sexta-feira, dezembro 25, 2015

CONCHA VAZIA


O sol já subiu no céu de mais uma manhã de inverno,
o frio invade cada fibra de uma alma despida, nua,
tão nua, tão sofrida, tão vazia.
E o sol brilha lembrando que ainda há luz no inferno,
e esperança na concha vazia de uma verdade crua,
desesperadamente dura e fria.

Os sorrisos enfeitam as almas, os rostos as vidas,
as mãos ainda se dão e os beijos ainda são beijos
de um sonho que ficou por cumprir.
Ainda há dias de brumas mágicas e antigas
e fadas nos bosques, e amores e desejos,
Ainda há corações doridos a sucumbir.

Há uma concha abandonada em praia deserta
e um caminho escuro por percorrer,
há passos incertos em trilhos inseguros, 
E ondas de dor em ferida aberta.
Há sois e há luas e há sonhos a morrer.
O sol já subiu no céu, mas não quebra os muros
que envolvem um coração vestido de brumas.

sábado, dezembro 19, 2015

ESTE ANO...


Este ano....
as estrelas estão mais longe
o calor partiu para rumo incerto.
Este ano....
sou grão de areia, sou monge
sou ave perdida em rubro deserto.
Este ano....
não brilha o lume no peito,
apenas um sorriso envergonhado.
Este ano....
nada tem cor, nem sabor nem jeito,
passa o tempo, desajustado.
Este ano...
fecho o livro devagar, sem reler as minhas páginas,
sem me prender em sonhos vãos.
Este ano...
É mais um ano que passa, só mais um...a passar.... 

quarta-feira, dezembro 09, 2015

CORDAS DA MINHA VIDA


Dedilho as cordas da minha vida para lhe ouvir os sons
que da distância me lembram que tive uma vida...Um dia.
Olho pelo denso nevoeiro os meus passos marcados pelos tons
de uma melodia estranha, quase profana, que me arrepia
e coloca neve nos cabelos, sulcos no rosto, lágrimas no olhar.
Tudo deveria ser simples. Tudo deveria não custar a passar.

Dedilho as cordas das minhas memórias para me lembrar
que. um dia fui mulher, flori. Sorria como borboleta estonteada,
louca, prenhe de sonhos, de desejos, de vida, de amor para dar.
Olho pelas brumas matinais que me envolvem inebriada
e me vestem de liquida agonia, de calada e profunda dor.
Tudo deveria ser manso e meigo, Tudo deveria ser AMOR.

Dedilho as cordas da minha guitarra quebrada,
da minha alma negra, dolorosamente marcada.
Dedilho as cordas de uma torturante agonia
que me inunda e profana, que me percorre à porfia.


sexta-feira, novembro 27, 2015

VOGO NOS SONS...

Vogo pelos sons do meu mundo de águas infinitas
e de cantos de pássaros irreais. É este o meu mundo!
O meu espaço e o meu corpo, incorpóreo, leve.
Tenho asas de fada dos bosques e nos cabelos as fitas
de tranças que o tempo teceu num sonho profundo
que entretanto se perdeu de tão louco, de tão breve.
Vogo pelos acordes de uma única sinfonia universal,
vogo de nota em nota e deixo em cada acorde
um pedaço de alma despida e sem rumo.
Vogo sem peso, como bola de sabão intemporal
resvalando pela vida sem nada que me prenda ou recorde
um coração despedaçado, desfeito em ténue fumo.
Vogo por cada nota, cada som deste música suave,
que embala a noite escura e prenhe de segredos,
prenhe de sonhos desfeitos, rasgados por amadas mãos.
Vogo, elevo-me, plano, deixo-me levar pelo canto grave
dos caminhos desta vida. E trilhos os meus degredos
com pés de anjo e olhos de menina trago um punhado de grãos
de sonho que ainda lanço no espaço e vejo somente a flutuar.
Porque já não acredito que frutifiquem nem que possam germinar…
Vogo  pelos sons do meu mundo de faz de conta, caixinha de musica intemporal….





quinta-feira, novembro 26, 2015

UMA FORMA DE....LEMBRAR



Tentar esquecer é uma forma de lembrar” e eu quero esquecer!
Esquecer sem remorsos, nem mágoa nem saudade, apenas esquecer!
Mas se ao tentar estou a recordar, como deixo de pensar e de querer?

Quero tirar da memória as memórias de uma vida que passou,
de um pedaço do que fui, do que o tempo deu e já levou.
Não quero pensar, nem lembrar do que de nós sobrou.

Tentar esquecer é uma forma de lembrar” e eu quero continuar
o meu caminho sem peias nem algemas, sem sonhos por concretizar,
quero seguir o que me estiver destinado, sem mágoas para chorar.

Quero extirpar do peito o coração velho e gasto de tanto amar,
não preciso dele! Já nada mais tem para ver nem para dar.
Quero deixar a alma pelo caminho para que possa enfim repousar.

Tentar esquecer é uma forma de lembrar” e eu não quero o que não é meu!
Quero apenas trilhar o meu mundo, pequeno mas onde eu sou Eu!
Não, não quero mesmo nada do que o desejo prometeu.

Não quero porque foi sonho, só sonho… Nunca nada me foi destinado.






segunda-feira, novembro 16, 2015

REGRESSA A CALMA

A calma da noite branda penetra pelos meus poros abertos
sedentos de paz e serenidade, de silêncio e calma.
Tudo se aquieta no veludo sedoso de tranquilos desertos
que pela noite se escoam inundando o coração e alma.
A noite, eterna conselheira, vem envolver-me nos braços,
esses braços, ternos feiticeiros que embalam a dor
e afastam os fantasmas. Que desfazem os medos em pedaços
e iluminam as trevas, põem brilho e luz e até dão cor
á mais dura solidão. A noite invade-me mansa e suave,
como se todas as dores morressem ao seu toque mágico,
como se a escuridão e o silêncio fossem a chave
que abre todas as portas, desvenda até o segredo mais trágico.
A noite branda e serena é o balsamo que me invade a vida,
que me devolve a alma em requebros de uma calma ansiada
e a pulso conquistada. É minha de novo! Una, não repartida.
Invade-me a noite, a minha noite! Tão minha! Tão bem amada!



segunda-feira, novembro 02, 2015

PECADO MEU...






Pecado é amar desta forma insana, desesperada e ansiosa,
eu não sei amar-te de outra maneira. Só assim incondicionalmente!
E se não queres assim, deixa-me. Deixa-me no meu canto, silenciosa.
Faz de conta que eu morri, ou que nem nasci. Calei-me eternamente.
Pecado é amar com o coração todo e dele não sobrar nem o sangue
para bombear. Pecado é amar entregando tudo até ficar exangue.
Até perder a vida ou o que dela sobra, ou o que dela resta.
Pecado é continuar amando sem saber porquê, ou até quando,
sem saber para quê, sem ver o rumo e sabendo que nada presta,
que nada importa ou tem peso, valia ou préstimo. E eu não mando
no coração que chora e dói por um amor que é pecado
por ser tão grande e tão profundamente enraizado.

SAUDADES....

Saudades! Um sentimento agridoce que marca, que assola com a força de um vulcão. Saudades! Sentimos do que foi bom; abar...