Um local tranquilo onde os raios de lua, feitos palavras, lançam feitiços e enxugam lágrimas
quinta-feira, março 17, 2016
COM MÁGOA...COM BRAVURA!
Na minha frente há um mar sem fim, uma planície alentejana,
há o ir e vir das ondas encapeladas e brancas, há uma melodia profana
que embala os sentidos há muito adormecidos.
Na minha frente o infinito onde os sonhos adormecem
e as dores se perdem e simplesmente acabam, fenecem
em requebros de suspiros há muito reprimidos.
Na minha frente um céu de azul profundo e uma rubra papoila
para me lembrar que o sol nasce e sobre o mundo cintila
e sobre a vida se detém e sobre a vida se debruça.
Na minha frente abrem-se as portas de um novo amanhecer
que aidna não vejo, mas sinto aos poucos a crescer
das entranhas de uma vida que ainda dói e soluça.
Na minha frente há um caminho, um mar, uma planura,
na minha frente há ainda a mágoa e a agrura
que os meus pés pisam enfrentando um novo dia... Com bravura.
terça-feira, março 01, 2016
UMA MENTIRA

Tirei o vestido de seda, descalcei os sapatos de baile,
deixei os cabelos soltos nos ombros, lavei o rosto.
Vesti-me de nuvens e sombras, embrulhei-me no xaile
de negra noite. Tomei de um trago o vinho e o mosto
de uma vida de mentira.
Encetei nova caminhada na encruzilhada da tristeza.
Levo os pés nus de sonhos e as mãos abertas, vazias.
Cravado em mim levo o punhal da cobardia e a certeza
de nada valer, nada mais ser que imagens sombrias
numa vida de mentira.
Não me importa o sol, o vento e a chuva, ou mais um temporal!
Não me importa o que encontre porque a noite me acompanha,
é o meu vestido de luto e o meu véu intemporal.
É só mais uma estrada, um caminho que sigo como uma estranha
depois de uma vida de mentira.
Deixei o meu vestido de seda perdido no tempo passado,
vestindo-me de desilusão. Deixei os sapatos de baile abandonados
num salão frio de crueldade. Sigo de pés nus e rosto calado.
Sigo de olhos velados de lilás e negro e lábios secos, descorados
dos beijos trocados numa vida de mentira.
quinta-feira, fevereiro 04, 2016
HOJE....SOMENTE HOJE
Hoje...
Vou aprender com o passado e dar um passo em frente,
vou atirar ao mar o que me pesa e cortar o mal de forma permanente.
Hoje...
Vou perdoar um amor perdido e amarfanhado,
vou arrumar de novo a casa e tirar o pó entranhado.
Hoje...
e o horizonte que fique em sonhos embalados de marés.
Hoje...
vou pegar nos restos de uma vida e refazer este "embrulho"
que me foi deixado como herança, como penhor de um passado.
Hoje vou dizer que já chega, bater o pé e enterrar TUDO bem enterrado.
Hoje.... Hoje.... Hoje vou chorar sobre um leito de rosas desfolhadas.
quinta-feira, janeiro 28, 2016
MEIO ANO....MEIO CAMINHO....
E sempre o tempo a rodopiar e sempre o tempo a passar,
dias de lágrimas e dor, horas de vazio sem fundo.
Mas o tempo não se atem e continua a caminhar,
nem olha para trás porque para a frente é o seu mundo.
E sempre o tempo, eterno aliado, mesmo que o não sinta,
mesmo que o não veja, o tempo singra por mares alterosos,
o tempo não para, o tempo não espera e mesmo que eu minta
a mim mesma, o tempo empurra-me por trilhos imperiosos.
E sempre o tempo, que eu nem sempre entendo, nem sinto.
Mas sempre o tempo inacessível e louco, tortuoso e duro.
Passaram os meses, vão passar os anos nesta tela que pinto
com tons de cinza e negro. e sempre o tempo intransponível muro
que me barra o caminho, que esboroou os sonhos me envolveu de nada.
sábado, janeiro 23, 2016
NO MEU SILÊNCIO
Quando o silêncio é um segundo
perdido nas areias rubras de um deserto
esquecido e abandonado no mundo.
Quando a distância não é o longe nem o perto
é o espaço que medeia entre o sim e o não.
Entre a raiva e o amor, entre a dor e o perdão.
Então as memórias são grãos de areia
escoando lentamente por entre os dedos,
são a vida que se esvai e já escasseia,
são os grilhões de todos os meus degredos.
Só o silêncio grita no caminho que percorro,
só o silêncio, a distancia e o abandono onde morro
sábado, janeiro 16, 2016
IMAGENS DE UM DIA DE SOL...(minhas)
Em turbulência e em desalinho como o sopro de uma feroz tempestade,
mas onde o sol sempre põe o seu toque de fugaz e breve luminosidade.
Ou um adeus de gloriosa luz onde todos os sonhos acontecem
e parece que nada os pode matar, até que as palavras anoitecem
e como punhais ferem sem dó a magoar.
E depois fica o infinito mar onde cada onda é um eterno renovar.
E onde cada sonho se embrulha na espuma para não mais acordar.
E onde cada soluço das ondas é um beijo de maresia e sal
e cada requebro de espuma tenta apagar a dor e o mal....
Há "balões" vermelhos de festa a celebrar um sol que o inverno quis dar ao mundo. Um estrela que no céu brilha e aquece um coração vestido de gelo e silêncio profundo.
sexta-feira, janeiro 15, 2016
HORAS EXTRAORDINÁRIAS
Faço horas extraordinárias para reaprender a andar,
retiro horas ao sono à força de tentar perceber e analisar
o porquê de algo que não se explica nem se entende.
Faço horas extraordinárias a olhar para o caminho que se
estende
á minha frente sem que eu saiba ou queira percorre-lo.
Faço horas a pensar se de facto quero ainda fazê-lo.
Retiro horas ao meu sono a relembrar sem sentido
o que passou e passei, o que vi e sonhei, o que foi vivido.
Faço horas extraordinárias para recuperar serenidade,
para saber aceitar, para viver sem a dor da deslealdade.
Faço horas, faço horas, faço da noite o meu dia
e de cada dor reaprender a fazer simplesmente uma alegria
Subscrever:
Mensagens (Atom)
SOMBRA DE AVES
Na sonoridade de um raio de luar, onde habitam os sonhos e telas inacabadas que um pintor abandonou, desenha-se uma me...
-
Meu amor…. Há quanto tempo te ausentaste? Uma hora, um dia, um mês….Não sei dizer-te porque me parece que partiste há uma eternidade. A casa...
-
Imagem retirada da net Subi ao eterno para te contemplar, das etéreas nuvens, beijar a sombra que em mim ficou. Subi ao mais...
-
Foto de CARLOS ROLO Encaneci nas esperas de verdes vestidas, verguei o corpo, outrora esbelto, desfaleci. Ao vento soltei os cab...


