Como se elevam as encapeladas ondas do vazio,
para onde arrostam esta corpórea alma de negras vestes?
Um dia abri uma janela sem tempo e olhei ao largo
em busca de um navio sem mastros nem velas.
Um dia desaguei num espalhafatoso Estio,
onde o sol era lua e a lua um monte de cristais agrestes.
Ainda ontem te olhei nos olhos; apenas vi o embargo
com que pintaste uma tela de frases, esquecidas nas vielas.
E as ondas, de vida plena, esmurram os mandos do bailio,
que governa as horas do sonho. Entrópicas, as estepes
plantadas um dia, como farpas de assinado encargo
que carrego na alma, nos olhos; enevoadas janelas.
Ainda ontem te embalei os medos, aconcheguei do frio
que inundava as horas. Foi ontem, em noite de ciprestes,
que inventei palavras novas, abri as veias ao veneno amargo
de um amor sem nome, cego, pleno. Excomungadas sentinelas
de um tempo que o tempo enviesou, torceu, esmaeceu, como
pavio
de esfarelada vela. As encapeladas ondas, deste manto de
celestes
encantos, esfumam-se pela brecha de um esquecimento que
alargo
ao futuro, ao passado e encastoo numa lágrima de aguarelas.
Como se encapelam as ondas, como rugem os mares,
como choram as
gaivotas.... nas praias do fim do mundo.
Lágrimas de lua
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