terça-feira, maio 19, 2015

DESALENTO

Impossível agradar a todos, impossível…
Levanta a cabeça e continua mesmo quando te derrubam,
mesmo quando te esborratam os sonhos.

Impossível que todos te entendam, impossível…
Ergue os punhos, encarniça-te na luta mesmo se te empurram
para os buracos mais escuros e tristonhos.

Impossível que não te façam cair, impossível….
Mas põe-te de pé com nova alma
e pega arduamente nas tuas armas.

Impossível que não te critiquem, impossível…
Mas sê humilde e aceita-as com fleuma, com calma.
Agora não pares, desistas ou quebres! Será assim que desarmas

quem de ti nem o nome sabe


sexta-feira, maio 08, 2015

(DE) PRESSÃO, OU DESILUSÃO?


Abate-se, como uma tempestade, o vazio.
Este vazio que deixa o coração sem alma
e a alma sem coração.
Mesmo quando o sol brilha tenho frio,
olhando sem rumo a estrada calma
que piso sem nenhuma razão.

Abate-se, como milhafre atento, a escuridão.
Uma escuridão que estrangula a voz
e me deixa sem vontade.
Um vento do deserto assola-me em turbilhão,
povoa-me a vida de uma agonia atroz.
e me invade sem fazer alarde.


Toma conta de mim, alimenta-me de fel,
cobre-me de negro, transforma-me em pó.
Abate-se sobre mim com gestos de mel,
mas crava-me as garras frias sem dó.

Tudo gira a minha volta sem sentido,
O sol é uma bola amarela, mais nada,
O vento é um sopro duro e desabrido.
O corpo verga numa dor que se cala.

E o buraco negro do vazio sem fim,
vai, sem dó, tomando conta de mim…..

domingo, abril 26, 2015

GARGALHADA LOUCA












Que monstro estranho te habita e devora a sanidade?
Que luz se apaga aos poucos deixando-te sem identidade?
Porque não encontro nos teus olhos o brilho da minha infância
e no teu colo não acho as respostas para a minha ânsia?

Perde-se o brilho da vida, é apensa um arrastar sem nexo,
um caminhar sem rumo, passo a passo mas sem chão.
E cada gesto é um vazio, desligado da razão, um amplexo
sem sentido, dois braços estendidos perdidos no turbilhão.

Que monstro te corrói a alma e rouba aos poucos a vida,
suga as memórias, desliga do aqui e agora deixando um vazio
que magoa? Que monstro te enche de ódio e me deixa dividida?
Onde estás que te perdi, que te perco no lodo desse baixio
para onde resvalas sem remédio?
Não tenho força para acabar com este assédio!
Não tenho força para suportar a despedida,
e ouvir como adeus uma gargalhada louca,
e ver a tua luz extinguir-se de partida,
não reconheço já a tua voz tão rouca.

Que monstro estranho te habita e devora a alma?
Onde está a tua gargalhada límpida e sã?
O que é este regougo insano que não acalma
e me atira para esta dor destruidora e vã?

terça-feira, abril 07, 2015

PELOS CAMINHOS DA VIDA



Se vires por aí nos caminhos as asas de uma borboleta,
empresta-as à minha alma para que ela saiba voar.
Se vires o sonho pairando no ar fresco da manhã,
empresta-o à minha vida para que saiba viver.
Se vires as nuvens brancas em céus tingidos de violeta,
e a noite vestir-se de prata num mar negro a mergulhar.
E se vires caminhos intocados nas brumas do amanhã,
e das horas mortas, caladas, sombras rubras a nascer,
empresta-as ao meu olhar para nele poderem crescer.

Se vires aí nos caminhos risos soltos cristalinos,
empresta-os à minha garganta para não se esquecer de rir.
Se vires rosas, cravos, margaridas, jarros brancos a florir,
empresta-os aos meus passos adoça-lhes o caminhar.
Se vires novos prantos, novas dores, novas mágoas e destinos,
ou barcos perdidos nas vagas, duras, altas a refluir, 
ou os céus rasgarem-se em raios, brancos frios a ferir,
empresta-os ao meu coração e emudece-lhe o falar.
Deixa-o apenas bater, deixa-o somente ficar.

