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| imagem retirada da net |
uma melodia que o sol traga e o vento espalha.
Pela janela escorrem acordes pelo jardim,
as notas elevam-se, dilatam-se; a melodia encalha
na sebe bem aparada e nos arroubos do jasmim.
Dó, ré, mi, depois um fá e um sol sustenido a preceito,
que o pianista sabe o que faz; arranca melodias
das teclas de marfim causticado de um piano ancião.
E as borboletas volteiam ao som de pios e cantorias
dos pardais e dos melros, e do pica-pau folgazão,
que bate o compasso no tronco onde vai fazer o ninho.
Dó, ré, mi, sol,
sol, la, si. Dó, dó, la, la, si. Sol, sol dó.
O bailado estende-se pelas dobras das horas a passar,
parece que o dia engrandeceu, soprou para longe o pó
que restava das cinzas de vidas passadas por catalogar.
E trinam as teclas marfínicas do piano uma valsa de
arrepiar,
uma polca, uma rumba, um fox-trot aprumado,
no jardim tudo rodopia, tudo salta e pula e dança.
A melodia contagia, espicaça a vida e o sonho enfeitiçado,
arrebata a natureza arrasta-a na loucura do dia que avança.
Dó, ré, mi, martelam, ainda, os dedos no piano desta vida:
Ah como é bela a valsa neste jardim de partida.
lágrimas de lua



