quarta-feira, maio 25, 2016

ACORDES DE MEMÓRIAS



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retirado da net

É na música suave e doce que vogam as memórias de um tempo
que passou como uma fugaz nuvem, como uma chuva de Verão.
É nos acordes sublimes de músicas partilhadas em contratempo
que as lágrimas se tornam regatos e a mágoa aperta como grilhão
de ferro em brasa. É na música que embalou tantos sonos e partilhas
que espero que a paz vá docemente colando as inúmeras estilhas.

É nos acordes mansos que deito as dores e enfaixo as feridas
pedindo ao tempo que cubra com fino pó o passado,
para que possam nascer nova cores, novos ventos e novas vidas.
É nos sons de tanta troca, de tanto já vivido e acabado
que busco o bálsamo que tarda, que busco um novo amanhecer,
um amanhecer negado, prolongando a noite que me veio acolher.

É na música que vogam as memórias de um tempo que passou,
as mágoas da incompreensão e o ferrão da crueldade que me trespassou.

Um dia a música será de novo música, música no coração.


domingo, maio 15, 2016

MARCAS DO TEMPO








O tempo marca a sua passagem no rosto deixando o seu traço
indelével e imparável. Com um fino cinzel esculpe linhas, finas,
profundas, imparáveis. O tempo pinta sombras num abraço
apertado e irreparável. Modela a pele, enruga-a em gelhas hialinas.
O tempo inexorável e duro deixa a sua marca sem retorno,
perdeu-se a frescura dos verdes anos que servia de singelo adorno.
Ficam as marcas que a vida escreveu no rosto, no corpo, nas mãos.
Ficam as memórias impressas em cada novo traço vincado.
Olha!  Esta foi uma história escrita entre os sins e os nãos,
entre o talvez e o vazio, o silêncio e a ausência. Tão complicado!
O tempo marca a sua passagem, deixando marcas inapagáveis
num rosto que perdeu o frescor sem regresso. Sinais irreparáveis!
Olhando o espelho que traduz a marca espessa do tempo
na vida que se escoa devagar em cada ruga em cada sombra,
há tanto por trás de cada traço vincado pelo ferrete do tempo!
Há tanto por trás de cada nova ruga e cada sombra!
O tempo marca o seu passo no rosto desenhado no espelho,
nas veias salientes das mãos, nas rugas sob o olhar velho.
Olha! Há uma história por trás de cada linha desse rosto
que o tempo marca com o ferrete do seu vendaval.

sábado, maio 07, 2016

INUNDA-ME ESTA FORMA DE VIDA


Inundam-me os vazios que não sei preencher,
e as horas que se arrastam sem préstimo nem regra.
Inundam-me as chuvas diluvianas a crescer
e as noites que a ventania desintegra.
Inundam-me os ses e os porquês,
estrangulam-me os nãos e os talvez.

Inundam-me as paredes brancas e frias,
as nuvens que no céu se arrastam devagar.
Inundam-me ecos de memórias sombrias
e de risos e alegrias que passaram sem parar.
Inundam-me os ses e os porquês,
estrangulam-me os nãos e os talvez.

Inundam-me os silêncios e as dúvidas,
as dádivas, as trocas, os vazios a dor que não passa.
Inunda-me a vida e as sombras desvanecidas.
Inunda-me a morte e a saudade que devassa.
Inundam-me os ses e os porquês,
estrangulam-me os nãos e os talvez.

Inunda-me o som dos tambores de guerra
e os nevoeiros doces da silenciosa e mística serra.






quinta-feira, abril 28, 2016

SÓ O TEMPO SABE, SÓ O TEMPO PODE SABER....







Quem sabe o caminho a seguir? O caminho certo?
Só o tempo.

Quem sabe a dor que o coração pode suportar?
Só o tempo, só o tempo.

Quem sabe se o amor vai perder o brilho? Vai esconder-se no esquecimento?
Só o tempo

Quem sabe o que está na próxima cuva da estrada?
Só o tempo, só tempo.

Quem sabe quantos vezes caímos? E quantas nos vamos erguer de novo?
Só o tempo

Quem sabe que ventos nos vão empurrar?
Só o tempo, só o tempo

Quem sabe o que está para lá do horizonte? Que novos rumos vamos tomar?
Só o tempo

Quem sabe se o coração baterá acelerado de novo?
Só o tempo, só o tempo

Quem sabe onde nos levarão os passos? E que vida iremos encetar?
Só tempo

Quem sabe quanto demora uma ferida a sarar?
Só o tempo, só o tempo

Quem sabe? Quem sabe? Quem sabe….


Só o tempo…Só tempo…Só  tempo a passar.

segunda-feira, abril 25, 2016

MUNDO EXTINTO


Na aridez de um suspiro sem retorno
o anjo do oblívio paira como poalha doirada.
Traz na fronte um singelo adorno
em forma de meia lua prateada.
Traz nas mãos a aljava dos sonhos
e as flechas da desilusão e da dor.
Esvoaça breve sobre todos os abrolhos
que a mágoa deixa num painel já sem cor.
Na aridez de uma deserto gretado
onde as sementes murcham sem desabrochar,
um anjo de alvas asas chora apiedado
de todas as dores enterradas num olhar.
Traz nas mãos suave balsamo 
na fronte um sinal de esperança,
entoa um doce um pungente salmo
traz a bonança e o suavizar da lembrança
de um mundo que se extinguiu.





quinta-feira, abril 14, 2016

SE? - NÃO HÁ "SES" NA VIDA

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imagem retirada da net




Na vida não há “ses”.

Na vida tudo é ou não é. Um “se” nada traz, nada dá.
Um “se” é a indefinição de um “é” e a dúvida de um “não é”

Na vida não há “ses”.

Na vida tudo é luta entre opostos, sim e não, há e não há.
Início e fim, tudo é luta nesta arena onde se morre de pé.

Na vida não há “ses”.

Porque os “ses” nada são, apenas indecisões, meias tintas,
Dúvidas em eterna incerteza. Respostas nunca encontradas.

Na vida não há “ses”.

Tudo deve ter um rumo certo, não pode haver respostas indistintas.
Não há lugar para dúvidas, só passadas certas e orientadas.

Na vida não há “ses”.

E quando os há perdemos tempo, espaço, rumo,
perdemos o pé e o caminho, perdemos a força, rodopiamos sem sentido.

Na vida não há “ses”.

E quando os há ficamos cegos, surdos, tudo se esconde no fumo
com que a vida nos vai envolver. E o nosso caminho esbatido
perde as cores, perde o brilho, perde o sabor e o odor.
Perde a forma de caminho, é apenas pó e suor, é apenas e só dor.


Na vida não há “ses”. E quando os há, não há vida.




quinta-feira, abril 07, 2016

AQUI TÃO PERTO E TÃO LONGE



Aqui onde o perto se fez longe de tão distante silêncio.
Aqui onde o longe se faz mais longe e o perto se perde
em ondas de dorido esquecimento.
Aqui onde impera um frio que calo e não denuncio,
e onde as noites são apenas noites de um negro cobarde
que invade o coração como um lamento.

Aqui onde o longe se fez infinito e o perto é só miragem.
aqui onde o fogo se tornou gelo e o chão é mar incerto.
Aqui onde se confunde a disforme paisagem
e o longe é tão mais longe, tão mais um desolado deserto.

Aqui tão longe e tão perto, aqui tão perto e tão longe!




SAUDADES....

Saudades! Um sentimento agridoce que marca, que assola com a força de um vulcão. Saudades! Sentimos do que foi bom; abar...