Se vires por aí nos caminhos a vida a saltitar,
deixa-a ir louca, despreocupada a vibrar.....
Guarda o sonho e a voz, guarda as sombras do olhar.
Fechas as mãos no colo frio, seca as lágrimas a soluçar.



terça-feira, março 17, 2015

(IN) TEMPESTADE DE MIM




Na voragem dos dias e na pressa das horas eu marco o tempo,
este tempo em que nada tenho mas mãos. Vazias e frias estão
abertas em vã esperança e resignada solidão.
No correr das luas as corujas voam um silencioso lamento,
e rasgam com asas sussurrantes as noites negras de carvão.
E pintam nos meus olhos o gosto da desilusão.

Na voragem das notas soltas de uma qualquer melodia
perco a vida sonhada, a vida tão desejada e tão distante.
Cabeça inebriada, cabelos ao vento, sonhos desfeitos.
Visto o mais belo vestido, de uma alva harmonia 
e parto com passos incertos para uma utopia vibrante,
rumo a um mundo de desejos roucos imperfeitos.

Na voragem do tempo que passa, cometa louco,
riscando o céu deste marasmo onde tropeço
nos dias, nas horas, no silencio e na espera.
Nesta correria desatinada de um grito rouco
truncado na garganta seca, no olhar com que peço
paz...Um raio de sol...esta esperança que desespera.

Na voragem dos dias e das noites sem luz.
Na voragem das horas bordadas a ponto de cruz,
Nas mãos anquilosadas de esperar...vazias....abertas.
Na voragem da ausência e solidão... Das noites encobertas...
Na voragem.....

quinta-feira, março 05, 2015

ALVAS PENAS, RUBRAS PAPOILAS


Cobre o meu corpo de alvas penas, suaves e perfumadas,
cobre os meus olhos de liláses sombras e ocasos vermelhos.
Cobre a minha alma de negro veludo, desata as lágrimas amordaçadas.
absolve as minhas mágoas em desfiados evangelhos.
E absolve os meus medos em rosários de orvalho.
Faz dos meus passos uma valsa, um tango grisalho
onde as memórias se perdem, e os anos vem morrer.
Cobre o meu corpo de verdes heras, e papoilas rubras
cobre os meus lábios de poemas ainda por dizer,
e que a névoa com que me envolvas e cubras
seja o trilho de alvoradas ainda por inventar,
seja o etéreo vestido da virginal noiva no altar.
Mas cobre o meu corpo de sedosas pétalas, odorosas,
brancas, rosa, vermelhas, amarelas, liláses, a desfolhar.
E cobre os meus olhos de sonhos e às mãos ansiosas
ensina-as simplesmente a saberem dedilhar

as dobras da vida e as esquinas deste caminhar.


sexta-feira, fevereiro 27, 2015

ONDE SE ESCONDEM TODOS OS DEMÓNIOS













Lá onde se escondem todos os demónios da mente
e os olhos não podem atingir.
Lá nas profundezas do incógnito onde tudo se desmente
e a vida teima em prosseguir.
Lá onde as brumas se confundem com oásis ansiados
e as mágoas dão as mãos às alegrias loucas.
Lá onde os sonhos são náufragos desesperados,
despidos de todos os desejos, de todas as roupas.
Lá onde o sol se põe e a noite se levanta, prateada,
e os risos morrem aos poucos nos lábios vazios.
Lá onde a esperança dorme em penas aninhada
e os sonhos se debatem entre diamantes, rubis, topázios,
ágatas, ametistas, esmeraldas, ou apenas em negras brumas.
Lá, onde se perde a alma, onde os demónios habitam,
Lá onde o tudo e o nada são apenas encapeladas espumas,
lá onde o infinito é finito, e o sim e o não já não comunicam.

Lá…lá onde todos os demónios se escondem….

SAUDADES....

Saudades! Um sentimento agridoce que marca, que assola com a força de um vulcão. Saudades! Sentimos do que foi bom; abar...