Perdi-te um dia nas voltas da vida, mas continuas em mim,
como não se me deste a vida!
Perdi-te e no entanto tenho-te presente, como concha vazia,
como casa sem gente, como pão sem miolo, como boca sem
palavras.
E olho-te e vejo-te como sempre, mas nessa tua realidade
fria
onde permaneces encarcerada, somando dias que lavras
sem sentido e sem destino, passando apenas a passar.
Perdi-te um dia nas voltas da vida, mas continuas em mim,
como não se me deste a vida!
E olhar-te é ver o vazio, ver o vago e o difuso, ver o nada
neste mundo.
E é saber não saber o que sabes, nem perceber o que sentes e
queres,
Se é que ainda queres… É mergulhar no teu olhar já sem fundo
onde a vida se foi apagando e o tino se foi perdendo. Soubesse
eu o que preferes!
Soubesse eu ler-te o vazio que se instalou, veio sem aviso a
alastrar…
Perdi-te um dia nas voltas da vida, mas continuas em mim,
como não se me deste a vida!
