quinta-feira, setembro 24, 2015

ESCRAVA



Escrava do tempo e do silêncio vagueio pelas ruas da vida
procuro o chão que não tenho e o céu que já não vejo.
Agrilhoada à ausência que visto como segunda pele,
encastoo o olhar na distância que não quero percorrer.
Escrava de um sonho que foi o meu ponto de partida
palmilho descalça o trilho que é a luz do meu desejo.
Desejo que não morre ou esmorece, feito de frutos e mel
e de voz presa na garganta com palavras por dizer.

Escrava do tempo e da ausência, ao silêncio agrilhoada,
espero um tempo sem tempo, espero um amanhecer que tarda
e do qual já desespero. Espero de alma fria e calada.
Espero ... de sonhos despojada.


quinta-feira, setembro 10, 2015

VELHAS FOTOS

São imagens secas encastoadas na mortalha do tempo,
secas e dissecadas pelo bisturi aguçado da memória.
É a imortalidade presa num errático contratempo,
movimento estático captado em cada história.
História de vida ou de morte, história vivida,
história nossa, tua, dele, passada. Ou apenas vida.
São imagens desbotadas pelos estios e as invernias,
gritos calados, risos gelados na intemporalidade.
São momentos aprisionados em doces fantasias,
é suster o tempo na sua voracidade.
Fotografias perenes na moldura de uma vida

Imagens guardadas de uma história compartida.



sexta-feira, agosto 28, 2015

30 DIAS DE VAZIO


Como o tempo corre e voa, como o tempo não perdoa.
Como o tempo se esvai por um brecha que não fecha,
e esta dor surda que me habita e dura me magoa,
é a flecha que trespassa um coração que fraqueja,
que vacila, que estremece e morre um pouco também.

Passa o tempo e a vida, passam as horas sem conto,
mas esta saudade aguda não passa nem se esbate.
Já passaram muitos dias neste surdo confronto,
nesta mágoa dura e forte que sobre mim se abate.
Passa o tempo e eu sigo lutando sem mais ninguém.

Como o tempo corre e pula, como a vida se escoa,
como bate o coração que a dor ainda povoa?


domingo, agosto 23, 2015

UM CAMINHO, SOMENTE

Sempre que cair, que eu tenha a força certa 
para me levantar e recomeçar.
Sempre que me desviar da minha meta,
que tenha força para continuar a tentar
encontrar o caminho.
Seja qual for o meu destino,
seja qual for a minha guerra, ou batalha,
a minha luta ou o meu estranho trilho.
Sempre que o coração doer e eu fique encalhada
em glaucos nevoeiros sem brilho,
que eu tenha força para querer,
para não desistir e apenas morrer.
Ainda que uma morte sem morte,
ainda que uma morte sem vida.
Sempre que eu caia de tal sorte
que já não adiante estar envolvida,
que eu me levante ainda, levante mais uma vez.
Que me vista de força e  cubra a minha nudez
de alma perdida sem norte.
Sempre que cair, que eu tenha apenas força....
Ou algo que me conforte.



sábado, agosto 08, 2015

FALTA-ME O CHÃO...

Falta-me o chão. Falta-me o dia. Faltas-me tu.
O tempo ainda é breve mas a solidão, essa é imensa!
Vou dando os passos que não posso parar,
porque a vida segue e o tempo urge.
Falta-me o chão, falta-me o dia, faltas-me tu.
sou um vulcão de sentimentos, sou uma corda tensa
que tento corajosamente não rebentar.
Cai de novo a noite e logo um dia surge.
Falta-me o chão, falta-me o dia, faltas-me tu.
Tudo em mim chora e dói de uma forma intensa,
desmesuradamente dura, profunda a magoar. 
E eu sigo a viagem, mas tudo se insurge
contra este andar...Falta-me o chão...Faltas-me tu!


quarta-feira, julho 29, 2015

28/7/2015

Caem as lágrimas mansas como chuviscos de verão,
há um buraco profundo e negro no lugar do coração.
O vazio está mais oco, mais inaudível, mais sem volta,
faltas-me como o sol que se pôs no fim de mais um dia.
Ao meu redor, tudo gira normalmente em rédea solta,
este é só mais um momento na minha estrada só de uma via.

Caem as lágrimas de saudade imensa e dor sem fim,
Resta-me a consolação que descansas, ainda que longe de mim.
Há um vazio que me habita e arrasta sem dó nem piedade,
que me prende os pés como grilhetas de duras lâminas
que ferem, ferem, ferem.... E têm o gosto acidulado de eternidade.
Vazio e dor, colam-se à pele como densas neblinas

Caem as lágrimas, desfaz-se o trio, morre-se um pouco também,
Amanhã.... Amanhã haverá de novo o sol, o vento E a chuva que vem
lavar a vida e a dor. Amanhã....Amanhã será um novo dia....Talvez.


imagem retirada da net

sábado, julho 25, 2015

AMARGO TRAVO (23/7)

Como algodão doce traiçoeiro, os anos passam por ti,
não que os entendas, não que os percebas, não que os vivas.
Apenas resvalas por eles, como criança em escorrega...livremente.
Como nevoeiro ora denso ora leve o tempo, escoa-se aqui
deixando-te pelo caminho aos poucos sem prerrogativas.
E tu vais...Só assim, sem te dares conta, caminhas inexoravelmente
para um mundo de vácuo e vazio. Um buraco negro de silêncio eterno.
Os anos vão passando, e as memórias morrendo no frio inverno
do esquecimento, do vazio sem retorno, do olhar vazio sem vida.
Como algodão doce de amargo travo, a vida assim destinou.
E dói ver-te já sem passado, sabendo que o presente é o segundo
e o futuro nem tem expressão. Algodão doce, as tuas memórias
são brancas e flutuantes, desconectadas; ligação que alguém cortou
circuito que se degenerou e não volta, um vago e impreciso mundo
alheado da realidade. Estranho mundo sem cor nem histórias...
Como algodão doce abandonado em mãos sem jeito
a tua vida é agora um longo e vazio caminho imperfeito...

Como algodão doce....De amargo travo!


SAUDADES....

Saudades! Um sentimento agridoce que marca, que assola com a força de um vulcão. Saudades! Sentimos do que foi bom; abar...