sexta-feira, janeiro 15, 2016

HORAS EXTRAORDINÁRIAS

Faço horas extraordinárias para reaprender a andar,
retiro horas ao sono à força de tentar perceber e analisar
o porquê de algo que não se explica nem se entende.
Faço horas extraordinárias a olhar para o caminho que se estende
á minha frente sem que eu saiba ou queira percorre-lo.
Faço horas a pensar se de facto quero ainda fazê-lo.



Retiro horas ao meu sono a relembrar sem sentido
o que passou e passei, o que vi e sonhei, o que foi vivido.
Faço horas extraordinárias para recuperar serenidade,
para saber aceitar, para viver sem a dor da deslealdade.
Faço horas, faço horas, faço da noite o meu dia
e de cada dor reaprender a  fazer simplesmente uma alegria

sexta-feira, janeiro 08, 2016

CADA MINUTO QUE PASSA....






Cada minuto dura uma eternidade quando não há o que fazer.
Cada minuto demora um século ou um nano-segundo a percorrer
este caminho entre mim e o infinito.
Cada minuto arrasta-se sem dó nem piedade pela vida.
Cada minuto passa por mim a uma velocidade estúpida
de tão lenta! Com a dureza áspera do granito.

Cada minuto é um sopro de vento. Um milénio.
Cada minuto sabe a perda num ir e vir homogéneo
e é gélido sopro perpassando a doer.
Cada minuto é mais um passo neste meu caminho,
só mais uma prece que se entoa baixo de mansinho.
Cada minuto é só mais um minuto a morrer.

Cada minuto é uma tempestade sem igual que arrasa
tudo por onde passa sem se ater. É fogo que abrasa
é mágoa sofrida. É dor arrancada do peito a esmorecer.




quarta-feira, dezembro 30, 2015

TELA INACABADA


Calam-se os pincéis na pressa das horas
que medeiam entre o nascer e o ocaso.
Cala-se a solidão onde ainda moras
e onde me perco tropeçando ao acaso
nas pedras das memórias e dos sonhos perdidos.
Nos trilhos das saudades e de beijos esquecidos.




Calam-se as cores da minha tela inacabada 
que o vazio veio pintar de negros tons.
Cala-se a lembrança e a esperança ansiada,
morrem aos poucos todos os sons
das promessas implícitas e afloradas,
das promessas toscas, balbuciadas.

Calam-se as horas que arrastam o virar do ano,
e calam-se os sonhos que perderam a cor.
Cala-se o mundo mas o tempo corre profano
e nada parece calar esta dor
que me grassa no peito e perturba a calma,
que me invade sombria e me rasga a alma.

Calam-se os pincéis na minha tela inacabada
e a vida esvaí-se por um ferida profanada.

sábado, dezembro 26, 2015

PRINCESA DA LUA










- Olá princesa da lua! 
Onde estão os teus cabelos de argêntea luz?
E o teu olhar de embevecida paixão?

 - Olá princesa da lua!
Onde escondes a dor da tua cruz?
E o peso do engano e da desilusão?

 - Olá nuvem que passas breve,
enevoando o sol nascente
com as tuas brumas de salgado sabor.

 - Olá nuvem que passas breve,
os cabelos levou-os um vazio dormente
e o olhar perdeu-se num dia sem cor.
A dor é o adorno que me enfeita a fronte
e o engano e a desilusão são barca de Caronte
que me leva por inusitado mar.

 - Olá princesa da lua!
Onde guardas o teu coração, gelado de acreditar?
E os teus sonhos onde pairam? Onde vogam?

 - Olá princesa da lua!
Porque choram os teus olhos de prateado luar?
Derramando diamantes que te derrogam.

 - Olá nuvem que passas breve.
deixando no céu o teu odor,
o meu coração levou-o o mar em maré de invernia.
E os meus sonhos guarda-os um amor
que foi grande e forte, que foi vida e cor um dia.
Deixa que chore diamantes, são pedaços de alma nua.
São os restos de uma vida para que a vida flua.

 - Adeus princesa da lua de olhos de eterno luar...
 - Adeus nuvem de brumas leves em céus limpos a flutuar...

sexta-feira, dezembro 25, 2015

ESVAZIADO CASULO

Mero invólucro de carne e ossos consumado
onde os sonhos perderam o norte e o sentido.
Os olhos ainda vêm as auroras e os ocasos,
os lábios ainda se arrepiam num sorriso apagado,
mas o mundo parece vago, escuro e tão despido.
Um mero invólucro o meu para que não haja atrasos
nos caminhos por percorrer, nas madrugadas por nascer, 
apenas um casulo feito de brumas e desenganos.
Nas mãos os farrapos de uma vida esfumada,
nos olhos um lírio roxo de longo padecer.
No coração um vazio que se fez ao longo dos anos
e se colou à pele camada após camada, após camada.
Mero invólucro esta minha concha vazia
onde os sentidos se perdem e diluem devagar,
onde os dias são noites e as noites são luas a morrer.
Onde do limbo espreita  um olhar de dorida agonia
e do vazio a voz rouca de um passado por enterrar.
E os dias passam, arrasta-se a vida por mim a escorrer.
Mero invólucro de perdida alma de negras brumas
enfeitada de vazios e ocos enganos... Mero invólucro!



CONCHA VAZIA


O sol já subiu no céu de mais uma manhã de inverno,
o frio invade cada fibra de uma alma despida, nua,
tão nua, tão sofrida, tão vazia.
E o sol brilha lembrando que ainda há luz no inferno,
e esperança na concha vazia de uma verdade crua,
desesperadamente dura e fria.

Os sorrisos enfeitam as almas, os rostos as vidas,
as mãos ainda se dão e os beijos ainda são beijos
de um sonho que ficou por cumprir.
Ainda há dias de brumas mágicas e antigas
e fadas nos bosques, e amores e desejos,
Ainda há corações doridos a sucumbir.

Há uma concha abandonada em praia deserta
e um caminho escuro por percorrer,
há passos incertos em trilhos inseguros, 
E ondas de dor em ferida aberta.
Há sois e há luas e há sonhos a morrer.
O sol já subiu no céu, mas não quebra os muros
que envolvem um coração vestido de brumas.

sábado, dezembro 19, 2015

ESTE ANO...


Este ano....
as estrelas estão mais longe
o calor partiu para rumo incerto.
Este ano....
sou grão de areia, sou monge
sou ave perdida em rubro deserto.
Este ano....
não brilha o lume no peito,
apenas um sorriso envergonhado.
Este ano....
nada tem cor, nem sabor nem jeito,
passa o tempo, desajustado.
Este ano...
fecho o livro devagar, sem reler as minhas páginas,
sem me prender em sonhos vãos.
Este ano...
É mais um ano que passa, só mais um...a passar.... 

SOMBRA DE AVES

Na sonoridade de um raio de luar, onde habitam os sonhos e telas inacabadas que um pintor abandonou, desenha-se uma me...