segunda-feira, agosto 29, 2016

NASCER E OCASO...SÓ MAIS UM DIA


Ver o dia nascer e o tempo deslizar, breve e suave,
como um suspiro de amor preso no peito calado,
entalado, como um grito surdo que vem morrer, grave,
nas mãos de um egoísmo rude e descarado.
Ver o dia correr como brumas em ilhas encantadas,
como lágrimas duras há muito esgotadas.

Ver o dia crescer e o tempo estiolar como papoila
em seara madura e pronta a ceifar.
Ver o dia passar, calmo e devagar, no olhar da moçoila
que perdeu a inocência no conjugar do verbo amar.
Ver o dia a esfumar no passar de cada hora,
na certeza do vazio que em mim acampou e mora.

Ver o dia a morrer e o tempo somente passar,
sem apagar os traços da dor que se abateu sem avisar.
E por um pé à frente do outro e obrigar a caminhar.
Ver o dia a definhar e a lua, redonda, a brilhar
no céu escuro da ausência de uma vida e de um olhar.
Ver o dia que acabou numa chama sem calor,
numa luz que esmoreceu, neste coração sem amor.





domingo, agosto 21, 2016

FALSA ETERNIDADE


A eternidade é um momento. É a duração de um sopro de fada,
de um suspiro de onda a requebrar na areia de uma praia deserta.
A eternidade é eterna enquanto dura. É só uma curva na estrada,
na estrada de uma vida, de um sonho, de uma luta incerta.
A eternidade é uma bola de sabão soprada por um querubim,
ou anjo, ou talvez demónio.Ou um deus dos mares sem fim.

A eternidade é uma quimera. Pobre de quem nela mergulha,
acredita e luta, e se esforça e se empenha! A eternidade é finita.
É um estrela cadente rasgando a noite em que se embrulha,
com que se veste e enfeita. A eternidade é imperfeita mas bonita.
A eternidade pode ser um tufão, devastador e incontrolado,
pode ser uma brisa do mar, ou um vulcão amotinado.

A eternidade é um momento, breve como um arrepio,
a eternidade é eterna, apenas enquanto dura o momento.
A eternidade é só um sonho, o mais louco desvario,
o mais tenebroso desengano e doloroso tormento.
A eternidade é apenas um engano do tempo.




quinta-feira, agosto 04, 2016

ANJO CAÍDO



Anjo caído de um céu sem sombras
de uma vida pintada a tons de eternidade.
Anjo de enganadoras asas trazendo nas dobras
o gosto amargo da mais dura crueldade.
Anjo caído de um céu de murchas rosas
repletas de sonhos, amachucados,
de poemas sentidos e vibrantes prosas
escritas em momentos, perpetuados
em cada vírgula, em cada ponto, em cada linha.
Anjo caído de um coração soçobrado
no mais profundo e negro abismo.
Anjo parido de um amor amaldiçoado,
de um desejo vil e de um egoísmo
impar. Brutal. Desumano.
Anjo caído de uma vida que deixaste suspensa
num breve instante sem cor nem som.
Anjo caído que arrastas tudo numa queda imensa
de falsa moralidade, de podre mascarado de bom.

Anjo caído, de que céu caíste tu?

quinta-feira, julho 28, 2016

UMA ESTRELA



Uma lágrima e uma estrela.
Um vazio e um saber que não partiste,
que permaneces no que sou.
Ainda que a saudade aperte
e a dor não esmoreça.

Uma lágrima e uma estrela.
Um beijo que fure a distancia
e que te toque... Soubesse eu que era possível!!
Um soluço que não calo.

Uma lágrima e uma estrela
e um ano de saudade



sábado, julho 23, 2016

POR ESTE DIA, SEMPRE



Perdi-te um dia nas voltas da vida, mas continuas em mim,
como não se me deste a vida!
Perdi-te e no entanto tenho-te presente, como concha vazia,
como casa sem gente, como pão sem miolo, como boca sem palavras.
E olho-te e vejo-te como sempre, mas nessa tua realidade fria
onde permaneces encarcerada, somando dias que lavras
sem sentido e sem destino, passando apenas a passar.
Perdi-te um dia nas voltas da vida, mas continuas em mim,
como não se me deste a vida!
E olhar-te é ver o vazio, ver o vago e o difuso, ver o nada neste mundo.
E é saber não saber o que sabes, nem perceber o que sentes e queres,
Se é que ainda queres… É mergulhar no teu olhar já sem fundo
onde a vida se foi apagando e o tino se foi perdendo. Soubesse eu o que preferes!
Soubesse eu ler-te o vazio que se instalou, veio sem aviso a alastrar…
Perdi-te um dia nas voltas da vida, mas continuas em mim,
como não se me deste a vida!




sábado, julho 16, 2016

HÁ...HAVERÁ SEMPRE


Há razões que a razão desconhece. Há dores que a dor não esquece.
Há momentos que o tempo não dilui. Há sonhos que a memória substitui.
Há promessas que se deveriam cumprir e há desejos que não deviam existir.

Há uma vida para além de cada encruzilhada, que é preciso agarrar,
há sombras que prendem os passos que é preciso saber largar.
Há espaços vazios que tem que se preencher e lágrimas que tem que se reter.

E há uma tela inacabada por pintar e uma aurora por nascer e acordar.
Haverá um novo sol e uma nova lua por inventar mergulhados num estranho mar.
Haverá um inverno e um verão por celebrar com cores de primavera por estrear.

Porque há razões que a razão desconhece e porque há dores que dor não esquece.



sábado, julho 09, 2016

DESTINO? QUEM SABE?





Talvez seja o destino ou o "fado" que trazemos à nascença
ou talvez seja a vida somente, a que fazemos e desfazemos,
a que plantamos e deixamos secar. Talvez seja só coincidência,
ou a mão do Pai no nosso caminho. Ou apenas o que queremos,
o que sonhamos, desejamos, lutamos e por fim perdemos.

Talvez seja o destino traçado na palma da nossa mão,
talvez seja o fado fadado, cantado pelas vielas da vida.
Quem sabe se não é só imagem num espelho, uma inversão?!
Seja o que for foi-me entregue, selado e sem contrapartida.
Será apenas o que queremos, sonhamos e por fim perdemos.

O que me for destinado a mim virá, diz o povo e ele sabe.
O que tiver que ser, será. Mas até onde vai a dor? E a tristeza?
Até onde vai o silencio de um coração onde já nada cabe
a não ser um Ser que um dia foi metade e hoje é a certeza
de ter sido. Passado. Perdido. Vivido. O que foi sonhado e por fim...esquecido.

Mas... Se calhar é o destino que trazemos à nascença, sabe-o Deus e mais ninguém!

SAUDADES....

Saudades! Um sentimento agridoce que marca, que assola com a força de um vulcão. Saudades! Sentimos do que foi bom; abar...