quinta-feira, fevereiro 04, 2016

HOJE....SOMENTE HOJE


Hoje...

Vou aprender com o passado e dar um passo em frente,
vou atirar ao mar o que me pesa e cortar o mal de forma permanente.

Hoje...

Vou perdoar um amor perdido e amarfanhado,
vou arrumar de novo a casa e tirar o pó entranhado.

Hoje...

Vou olhar a estrada logo abaixo dos meus pés
e o horizonte que fique em sonhos embalados de marés.

Hoje...

Hoje vou enterrar a dor, a mágoa, a injustiça e o orgulho,
vou pegar nos restos de uma vida e refazer este "embrulho"
que me foi deixado como herança, como penhor de um passado.
Hoje vou dizer que já chega, bater o pé e enterrar TUDO bem enterrado.

Hoje.... Hoje.... Hoje vou chorar sobre um leito de rosas desfolhadas.



quinta-feira, janeiro 28, 2016

MEIO ANO....MEIO CAMINHO....




E sempre o tempo a rodopiar e sempre o tempo a passar,
dias de lágrimas e dor, horas de vazio sem fundo.
Mas o tempo não se atem e continua a caminhar,
nem olha para trás porque para a frente é o seu mundo.

E sempre o tempo, eterno aliado, mesmo que o não sinta,
mesmo que o não veja, o tempo singra por mares alterosos,
o tempo não para, o tempo não espera e mesmo que eu minta
a mim mesma, o tempo empurra-me por trilhos imperiosos.

E sempre o tempo, que eu nem sempre entendo, nem sinto.
Mas sempre o tempo inacessível e louco, tortuoso e duro.
Passaram os meses, vão passar os anos nesta tela que pinto
com tons de cinza e negro. e sempre o tempo intransponível muro 
que me barra o caminho, que esboroou os sonhos me envolveu de nada.


sábado, janeiro 23, 2016

NO MEU SILÊNCIO


Quando o silêncio é um segundo 
perdido nas areias rubras de um deserto
esquecido e abandonado no mundo.
Quando a distância não é o longe nem o perto
é o espaço que medeia entre o sim e o não.
Entre a raiva e o amor, entre a dor e o perdão.







Então as memórias são grãos de areia
escoando lentamente por entre os dedos,
são a vida que se esvai e já escasseia,
são os grilhões de todos os meus degredos.
Só o silêncio grita no caminho que percorro,
só o silêncio, a distancia e o abandono onde morro

sábado, janeiro 16, 2016

IMAGENS DE UM DIA DE SOL...(minhas)


Em turbulência e em desalinho como o sopro de uma feroz tempestade, 
mas onde o sol sempre põe o seu toque de fugaz e breve luminosidade.










Ou um adeus de gloriosa luz onde todos os sonhos acontecem
e parece que nada os pode matar, até que as palavras anoitecem
e como punhais ferem sem dó a magoar.











E depois fica o infinito mar onde cada onda é um eterno renovar.
E onde cada sonho se embrulha na espuma para não mais acordar.


E onde cada soluço das ondas é um beijo de maresia e sal
e cada requebro de espuma tenta apagar a dor e o mal....







Há "balões" vermelhos de festa a celebrar um sol que o inverno quis dar ao mundo.  Um estrela que no céu brilha e aquece um coração vestido de gelo e silêncio profundo.

sexta-feira, janeiro 15, 2016

HORAS EXTRAORDINÁRIAS

Faço horas extraordinárias para reaprender a andar,
retiro horas ao sono à força de tentar perceber e analisar
o porquê de algo que não se explica nem se entende.
Faço horas extraordinárias a olhar para o caminho que se estende
á minha frente sem que eu saiba ou queira percorre-lo.
Faço horas a pensar se de facto quero ainda fazê-lo.



Retiro horas ao meu sono a relembrar sem sentido
o que passou e passei, o que vi e sonhei, o que foi vivido.
Faço horas extraordinárias para recuperar serenidade,
para saber aceitar, para viver sem a dor da deslealdade.
Faço horas, faço horas, faço da noite o meu dia
e de cada dor reaprender a  fazer simplesmente uma alegria

sexta-feira, janeiro 08, 2016

CADA MINUTO QUE PASSA....






Cada minuto dura uma eternidade quando não há o que fazer.
Cada minuto demora um século ou um nano-segundo a percorrer
este caminho entre mim e o infinito.
Cada minuto arrasta-se sem dó nem piedade pela vida.
Cada minuto passa por mim a uma velocidade estúpida
de tão lenta! Com a dureza áspera do granito.

Cada minuto é um sopro de vento. Um milénio.
Cada minuto sabe a perda num ir e vir homogéneo
e é gélido sopro perpassando a doer.
Cada minuto é mais um passo neste meu caminho,
só mais uma prece que se entoa baixo de mansinho.
Cada minuto é só mais um minuto a morrer.

Cada minuto é uma tempestade sem igual que arrasa
tudo por onde passa sem se ater. É fogo que abrasa
é mágoa sofrida. É dor arrancada do peito a esmorecer.




quarta-feira, dezembro 30, 2015

TELA INACABADA


Calam-se os pincéis na pressa das horas
que medeiam entre o nascer e o ocaso.
Cala-se a solidão onde ainda moras
e onde me perco tropeçando ao acaso
nas pedras das memórias e dos sonhos perdidos.
Nos trilhos das saudades e de beijos esquecidos.




Calam-se as cores da minha tela inacabada 
que o vazio veio pintar de negros tons.
Cala-se a lembrança e a esperança ansiada,
morrem aos poucos todos os sons
das promessas implícitas e afloradas,
das promessas toscas, balbuciadas.

Calam-se as horas que arrastam o virar do ano,
e calam-se os sonhos que perderam a cor.
Cala-se o mundo mas o tempo corre profano
e nada parece calar esta dor
que me grassa no peito e perturba a calma,
que me invade sombria e me rasga a alma.

Calam-se os pincéis na minha tela inacabada
e a vida esvaí-se por um ferida profanada.

SOMBRA DE AVES

Na sonoridade de um raio de luar, onde habitam os sonhos e telas inacabadas que um pintor abandonou, desenha-se uma me...