quinta-feira, agosto 16, 2007

DUVIDAS

Quando a vida nos arrasta sem ter dó,

nos fere, nos arrasa, nos magoa,

nos atola e nos esmaga no pó,

quando tudo se quer e nada se perdoa,

como se volta a dizer ; Amo-te?

Quando vemos o dia novo nascer

nos braços do ser amado,

e sentimo-nos crescer

num sentimento enorme, desmesurado,

como se evita dizer de novo; Amo-te?




Quando o soluço morre na garganta,

e no peito se guarda a dor,

quando o sentimento se agiganta

e nos invade de novo o calor,

como se cala a palavra; Amo-te?

Cala-se num beijo trocado,

no abraço partilhado,

nas mãos unidas,

nas vidas divididas.


quarta-feira, agosto 15, 2007

TÚNEL



Há um caminho triste e escuro a percorrer,

passos solitários, arrastados a morrer,

pelo longo túnel sem luz, sem alma,

uma sombra vagueia tristemente com calma.

No fundo, bem lá no infinito, brilha uma luz,

ténue, pequenina, parecendo uma cruz

como que a assinar o caminho da dor

do coração martirizado e sem cor.

Há um caminho com estrelas a brilhar

há um porto de abrigo para encontrar,

há um amor à espera por descobrir

e passos apressados por cumprir.

E o túnel já nada é que um largo mar,

um rio que flui com vontade de se dar,

um sol que quer romper e brilhar

bem alto no ceu e gritar;

Estou vivo, aindo pulso, ainda danço,

ainda aqueço, ainda estou e assim de manso

o escuro túnel virou manhã,

foi pôr do sol e madrugada louçã,

foi um amor que se deu,

se entregou e recebeu.

Há um caminho alegre e vivo a percorrer

porque o AMOR jamais pode morrer!




sábado, agosto 11, 2007

EXIGENCIA - URGENCIA - SOLIDÃO

No rumor leve da brisa matinal

acordam os sentidos,

todos os passos perdidos,

acossados como um animal.

Acorda o medo, a solidão está presente,

a dor, o desespero, a infelicidade,

e é apenas por maldade

que a brisa me beija docemente.





Há no ar um cheiro doloroso,

feito bagas de insegurança,

feito desejos, e perseverança

feito panico pavoroso.

Na breve aragem fria,

cortante, dolorosa, e exigente

palpita um coração paciente

numa alma em agonia.


segunda-feira, julho 30, 2007

A TUA VOZ


O silencio manso tras-me a tua voz
ecoando nas dobras desta noite,

e eu, fragil casquinha de noz,

procuro que o teu abraço me acoite.

Roço ao de leve o teu rosto doce

com um beijo, quase uma aragem,

recebo-te na ternura da posse

entrego-me nesta viagem.

E o silêncio tras-te de novo a mim

e as tuas mãos percorrem-me carentes,

os teus beijos encontram-me enfim

e os sentidos acalmam dolentes

na noite muda de espanto....

Quebra o silencio com o amor

intemporal, cobre-nos com o manto

diáfano da ternura e o calor

de quem se dá

nesta noite silenciada por nós

quinta-feira, julho 26, 2007

EXORCISMO



Exorcisei-te.

Destrui o esfumado amor que me prendeu,
exorcisei-te,
enterrei o punhal amargo que me enlouqueceu!
Exorcisei-te,
e na dor sem tréguas que me abate
enterrei-te,
mas deixei o coração que já não bate
junto do caixão de pedra negra.
Amei-te,
até ao limiar que a loucura integra,
comporta e não mais suporta.
Amei-te
ao extremo de mim, entreguei-me
totalmente. E o amor tudo transporta,
tudo regista, grava e fixa. Abandonei-me.
Exorcisei-te
dos meus sonhos, mas morri.


domingo, julho 22, 2007

VENTO NORTE


O vento passou feito furacão

e trespassou uma vida sem dó.

Partido, sangrando o coração

ainda teima em bater, só.

O frio e cortante vento norte

fez da alma uma amalgama negra,

impregnou-a de cores de morte,

deixou-a ao sabor da sorte sem regra,

sem piedade, despida de tudo,

errante na vida, errante no mundo,

ataviada de baço veludo,

coberta de véus de negro profundo.

O vento norte feito furacão dilacerante

destroçou um coração desprevenido,

sem se ater ao singelo bater amante

de quem se entrega decidido.

quinta-feira, julho 19, 2007

DESFOLHADA

Como corola tombada,

qual rosa abandonada

ao sabor do vento norte,

desprendida da sorte,

desprovida de água,

seca na imensa mágoa

do tempo que já passou.



Como corola morta,

por essas mãos desfolhada,

como pesada e dura porta

fechada, fria, aferrolhada.

Pétalas de terna candura

desperdiçadas na agrura

de um coração destroçado,

ferido de morte e trespassado

pelo mais duro gume,

o mais tenebroso negrume;

Esta noite sem ter fim

colada somente a mim.


APENAS UM DIA....

Melodia que passa, como chuva singela de verão, refrescando o peso do calor da desilusão. Acordes que volitam como andorinha...