sexta-feira, novembro 27, 2015

VOGO NOS SONS...

Vogo pelos sons do meu mundo de águas infinitas
e de cantos de pássaros irreais. É este o meu mundo!
O meu espaço e o meu corpo, incorpóreo, leve.
Tenho asas de fada dos bosques e nos cabelos as fitas
de tranças que o tempo teceu num sonho profundo
que entretanto se perdeu de tão louco, de tão breve.
Vogo pelos acordes de uma única sinfonia universal,
vogo de nota em nota e deixo em cada acorde
um pedaço de alma despida e sem rumo.
Vogo sem peso, como bola de sabão intemporal
resvalando pela vida sem nada que me prenda ou recorde
um coração despedaçado, desfeito em ténue fumo.
Vogo por cada nota, cada som deste música suave,
que embala a noite escura e prenhe de segredos,
prenhe de sonhos desfeitos, rasgados por amadas mãos.
Vogo, elevo-me, plano, deixo-me levar pelo canto grave
dos caminhos desta vida. E trilhos os meus degredos
com pés de anjo e olhos de menina trago um punhado de grãos
de sonho que ainda lanço no espaço e vejo somente a flutuar.
Porque já não acredito que frutifiquem nem que possam germinar…
Vogo  pelos sons do meu mundo de faz de conta, caixinha de musica intemporal….





quinta-feira, novembro 26, 2015

UMA FORMA DE....LEMBRAR



Tentar esquecer é uma forma de lembrar” e eu quero esquecer!
Esquecer sem remorsos, nem mágoa nem saudade, apenas esquecer!
Mas se ao tentar estou a recordar, como deixo de pensar e de querer?

Quero tirar da memória as memórias de uma vida que passou,
de um pedaço do que fui, do que o tempo deu e já levou.
Não quero pensar, nem lembrar do que de nós sobrou.

Tentar esquecer é uma forma de lembrar” e eu quero continuar
o meu caminho sem peias nem algemas, sem sonhos por concretizar,
quero seguir o que me estiver destinado, sem mágoas para chorar.

Quero extirpar do peito o coração velho e gasto de tanto amar,
não preciso dele! Já nada mais tem para ver nem para dar.
Quero deixar a alma pelo caminho para que possa enfim repousar.

Tentar esquecer é uma forma de lembrar” e eu não quero o que não é meu!
Quero apenas trilhar o meu mundo, pequeno mas onde eu sou Eu!
Não, não quero mesmo nada do que o desejo prometeu.

Não quero porque foi sonho, só sonho… Nunca nada me foi destinado.






segunda-feira, novembro 16, 2015

REGRESSA A CALMA

A calma da noite branda penetra pelos meus poros abertos
sedentos de paz e serenidade, de silêncio e calma.
Tudo se aquieta no veludo sedoso de tranquilos desertos
que pela noite se escoam inundando o coração e alma.
A noite, eterna conselheira, vem envolver-me nos braços,
esses braços, ternos feiticeiros que embalam a dor
e afastam os fantasmas. Que desfazem os medos em pedaços
e iluminam as trevas, põem brilho e luz e até dão cor
á mais dura solidão. A noite invade-me mansa e suave,
como se todas as dores morressem ao seu toque mágico,
como se a escuridão e o silêncio fossem a chave
que abre todas as portas, desvenda até o segredo mais trágico.
A noite branda e serena é o balsamo que me invade a vida,
que me devolve a alma em requebros de uma calma ansiada
e a pulso conquistada. É minha de novo! Una, não repartida.
Invade-me a noite, a minha noite! Tão minha! Tão bem amada!



segunda-feira, novembro 02, 2015

PECADO MEU...






Pecado é amar desta forma insana, desesperada e ansiosa,
eu não sei amar-te de outra maneira. Só assim incondicionalmente!
E se não queres assim, deixa-me. Deixa-me no meu canto, silenciosa.
Faz de conta que eu morri, ou que nem nasci. Calei-me eternamente.
Pecado é amar com o coração todo e dele não sobrar nem o sangue
para bombear. Pecado é amar entregando tudo até ficar exangue.
Até perder a vida ou o que dela sobra, ou o que dela resta.
Pecado é continuar amando sem saber porquê, ou até quando,
sem saber para quê, sem ver o rumo e sabendo que nada presta,
que nada importa ou tem peso, valia ou préstimo. E eu não mando
no coração que chora e dói por um amor que é pecado
por ser tão grande e tão profundamente enraizado.

quarta-feira, outubro 28, 2015

CALMA NO TURBILHÃO




Invade-me uma calma de mares esquecidos e madrugadas vazias,
de mãos abandonadas num qualquer colo gelado e já sem vida,
Invade-me esta calma de noites brancas, de noites ocas e frias. 
Habito as profundezas mansas de um saber sem saber, onde, perdida,
me encontro sem lugar, sem passado, presente ou futuro.
Vogo num limbo azul calado, caindo aos poucos como fruto maduro
que o calor do Verão fez crescer e o Outono da vida fará sucumbir.
Invade-me esta calma sem sentido em que nada tenho ou sinto,
em que apenas e tão só caminho neste  meu fado a cumprir.
E vou calando a minh'alma e vou sufocando o meu grito. Minto
a cada passo na minha estrada, porque eu não entendo mais nada,
eu não sinto mais nada apenas esta calma podre em mim amordaçada

sexta-feira, outubro 16, 2015

PODIA

Podia escrever um amor sem limites ou uma paixão sem barreiras,
podia escrever momentos intensos de loucura e horas sem fronteiras.
Podia escrever-te em mil palavras de um fogo eterno e rubro
de uma cálida noite de verão ou de um frígido inverno obscuro.

Podia elevar-me nas asas de uma quimera pairando mansa
sobre a vida suspensa por invisíveis fios de luz de luar. 
Podia mergulhar nos abismos do esquecimento e numa dança
rodopiar  louca sem principio nem fim. A afundar... a afundar.

Podia escrever uma vida vivida, desdobrada e percorrida
ou todas as pedras que encontrei pelos meus caminhos.
Podia escrever todas as dores e toda a mágoa escondida
e gritar aos quatros ventos que estou de pé por entre os espinhos.

Podia escrever-te em tons de sonho, de maresia e verde prado,
ou escrever cada aurora,  esperança traída e desejo amordaçado.
Podia ser apenas  a nuvem passando breve no céu,
pássaro de fogo ou fénix, podia ser tudo! Menos breu.



sexta-feira, outubro 09, 2015

ACTRIZ

Sou actriz no palco desta vida, tenho mil máscaras que ponho
 e outras mil que vou retirando, mudo o riso pela lágrima,
mudo as certezas e as dúvidas, mudo a realidade e o sonho.
Sou actriz de drama e comédia que se bate e luta e esgrima,
sou rebelde e sou cordata, sou sopro de névoa e sou lua.
Sou o barro que se moldou nesta vida nua e crua.
Sou actriz de mil e um palcos, de mil papeis e mil cores,
paleta de um qualquer pintor, canção, poema e dança.
Cada papel me dá vida. Ou será que sou eu em mil dores
que a dou sem ter medida, sem remédio ou esperança?


Sou actriz neste palco que é a vida… Serei?


SAUDADES....

Saudades! Um sentimento agridoce que marca, que assola com a força de um vulcão. Saudades! Sentimos do que foi bom; abar...