Um local tranquilo onde os raios de lua, feitos palavras, lançam feitiços e enxugam lágrimas
domingo, agosto 21, 2016
FALSA ETERNIDADE
A eternidade é um momento. É a duração de um sopro de fada,
de um suspiro de onda a requebrar na areia de uma praia deserta.
A eternidade é eterna enquanto dura. É só uma curva na estrada,
na estrada de uma vida, de um sonho, de uma luta incerta.
A eternidade é uma bola de sabão soprada por um querubim,
ou anjo, ou talvez demónio.Ou um deus dos mares sem fim.
A eternidade é uma quimera. Pobre de quem nela mergulha,
acredita e luta, e se esforça e se empenha! A eternidade é finita.
É um estrela cadente rasgando a noite em que se embrulha,
com que se veste e enfeita. A eternidade é imperfeita mas bonita.
A eternidade pode ser um tufão, devastador e incontrolado,
pode ser uma brisa do mar, ou um vulcão amotinado.
A eternidade é um momento, breve como um arrepio,
a eternidade é eterna, apenas enquanto dura o momento.
A eternidade é só um sonho, o mais louco desvario,
o mais tenebroso desengano e doloroso tormento.
A eternidade é apenas um engano do tempo.
quinta-feira, agosto 04, 2016
ANJO CAÍDO
Anjo caído de um céu sem sombras
de uma vida pintada a tons de eternidade.
Anjo de enganadoras asas trazendo nas dobras
o gosto amargo da mais dura crueldade.
Anjo caído de um céu de murchas rosas
repletas de sonhos, amachucados,
de poemas sentidos e vibrantes prosas
escritas em momentos, perpetuados
em cada vírgula, em cada ponto, em cada linha.
Anjo caído de um coração soçobrado
no mais profundo e negro abismo.
Anjo parido de um amor amaldiçoado,
de um desejo vil e de um egoísmo
impar. Brutal. Desumano.
Anjo caído de uma vida que deixaste suspensa
num breve instante sem cor nem som.
Anjo caído que arrastas tudo numa queda imensa
de falsa moralidade, de podre mascarado de bom.
Anjo caído, de que céu caíste tu?
quinta-feira, julho 28, 2016
UMA ESTRELA
Uma lágrima e uma estrela.
Um vazio e um saber que não partiste,
que permaneces no que sou.
Ainda que a saudade aperte
e a dor não esmoreça.
Uma lágrima e uma estrela.
Um beijo que fure a distancia
e que te toque... Soubesse eu que era possível!!
Um soluço que não calo.
Uma lágrima e uma estrela
e um ano de saudade
sábado, julho 23, 2016
POR ESTE DIA, SEMPRE
Perdi-te um dia nas voltas da vida, mas continuas em mim,
como não se me deste a vida!
Perdi-te e no entanto tenho-te presente, como concha vazia,
como casa sem gente, como pão sem miolo, como boca sem
palavras.
E olho-te e vejo-te como sempre, mas nessa tua realidade
fria
onde permaneces encarcerada, somando dias que lavras
sem sentido e sem destino, passando apenas a passar.
Perdi-te um dia nas voltas da vida, mas continuas em mim,
como não se me deste a vida!
E olhar-te é ver o vazio, ver o vago e o difuso, ver o nada
neste mundo.
E é saber não saber o que sabes, nem perceber o que sentes e
queres,
Se é que ainda queres… É mergulhar no teu olhar já sem fundo
onde a vida se foi apagando e o tino se foi perdendo. Soubesse
eu o que preferes!
Soubesse eu ler-te o vazio que se instalou, veio sem aviso a
alastrar…
Perdi-te um dia nas voltas da vida, mas continuas em mim,
como não se me deste a vida!
sábado, julho 16, 2016
HÁ...HAVERÁ SEMPRE
Há razões que a razão desconhece. Há dores que a dor não esquece.
Há momentos que o tempo não dilui. Há sonhos que a memória substitui.
Há promessas que se deveriam cumprir e há desejos que não deviam existir.
Há uma vida para além de cada encruzilhada, que é preciso agarrar,
há sombras que prendem os passos que é preciso saber largar.
Há espaços vazios que tem que se preencher e lágrimas que tem que se reter.
E há uma tela inacabada por pintar e uma aurora por nascer e acordar.
Haverá um novo sol e uma nova lua por inventar mergulhados num estranho mar.
Haverá um inverno e um verão por celebrar com cores de primavera por estrear.
Porque há razões que a razão desconhece e porque há dores que dor não esquece.
sábado, julho 09, 2016
DESTINO? QUEM SABE?
Talvez seja o destino ou o "fado" que trazemos à nascença
ou talvez seja a vida somente, a que fazemos e desfazemos,
a que plantamos e deixamos secar. Talvez seja só coincidência,
ou a mão do Pai no nosso caminho. Ou apenas o que queremos,
o que sonhamos, desejamos, lutamos e por fim perdemos.
Talvez seja o destino traçado na palma da nossa mão,
talvez seja o fado fadado, cantado pelas vielas da vida.
Quem sabe se não é só imagem num espelho, uma inversão?!
Seja o que for foi-me entregue, selado e sem contrapartida.
Será apenas o que queremos, sonhamos e por fim perdemos.
O que me for destinado a mim virá, diz o povo e ele sabe.
O que tiver que ser, será. Mas até onde vai a dor? E a tristeza?
Até onde vai o silencio de um coração onde já nada cabe
a não ser um Ser que um dia foi metade e hoje é a certeza
de ter sido. Passado. Perdido. Vivido. O que foi sonhado e por fim...esquecido.
Mas... Se calhar é o destino que trazemos à nascença, sabe-o Deus e mais ninguém!
segunda-feira, junho 27, 2016
SEM CHAMA
Não alimentes uma fogueira que já não tem lenha por onde
arder,
Não alimentes a ave que morreu na manhã gelada da solidão.
Não alimentes. Não alimentes os sonhos que só te fizeram
perder
o pé, o rumo, o
tempo, a estrada da vida na curva da desilusão.
Não alimentes. Não alimentes a ilusão que tu própria criaste
com a força de um sentimento avassalador e transcendente.
Apaga as pegadas que ficaram na areia que já trilhaste
e segue, segue de “pé como as árvores”, ou como sol
incandescente.
Mas não alimentes a fogueira nem a chama, não alimentes a
mentira
que pautou o teu caminhar, cuidando que era verdade e que te
era destinada.
Não, não alimentes esse sonho, essa miragem que a saudade
revestira
de vã esperança, de louca obstinação. Não, não alimentes a
chama condenada,
o tempo já esfumou a sua luz, resta deixar que arrefeça e se
desfaça em esquecimento.
![]() |
| imagem retirada da net |
Subscrever:
Mensagens (Atom)
SOMBRA DE AVES
Na sonoridade de um raio de luar, onde habitam os sonhos e telas inacabadas que um pintor abandonou, desenha-se uma me...
-
Meu amor…. Há quanto tempo te ausentaste? Uma hora, um dia, um mês….Não sei dizer-te porque me parece que partiste há uma eternidade. A casa...
-
Imagem retirada da net Subi ao eterno para te contemplar, das etéreas nuvens, beijar a sombra que em mim ficou. Subi ao mais...
-
Foto de CARLOS ROLO Encaneci nas esperas de verdes vestidas, verguei o corpo, outrora esbelto, desfaleci. Ao vento soltei os cab...


