Quando a vida nos arrasta sem ter dó,
nos fere, nos arrasa, nos magoa,
nos atola e nos esmaga no pó,
quando tudo se quer e nada se perdoa,
como se volta a dizer ; Amo-te?
Quando vemos o dia novo nascer
nos braços do ser amado,
e sentimo-nos crescer
num sentimento enorme, desmesurado,
como se evita dizer de novo; Amo-te?

Quando o soluço morre na garganta,
e no peito se guarda a dor,
quando o sentimento se agiganta
e nos invade de novo o calor,
como se cala a palavra; Amo-te?
Cala-se num beijo trocado,
no abraço partilhado,
nas mãos unidas,
nas vidas divididas.




