| imagem retirada da net |
Neste espaço onde se perde o querer,
onde a alma tropeça sem perceber
que errou no caminho escolhido.
Neste espaço onde se juntam os restos
de um acreditar sem tamanho; todos os gestos
que ficaram a morrer sem mais sentido.
É neste espaço que retoco a face, enxugo a dor,
calo a tristeza, componho o cabelo sem cor
e o olhar sem brilho. Visto o vestido de primavera
para me esquecer do frio e escuro inverno.
É no silencio deste espaço, de amordaçado inferno,
que procuro as lições com que a vida me tempera,
me molda, me torce e retorce, e me veste de bruma.
E me veste de encanecido sonho, desvanecido na espuma
de um tempo arrancado ao tempo. De um tempo que passou.
Neste espaço de atabafado ser andante, sem varinha de
condão,
sem passes de mágica; onde apenas a construída solidão
impera – rainha –, senhora e dona de tudo o que restou.
Neste espaço de limbo sem sentires, de dor embotada
de tanto doer. De caminhos feitos de passos incertos a
tropeçar,
e decisões que o tempo impõe e a vida se empenha em
retardar.
Neste espaço que medeia o ontem e o hoje, ponte tão desejada;
ponte tão amada, ponte tão querida, ponte tão amargamente
sofrida…
Neste espaço que, hoje, refaço com o que sobrou do sonho
desfeito,
ainda há lugar para memórias, ainda há lugar para a dor e,
por defeito,
há lugar para a esperança – uma ténue sensação de partida.
Neste espaço onde se perde o querer…
Neste espaço onde se juntam os restos…
Neste espaço inundado de um tempo para esquecer.
lágrimas de lua
