente complementada por uma torre que lhe dava acesso mais fácil que não a anterior arriscada descida por cordas lançadas pelos buracos a mais de 300m do solo da gruta escorregadia e traiçoeira. Pelos trezentos e muitos degraus tinham sido descarregados, afanosa e penosamente os materiais dos cientistas que dir-se-ia tinham trazido a casa às costas tal era a quantidade de aparelhos, que espalhados por todos os cantos da gruta jaziam. Cá no alto, numa minúscula sala de controlo, os vapores emanados pelo vulcão eram controlados milimétricamente e, consoante as épocas do ano, assim se permitiam as visitas, as descidas e as prospecções, já que não raro era a atmosfera de gruta ficar te tal forma saturada das emanações de enxofre que a asfixia era mortal em poucos minutos. Após alguns sustos em tempos passados havia sido instalado o antiquado, mas eficaz, dispositivo de detecção de gás para salvaguarda dos que lá a baixo se atreviam a descer, conhecer e estudar, ou até, rezava a sabedoria popular, tratar alguns “males de pele e respirações dificultosas”.Do grupo somente dois conheciam o local, para os outros a gruta era o imenso desconhecido. A luz difusa que pelo “tecto” entrava, o ambiente rochoso, escuro de erupções anteriores, o cheiro característico a enxofre que da poça borbulhante se elevava, as pequenas formações no solo, eriçadas de amarelo e quentes ao tacto, e a maravilha que a todos encantava; O lago! Esse lago que de tão traiçoeiro era um mistério quase insondável.Parecia ter marés pois o nível das águas ora subia ora descia, ora quase inundava a gruta deixando pouco espaço para nela se andar, ora quase desaparecia nas profundezas apertadas e negras da garganta que se estreitava qual funil lá no fundo. De águas quentes e sulfurosas, nas quais um mergulho era totalmente desaconselhado, não obstante a presença continua de um barquito na margem, que, a força braçal, levava os mais destemidos até ao estreito por onde as águas se escoavam, sabe Deus ou o demónio para onde.De momento o lago está em maré vazia, a emanação de gás estável e os nossos homens e mulheres desenvolvem o seu trabalho com satisfação e calma, entre graçolas e piropos, entre medições, fotografias, recolha de amostras e perfurações no solo rochoso.

sábado, junho 23, 2007

Agradeço o carinho e a nomeação da doce bruxinhachelot, que a este humilde cantinho dedicou o prémio "blog com tomates". Não me considero mercedora de tal, mas sinto-me lisonjeada pela escolha. Um obrigada enorme. Volta sempre...E a ilha está ao alcançe da mão, acredita que sim.

Beijo grande



APENAS UM DIA....

Melodia que passa, como chuva singela de verão, refrescando o peso do calor da desilusão. Acordes que volitam como andorinha...