Um local tranquilo onde os raios de lua, feitos palavras, lançam feitiços e enxugam lágrimas
domingo, junho 05, 2016
PEGADAS NA PRAIA DESERTA
Mais uma onda num oceano sem fim,
mais uma onda de tristeza simples e crua.
Mais uma onda que se despenha em mim,
encapelada de espuma, bela, mas fria e nua.
Apenas mais uma onda numa praia deserta
onde a mágoa grita alto sem que a escutem os mortais.
Só mais uma onda sobre a rocha descoberta,
com o sol pintando a prata os seus traços intemporais.
E como um grito de tortura e de beleza sem igual
eleva-se a espuma bem alto! Nobre e viva, viva e nobre.
É bela na sua singeleza de uma alvura sem rival.
Apenas uma alva onda neste areal despido e pobre.
Com ela grita a minha'alma e o coração magoado,
mas é tamanha a beleza desta espuma alva e pura
que a dor se desvanece neste recanto sossegado.
Mais um toque de magia nesta vida já tão dura.
Pegadas na areia que a maré levará mansamente
como se jamais houvessem existido. Marcas de vida,
marcas de passos, de desejos sonhados inutilmente.
Pegadas infinitas na finitude de uma praia perdida.
Pegadas solitárias, definidas, distintas e sem destino,
rumo aos rochedos onde se despenha a espuma
da sucessão dos dias e das noites profundas e sem tino.
Pegadas, somente pegadas esperando pela salgada bruma.....
quarta-feira, junho 01, 2016
DIA MUNDIAL DA CRIANÇA... não deveriam ser todos os dias??
| imagem retirada da net |
Em cada um de nós há uma criança que espreita,
ora atrevida, ora birrenta, ora dócil, ora inquieta.
Em cada um de nós existe uma porta estreita
por onde passa a alma de criança sempre desperta,
sempre em busca, sempre atenta à descoberta.
Em cada um de nós há um cantinho silencioso
e escondido habitado pelo menino (a) do passado.
A vida nem sempre o deixa ser de novo fabuloso,
alegre, risonho, feliz na inocência e despreocupado.
Mas ele está lá! escondido à espera para se fazer anunciado.
Saibamos deixar sorrir a criança que ainda temos em nós,
desta vida apenas levamos o que vivemos acompanhados ou sós.
Deixemos a "nossa criança" sorrir.
quarta-feira, maio 25, 2016
ACORDES DE MEMÓRIAS
| retirado da net |
É na música suave e doce que vogam as memórias de um tempo
que passou como uma fugaz nuvem, como uma chuva de Verão.
É nos acordes sublimes de músicas partilhadas em contratempo
que as lágrimas se tornam regatos e a mágoa aperta como
grilhão
de ferro em brasa. É na música que embalou tantos sonos e
partilhas
que espero que a paz vá docemente colando as inúmeras estilhas.
É nos acordes mansos que deito as dores e enfaixo as feridas
pedindo ao tempo que cubra com fino pó o passado,
para que possam nascer nova cores, novos ventos e novas
vidas.
É nos sons de tanta troca, de tanto já vivido e acabado
que busco o bálsamo que tarda, que busco um novo amanhecer,
um amanhecer negado, prolongando a noite que me veio
acolher.
É na música que vogam as memórias de um tempo que passou,
as mágoas da incompreensão e o ferrão da crueldade que me trespassou.
Um dia a música será de novo música, música no coração.
domingo, maio 15, 2016
MARCAS DO TEMPO
O tempo marca a sua passagem no rosto deixando o seu traço
indelével e imparável. Com um fino cinzel esculpe linhas,
finas,
profundas, imparáveis. O tempo pinta sombras num abraço
apertado e irreparável. Modela a pele, enruga-a em gelhas
hialinas.
O tempo inexorável e duro deixa a sua marca sem retorno,
perdeu-se a frescura dos verdes anos que servia de singelo
adorno.
Ficam as marcas que a vida escreveu no rosto, no corpo, nas
mãos.
Ficam as memórias impressas em cada novo traço vincado.
Olha! Esta foi uma
história escrita entre os sins e os nãos,
entre o talvez e o vazio, o silêncio e a ausência. Tão
complicado!
