terça-feira, setembro 11, 2007

A TI...




A ti meu amor.....

Sejas tu quem fores, venhas tu como vieres,

a ti meu amor...

Uma flor, esta que se chama coração
e no peito bate, se assim o quiseres,

feito chama, labareda de paixão.

A ti meu amor...

A quem não conheço, mas a quem quero,
a ti meu amor....

Entrego-me inteira em tuas mãos,

faz de mim escrava de um amor sem fim,

faz das nossas almas e desejos irmãos

de rendição, de luz e vida em mim.

A ti meu amor....

Sejas tu quem fores,

a ti meu amor...

Paleta de mil cores,

a ti meu amor...

Um hino de poesia,

num beijo sonhado pleno de fantasia


domingo, setembro 09, 2007

ESPONJA


Passo por estes dias como uma esponja.


Absorvo o mundo, a natureza, saturo-me do bem e do mal, impregno-me do amor e do ódio, da dúvida e da certeza. Incho, cresço de desespero, de alegria, de infinito e absoluto, de medo e coragem, da noite e do dia, da luz e das trevas. Mas como simples esponja que sou basta uma máscula mão me espremer e tudo escorre por um qualquer cano de esgoto….
Fico a secar num qualquer canto da vida, e aí é o vento que me percorre, o sol que me seca a pele, fico vazia, oca, nada me preenche, mudei a cor, a textura o préstimo, encolhi, fiquei uma pequena bolinha encolhida e desmaiada.
Passo por estes dias como uma esponja, apenas e só uma simples….Esponja

quinta-feira, setembro 06, 2007

SEM ABRIGO

Sou sem abrigo da vida,
vagabunda de sonhos,
entre águas dividida.
Sou deserdada da sorte,
entre os negros medonhos
caminho ao sabor da morte.
Sou sem abrigo da terra,
sou folha levada p’la aragem,
sou o vento agreste da serra
arrastada nesta voragem.



Sou a alma que caminha
sem rumo, destino, ou sorte,
deserdada, na lama patinha
sem nada que a conforte.
Sou sem abrigo da vida,
vagabunda de sonhos
sou alma penada, perdida,
em passos sem rumo, tristonhos.

terça-feira, setembro 04, 2007

CARTA A UM AMOR...AUSENTE?

Meu amor….
Há quanto tempo te ausentaste? Uma hora, um dia, um mês….Não sei dizer-te porque me parece que partiste há uma eternidade.
A casa esta vazia, as tuas coisas permanecem silenciosamente arrumadas, o teu perfume paira ainda tenuemente no ar e o quarto parece um poço sem fundo. A cama desajeitadamente vaga de um lado, a almofada, que não arranjei, tem ainda a forma da tua cabeça amada e tão desejada.
Quantas noites já passaram? Não me perguntes. Eu não sei dizer, perdi-me no arrastar dos dias cinzentos, embora o sol brilhe intenso, eu tenho uma nuvem de frio intenso em mim. Vagueio sonâmbula pela casa, compondo sem graça um quadro, endireitando um dos bibelots que olham para mim sem cor.


