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| imagem retirada da net |
Nas
mãos não trago romãs, nem fruta de paixão,
nos
olhos não trago o ódio, nem a raiva ou a exaltação.
Nos
lábios não trago palavras duras e finas como punhais.
Apenas
trago no corpo cicatrizes intemporais.
Nos
cabelos entrancei a dor com flores de perdão,
calcei
sapatos de penas, debruados de solidão.
Teci
um véu de esperanças, bordei-lhe estrelas e sonhos,
sonhei
madrugadas suaves: embarquei em navios tristonhos.
Se
hoje o dia não nascesse e o vento esmorecesse
cansado
de tanto soprar....
Se
a minha alma esquecesse e na boca morresse
esta
forma de amar....
Restariam
apenas as mágoas de um passado que passou,
de
um fruto que foi singelo e que o tempo estiolou.
Restariam
somente farrapos, apenas e só, as memórias
de
um amor que morreu: somente um punhado de escórias.
nos
olhos não trago o ódio, nem a raiva ou a exaltação.
Nos
lábios não trago palavras duras e finas como punhais,
apenas trago no corpo cicatrizes intemporais.



