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| Imagem retirada da net |
Subi ao eterno para te contemplar,
das etéreas nuvens, beijar a sombra que em mim ficou.
Subi ao mais alto dos céus para implorar,
que tudo se apague, esfume, que se dissolva o que sobrou.
Marioneta sem jeito, presa por fios de gastos luares,
olhos de andorinha sem beirado, asas quebradas de vento
suão. Boneca de trapos numa cadeira sem tempo nem vagares.
Folha arrancada a uma árvore sem nome que suspira num
lamento:
De onde vem o vento norte? Que navios traz encurralados nas
vagas?
Que sonhos espreme pelos caminhos de arrepiado desalento?
E que novas, em amarelecidas cartas, contam diletantes
sagas?
Subi ao eterno para te contemplar,
de longe, do meu silêncio; dura clausura de monja, descalça
nas negras pedras, de um caminho ainda por caminhar.
Subi ao mais alto dos céus; dancei uma longínqua valsa
de desconcertado piano, desafinada ortografia, patética
melodia.
Subi ao celestial azul para te olhar
e derramei, sem querer, pérolas de um longo penar.