Sentei-me para te escrever, para te dizer que embora longe o meu coração se desfaz de dor, que jamais esquecerei um amor que acalentamos no fundo dos nossos corações amantes e docemente fizemos crescer, florimos nas mãos do outro, demos fruto na vida do outro, e na alma do outro comungamos o sonho, o desejo, a paixão, o AMOR.
Sentei-me para te dizer amor, que não há distância, nem silencio que mate um amor assim. Não há palavras para descrever tanta coisa que por mim passa nesta hora, lembras-te amor, a nossa hora? Aquela em que costumavas chegar de sorriso nos lábios, e braços carentes, corpo ansioso e beijos quentes, mãos vivas e apressadas. Aquela nossa hora em que o mundo morria lentamente lá fora e nós nos dávamos em união sem barreiras, sem preconceitos, apenas fazíamos do amor, o nosso amor, éramos apenas duas pétalas da mesma rosa a desabrochar.
Há quanto tempo estás ausente amor? Não sei, esqueci-me das horas, dos dias, porque aqui neste canto estás sempre, presente nos pequenos nadas que me rodeiam, e que me lembram de ti, que me trazem as mais doces lembranças à memória.
Quase posso ouvir a porta abrir-se devagar e os teus passos leves caminhando pelo corredor em direcção à sala, onde por norma te sentavas e me prendias no teu colo, como criança que se embala, onde fazias de mim mulher, a tua mulher, como dizias num sussurro embevecido de cada vez que me tinhas nos braços, rendida, perdida de um amor que deixávamos fluir e inundar o espaço.
Escrevo-te nesta hora amor, em que te espero desnudada e de pele fresca e perfumada, nesta hora em que sol já entra ao rubro pelas vidraças do quarto e lembra o fogo do amor trocado nos lençóis imaculadamente alvos, onde de manso deitavas o meu corpo para o cobrires com o teu num enlace dulcíssimo.
Quanto tempo passou, amor? Não sei…Acho que só me deixei embalar um pouco, porque estás aqui, o teu braço me enlaça, sobre a minha cabeça, no teu peito descaída, está a tua, como sempre, e o teu respirar calmo adoça o ambiente, aninha a minha ânsia de nunca te perder. Amor! Sempre estiveste aqui! …Foi apenas um desvario da minha cabeça.




sexta-feira, agosto 31, 2007

CONFESSO...



Confesso;
Confesso um amor profundo e calado,

em mim preso e dolorosamente acorrentado.

Confesso;
Confesso os sonhos, os desejos, as dores,

confesso a minha tela de mil cores,

que pinto a cada hora, cada dia.

Confesso;
Confesso que apenas queria

ser mulher, ser criança, ser a flor

que se prende no cabelo da amada,

olhando-lhe o rosto com o amor

de sabe-la sua, rendida, desejada.

Confesso;
Confesso um amor que não grito,

que amordaço, e em mim cresce.

Confesso as horas em que me agito

numa ansia que não sossega nem fenece.

Confesso....
Apenas confesso.....Que sou mulher.


domingo, agosto 26, 2007

PÓ. SEMENTE...NADA

Somos pó, somos semente,

somos bichos, somos gente

somos o bem e o mal,

a raiva, o ódio e o amor,

somos o mel, somos o sal,

o frio, a neve e o calor.

Somos o tudo e o nada,

somos o ocaso, somos a alvorada.

Somos o que nos deixam ser;

Anjos, demónios, apenas somos

homens e mulheres a viver

e sempre que nos dispomos

a lutar, perseverar e vencer,

acabamos por morrer

um pouco em cada batalha.

reduzidos ao pó da mortalha!

sábado, agosto 25, 2007

CHUVA DE VERÃO

Gotas de chuva cálida

caem como lágrimas de verão,

Na aurora ainda pálida

adivinha-se o perdão.


Perdão por um amor inconfesso,

perdão por uma espera magoada,

perdão por um beijo que professo,

que desejo em agonia prolongada.

Gotas de orvalho odoroso

perdido na ténue nebelina,

sol que força teimoso

a espessa bruma matutina.


Perdão pelo amor calado,

amordaçado em meu peito,

perdão pelo doce pecado

dos corpos unidos no leito.


Gotas de cálida paixão,

febre de entrega e partilha,

olhar perdido na imensidão

da ausencia que magoa e fervilha.


Perdão pela boca calada

pelo beijo por trocar,

perdão pela palavra encerrada

no coração por se dar.


Gotas de chuva cálida

como tormenta de verão,

descendo pela face pálida

anunciando a paixão.


APENAS UM DIA....

Melodia que passa, como chuva singela de verão, refrescando o peso do calor da desilusão. Acordes que volitam como andorinha...