sexta-feira, abril 20, 2018

PAREDES ESBURACADAS

Apesar das paredes, o frio arreganha-se no corpo,
apesar das janelas, a noite embrenha-se nos olhos,
apesar do querer, o vazio instala-se sem escolhos,
como caminho de verdes silêncios e ocres madrugadas.
Apesar dos botões, as flores mantêm-se enrugadas
no limbo da vida, que se encontra suspensa, em espera.
Apesar do nascente sol, a lua renasce, como rainha: impera.
Apesar dos passos, das mãos, do desejo, a vida corre,
respira suavemente, como quem sonha, como quem morre,
como quem passa, como quem fica, como quem parte
deixando um rasto de estrelares memórias. Meu baluarte
de guerreiras sombras, onde me entrincheiro; guerreira-amante,
mendiga, descalça nas pedras de um cais obsidiante,
de onde partem navios sem mastro. Botes sem leme,
sonhos sem fundo, onde o salgueiro treme
nas vagas de vento, soltas em brados, em euforia.
Apesar das paredes, o frio entranha-se em correria.
Amortalha o corpo, enfeitiça a alma, veste o coração.
Apesar das paredes: a "casa" permanece em esburacada desilusão.



Lágrimas de lua

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quarta-feira, abril 04, 2018

LONGÍNQUA VALSA



Imagem retirada da net

Subi ao eterno para te contemplar,
das etéreas nuvens, beijar a sombra que em mim ficou.
Subi ao mais alto dos céus para implorar,
que tudo se apague, esfume, que se dissolva o que sobrou.
Marioneta sem jeito, presa por fios de gastos luares,
olhos de andorinha sem beirado, asas quebradas de vento
suão. Boneca de trapos numa cadeira sem tempo nem vagares.
Folha arrancada a uma árvore sem nome que suspira num lamento:
De onde vem o vento norte? Que navios traz encurralados nas vagas?
Que sonhos espreme pelos caminhos de arrepiado desalento?
E que novas, em amarelecidas cartas, contam diletantes sagas?
Subi ao eterno para te contemplar,
de longe, do meu silêncio; dura clausura de monja, descalça
nas negras pedras, de um caminho ainda por caminhar.
Subi ao mais alto dos céus; dancei uma longínqua valsa
de desconcertado piano, desafinada ortografia, patética melodia.

Subi ao celestial azul para te olhar
e derramei, sem querer, pérolas de um longo penar.


Lágrimas de lua



Imagem retirada da net






quarta-feira, março 28, 2018

"HÁ LODO NO CAIS"

Calei a manhã que nascia, no olhar.
Esfumei as brumas do desejo na aragem
que do poente se levanta, breve, doce,
como caricia de flores, de folhagem,
de rosas escondidas em outono precoce.
Calei a mágoa vazia que crescia, a torturar.
Toquei o infinito, a eternidade que dura um momento,
que tem forma de água e alma de vento,
que se veste, como nova pele, como um prolongamento
de mim para fora de mim, num silencioso lamento.
Lancei-me no verde inventado para lá de um mar
que já não navego.  Ondulante de sonhos desamados,
ou de amados sonhos para sempre amordaçados.
Vesti-me de brumas, enfeite-me das utopias dos desarmados,
dos pobres e dos ricos, dos que da vida foram enjeitados.
Amei um amor que não existe, amei até não saber mais amar.
Dilui as sombras em profundas águas azuis, amarrei o barco no cais,
onde o lodo é branco e as pedras longas despedidas de partir.
De partir sem voltar, de voltar sem sair, de nau sem estais.
Pintei uma tela de encanto, oca de vida, um eterno mentir.
Lancei-me num caleidoscópio de inicio e fim a pelejar.
E voltei ao nascer, e corri ao morrer, e fui pássaro e bruma,
fui hoje e ontem, mas jamais o amanhã; esse, a Deus pertence,
não á humana vontade. E cresci e perdi. Arrojei-me à espuma
de cada dia que passa, e nos teus olhos desenho a dor que vence,
a dor que verga, o vazio que preenche, e o sonho que adormece


como o “Lodo no cais

Lágrimas de lua






terça-feira, março 13, 2018

91 - TANTA SAUDADE...







