quarta-feira, julho 29, 2015

28/7/2015

Caem as lágrimas mansas como chuviscos de verão,
há um buraco profundo e negro no lugar do coração.
O vazio está mais oco, mais inaudível, mais sem volta,
faltas-me como o sol que se pôs no fim de mais um dia.
Ao meu redor, tudo gira normalmente em rédea solta,
este é só mais um momento na minha estrada só de uma via.

Caem as lágrimas de saudade imensa e dor sem fim,
Resta-me a consolação que descansas, ainda que longe de mim.
Há um vazio que me habita e arrasta sem dó nem piedade,
que me prende os pés como grilhetas de duras lâminas
que ferem, ferem, ferem.... E têm o gosto acidulado de eternidade.
Vazio e dor, colam-se à pele como densas neblinas

Caem as lágrimas, desfaz-se o trio, morre-se um pouco também,
Amanhã.... Amanhã haverá de novo o sol, o vento E a chuva que vem
lavar a vida e a dor. Amanhã....Amanhã será um novo dia....Talvez.


imagem retirada da net

sábado, julho 25, 2015

AMARGO TRAVO (23/7)

Como algodão doce traiçoeiro, os anos passam por ti,
não que os entendas, não que os percebas, não que os vivas.
Apenas resvalas por eles, como criança em escorrega...livremente.
Como nevoeiro ora denso ora leve o tempo, escoa-se aqui
deixando-te pelo caminho aos poucos sem prerrogativas.
E tu vais...Só assim, sem te dares conta, caminhas inexoravelmente
para um mundo de vácuo e vazio. Um buraco negro de silêncio eterno.
Os anos vão passando, e as memórias morrendo no frio inverno
do esquecimento, do vazio sem retorno, do olhar vazio sem vida.
Como algodão doce de amargo travo, a vida assim destinou.
E dói ver-te já sem passado, sabendo que o presente é o segundo
e o futuro nem tem expressão. Algodão doce, as tuas memórias
são brancas e flutuantes, desconectadas; ligação que alguém cortou
circuito que se degenerou e não volta, um vago e impreciso mundo
alheado da realidade. Estranho mundo sem cor nem histórias...
Como algodão doce abandonado em mãos sem jeito
a tua vida é agora um longo e vazio caminho imperfeito...

Como algodão doce....De amargo travo!


domingo, julho 19, 2015

ESTÁS EM MIM, SEMPRE!

Trago-te no peito e na alma, no olhar e coração,
trago-te sempre comigo. Parte de mim eternamente.
Trago-te no pensamento constante, na suplicante oração,
no medo da perda anunciada, tão temida permanentemente.
Mas trago no coração os teus dons, tudo o que me ensinaste,
o caminho que percorremos, tudo o que em mim deixaste.

Não quero ter que dizer até à eternidade, mas sei que o vou fazer,
mais cedo? Mais tarde? Amanhã, ou depois? Isso ninguém sabe.
Um dia será a realidade, um dia será o meu caminho a percorrer.
Agora a esperança é um raio de luz no qual deslizo sem alarde,
apenas pedindo que não seja já a dura hora da despedida.
Que eu não tenha que assistir já a tua partida.

Trago-te no peito, no coração e na alma, onde te gravaste
desde que me deste o ser.
Trago-te na pele, no sangue e na vida que me ensinaste
e nessa tua mão que sempre deste para não me perder.


terça-feira, junho 30, 2015

DEIXAS?












Gosto-te mais que chocolate e sabes que o adoro.
Gosto-te mais que água e sabes que sem ela não vivo.
Gosto-te mais que o por do sol no Outono, e sabe que neles moro
e neles te busco na linha do horizonte, e é neles que sobrevivo
a cada ausência, a cada distancia, a cada silencio calado.
A cada sonho mudo, preso na garganta e nas mãos…Tão apertado!
Gosto-te assim sem saber dizer, porque gostar de ti não se diz,
gostar de ti é um mundo, um caleidoscópio de cores e cheiros e sons.
Gosto-te de corpo e alma, de coração, de mãos, de olhos e de nariz,
porque te cheiro e me perco, porque te toco e me rendo aos teus tons,
aos teus acordes e notas. Ao teu riso e ao teu choro e quero cada lágrima
que derrames para nela chorar também. Deixas? Permite que encontre a rima,
que faça um poema, um conto. Que te ame como se não houvesse amanhã,
e hoje o tempo escasseasse e eu já não conseguisse correr para te ter?
Deixas? Permites que te goste desta forma inteira, rubra como uma nova manhã?
Deixas que te goste, que te queira, que te respire, que te viva com todo o meu ser?

Sabes…Gosto-te mais que tudo o que gosto….

Deixas que te ame assim?

quarta-feira, junho 17, 2015

UM DIA...TALVEZ UM DIA...


Um dia haverá paz, acordo e entendimento.
Um dia haverá sossego,  céus  limpos e brilhantes,
um dia saberemos olhar em conjunto o firmamento
e encontrar as mesmas estrelas distantes mas vibrantes.

Um dia deporemos as armas, a agressividade e o azedume.
Um dia seremos capazes de dar os passos concretos.
Um dia saberemos resolver e calar todo o queixume,
tudo o que emperra o caminho impedindo dar passos certos.

Um dia imperam os sorrisos,  o sonho e as gargalhadas,
seremos de novo crianças sem preocupações nem barreiras.
Um dia entenderemos a vida, riremos das encruzilhadas.
Um dia...Quem sabe um dia não ultrapassamos as cegueiras
e simplesmente aceitamos tudo o que temos nas mãos....


terça-feira, maio 19, 2015

DESALENTO

Impossível agradar a todos, impossível…
Levanta a cabeça e continua mesmo quando te derrubam,
mesmo quando te esborratam os sonhos.

Impossível que todos te entendam, impossível…
Ergue os punhos, encarniça-te na luta mesmo se te empurram
para os buracos mais escuros e tristonhos.

Impossível que não te façam cair, impossível….
Mas põe-te de pé com nova alma
e pega arduamente nas tuas armas.

Impossível que não te critiquem, impossível…
Mas sê humilde e aceita-as com fleuma, com calma.
Agora não pares, desistas ou quebres! Será assim que desarmas

quem de ti nem o nome sabe


sexta-feira, maio 08, 2015

(DE) PRESSÃO, OU DESILUSÃO?


Abate-se, como uma tempestade, o vazio.
Este vazio que deixa o coração sem alma
e a alma sem coração.
Mesmo quando o sol brilha tenho frio,
olhando sem rumo a estrada calma
que piso sem nenhuma razão.

Abate-se, como milhafre atento, a escuridão.
Uma escuridão que estrangula a voz
e me deixa sem vontade.
Um vento do deserto assola-me em turbilhão,
povoa-me a vida de uma agonia atroz.
e me invade sem fazer alarde.


Toma conta de mim, alimenta-me de fel,
cobre-me de negro, transforma-me em pó.
Abate-se sobre mim com gestos de mel,
mas crava-me as garras frias sem dó.

Tudo gira a minha volta sem sentido,
O sol é uma bola amarela, mais nada,
O vento é um sopro duro e desabrido.
O corpo verga numa dor que se cala.

E o buraco negro do vazio sem fim,
vai, sem dó, tomando conta de mim…..

SAUDADES....

Saudades! Um sentimento agridoce que marca, que assola com a força de um vulcão. Saudades! Sentimos do que foi bom; abar...