O tempo marca a sua passagem, deixando marcas inapagáveis
num rosto que perdeu o frescor sem regresso. Sinais
irreparáveis!
Olhando o espelho que traduz a marca espessa do tempo
na vida que se escoa devagar em cada ruga em cada sombra,
há tanto por trás de cada traço vincado pelo ferrete do
tempo!
Há tanto por trás de cada nova ruga e cada sombra!
O tempo marca o seu passo no rosto desenhado no espelho,
nas veias salientes das mãos, nas rugas sob o olhar velho.
Olha! Há uma história por trás de cada linha desse rosto
que o tempo marca com o ferrete do seu vendaval.
sábado, maio 07, 2016
INUNDA-ME ESTA FORMA DE VIDA
Inundam-me os vazios que não sei preencher,
e as horas que se arrastam sem préstimo nem regra.
Inundam-me as chuvas diluvianas a crescer
e as noites que a ventania desintegra.
Inundam-me os ses e os porquês,
estrangulam-me os nãos e os talvez.
Inundam-me as paredes brancas e frias,
as nuvens que no céu se arrastam devagar.
Inundam-me ecos de memórias sombrias
e de risos e alegrias que passaram sem parar.
Inundam-me os ses e os porquês,
estrangulam-me os nãos e os talvez.
Inundam-me os silêncios e as dúvidas,
as dádivas, as trocas, os vazios a dor que não passa.
Inunda-me a vida e as sombras desvanecidas.
Inunda-me a morte e a saudade que devassa.
Inundam-me os ses e os porquês,
estrangulam-me os nãos e os talvez.
Inunda-me o som dos tambores de guerra
e os nevoeiros doces da silenciosa e mística serra.
quinta-feira, abril 28, 2016
SÓ O TEMPO SABE, SÓ O TEMPO PODE SABER....
Quem sabe o caminho a seguir? O caminho certo?
Só o tempo.
Quem sabe a dor que o coração pode suportar?
Só o tempo, só o tempo.
Quem sabe se o amor vai perder o brilho? Vai esconder-se no
esquecimento?
Só o tempo
Quem sabe o que está na próxima cuva da estrada?
Só o tempo, só tempo.
Quem sabe quantos vezes caímos? E quantas nos vamos erguer
de novo?
Só o tempo
Quem sabe que ventos nos vão empurrar?
Só o tempo, só o tempo
Quem sabe o que está para lá do horizonte? Que novos rumos
vamos tomar?
Só o tempo
Quem sabe se o coração baterá acelerado de novo?
Só o tempo, só o tempo
Quem sabe onde nos levarão os passos? E que vida iremos
encetar?
Só tempo
Quem sabe quanto demora uma ferida a sarar?
Só o tempo, só o tempo
Quem sabe? Quem sabe? Quem sabe….
Só o tempo…Só tempo…Só
tempo a passar.
segunda-feira, abril 25, 2016
MUNDO EXTINTO
Na aridez de um suspiro sem retorno
o anjo do oblívio paira como poalha doirada.
Traz na fronte um singelo adorno
em forma de meia lua prateada.
Traz nas mãos a aljava dos sonhos
e as flechas da desilusão e da dor.
Esvoaça breve sobre todos os abrolhos
que a mágoa deixa num painel já sem cor.
Na aridez de uma deserto gretado
onde as sementes murcham sem desabrochar,
um anjo de alvas asas chora apiedado
de todas as dores enterradas num olhar.
Traz nas mãos suave balsamo
na fronte um sinal de esperança,
entoa um doce um pungente salmo
traz a bonança e o suavizar da lembrança
de um mundo que se extinguiu.
Subscrever:
Mensagens (Atom)
SOMBRA DE AVES
Na sonoridade de um raio de luar, onde habitam os sonhos e telas inacabadas que um pintor abandonou, desenha-se uma me...
-
Meu amor…. Há quanto tempo te ausentaste? Uma hora, um dia, um mês….Não sei dizer-te porque me parece que partiste há uma eternidade. A casa...
-
Imagem retirada da net Subi ao eterno para te contemplar, das etéreas nuvens, beijar a sombra que em mim ficou. Subi ao mais...
-
Foto de CARLOS ROLO Encaneci nas esperas de verdes vestidas, verguei o corpo, outrora esbelto, desfaleci. Ao vento soltei os cab...