Hoje, em especial, um beijo que chegue para lá das nuvens, de onde te peço continues a velar por mim.


Lágrimas de lua

sexta-feira, março 09, 2018

VESTIDO DE NOIVA




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Branca e florida, engrinaldada de orvalho,
povoada de sonhos secretos por cumprir,
caminha a eterna noiva em brusco desagasalho,
entre espinhos de rosas ainda por descobrir.
Branca, como neve imaculada, caminha sem destino,
leva nas mãos violetas, nos pés alma de peregrino.
Cinge-lhe a fronte o eterno, sonhado, jamais tocado,
vislumbrado, bordado por anquilosada mão
ás rendas do alvo vestido. O véu, de destino imaculado,
envolve-lhe as formas de menina; orquídea em botão.

Branca e encoberta vai a noiva, descalça pela vida
que sonha, de jasmins e magnólias povoada.
Eleva a alma às fimbrias do infinito, nele consolida
a sua certeza de ser - para sempre – e em voz embargada
murmura solene prece;
- Amar-te-ei sem tempo, sem limite, como a mão que tece,
certeira, os fios de uma vida de tempestades e acalmias-.
Caminha tolhida de verdes musgos e heras imemoriais,
morreram aos poucos os sonhos, as roseiras tornaram-se bravias,
os passos tropeçam nas rendas empoeiradas, intemporais.

Branca e orvalhada morre a noiva, em leito de violetas tardias….


quinta-feira, março 01, 2018

EXCOMUNGADAS SENTINELAS


Como se elevam as encapeladas ondas do vazio,
para onde arrostam esta corpórea alma de negras vestes?
Um dia abri uma janela sem tempo e olhei ao largo
em busca de um navio sem mastros nem velas.

Um dia desaguei num espalhafatoso Estio,
onde o sol era lua e a lua um monte de cristais agrestes.
Ainda ontem te olhei nos olhos; apenas vi o embargo
com que pintaste uma tela de frases, esquecidas nas vielas.

E as ondas, de vida plena, esmurram os mandos do bailio,
que governa as horas do sonho. Entrópicas, as estepes
plantadas um dia, como farpas de assinado encargo
que carrego na alma, nos olhos; enevoadas janelas.

Ainda ontem te embalei os medos, aconcheguei do frio
que inundava as horas. Foi ontem, em noite de ciprestes,
que inventei palavras novas, abri as veias ao veneno amargo
de um amor sem nome, cego, pleno. Excomungadas sentinelas

de um tempo que o tempo enviesou, torceu, esmaeceu, como pavio
de esfarelada vela. As encapeladas ondas, deste manto de celestes
encantos, esfumam-se pela brecha de um esquecimento que alargo
ao futuro, ao passado e encastoo numa lágrima de aguarelas.


Como se encapelam as ondas, como rugem os mares,
 como choram as gaivotas.... nas praias do fim do mundo.



Lágrimas de lua

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segunda-feira, fevereiro 19, 2018

MÊS APÓS MÊS - O CÉU

E o tempo passa, escorre e esvai-se 
pelo rasgão que se abre, sem dó, neste mar.
Nesta distância que não se encurta,
nesta ausência que não desiste de gritar,
que não desiste de doer e se furta
ao balsamo do tempo a resvalar.

E as memórias, que vestem a alma,

são frágeis véus de fosca neblina,
são pinceladas de um pintor louco,
são os passos de uma criança franzina.
São olhos quebrando a pouco e pouco
desdobrando a saudade que se amotina.

E as nuvens encobrem as estrelas, lá no alto,
lá em cima, brilhando em harmonia,
faça sol, venha a chuva, sopre o vento,
elas olham, velam, em silenciosa sintonia.
Mas o tempo, passando, continua avarento,
trancando em si a paz, em murmurada litania.

O tempo, passa, escorre e esvai-se, pelo rasgão de uma vida.

(às minhas estrelas)


Lágrimas de lua



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segunda-feira, fevereiro 05, 2018

PERDIDA DO PARAÍSO


Do piano, que não sei tocar, arranco as notas
de uma melodia estranha. Quem me inspirou a alma?
Um alquimista? Um poeta maior? Um anjo louco?
Não sei. Apenas trilho um ritmo, novas rotas,
como navio fantasma sem âncora nem leme, na palma
da minha mão. Buscando o oblívio, a solidão ou o arroubo
de um amor tardio e vagabundo: sem rota nem rumo,
caindo para o horizonte, para o vazio, onde me banho e perfumo
de jasmins, rosas, violetas e flor de laranjeira.


E a breve melodia ecoa nas teclas do piano que não toco,
escorre pelas paredes de brancas lembranças,
como garças; como gaivotas ancoradas no frio.
Soltam-se sons de névoas e brumas de um baú barroco,
onde guardo as memórias enfeitadas de esperanças:
vãs esperanças. Vagas esperanças, fluindo como um rio
onde me perco e me encontro. Onde mergulho e não respiro.
E a melodia ecoa, como espinhos aguçados onde me firo.

Ao piano, que não sei tocar, a minha alma repousa inteira.

Lágrimas de lua

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sábado, janeiro 20, 2018

MINHA AVE DO PARAÍSO

A ave perde as belas penas; uma a uma devagar,
caem como lágrimas de um olhar que já não é.
Perdeu o voar, perdeu o doce cantar.
Apenas respira, débil, entre soluços de infinito,
num limbo flutuante sem cor, nem odor, nem forma.
A ave perde, uma a uma, as doces penas,
gastou as forças no caminho, gastou as cores na viagem.

Viu montes e vales, viu rios e mares, viu sóis e luas,
montanhas e abismos. Subiu ao cume, desceu às margens
de um rio que navegou com garra. Gastou os risos,
gastou as lágrimas, gastou os olhares e as mãos abertas.
Agora é apenas a ave; de regresso ao início, às origens,
à sua casa de partida, e de chegada. É ave de despedida,
perdendo as penas a uma e uma, como lágrimas de olhar sem ver.

É somente uma ave em cansado adeus.
(Mãe)







Lágrimas de lua

quarta-feira, janeiro 17, 2018

OLHO-ME POR DENTRO DE QUEM SOU

Olho-me por dentro da alma, 
percorro os espaços do meu coração,
encontro mansardas sem vivalma,
abertas ao sol, à chuva, à contradição.
É no meu silêncio completo que me encontro,
me descubro, que sou quem SOU
sem máscaras, sem roupagens de desencontro,
sem meias tintas, meias palavras, apenas ESTOU
tal como sou; mulher.
Com a dor, com a alegria, com a dúvida e a certeza,
com o medo e a coragem, com o sonho a amanhecer.
Olho-me por dentro da incerteza,
essência de todo o meu ser,
e arrumo, aos poucos, a vida, que passa sem se ater.

Olho-me por dentro e em mim desvendo
mistérios, brumas, ecos do que passou.
Não sei se me vejo inteira, nem se aprendo
com tudo o que a vida já levou.
Mas sei que é no meu  silêncio completo,
que de mim faço quem SOU.
Na viagem onde me descubro e prometo
não trair a essência que me criou,
dou por mim, em frente a mim mesma,
nua de tudo o que enevôa a crueza
da verdade que me corre nas veias, e ensimesma
a frágil alma que procura a leveza,
a paz de uma vida escrita de A a Z.
Olho-me sem filtro, sem quê nem porquê.

Olho-me por dentro da alma que sou
olho-me por dentro da vida que passou.

imagem retirada da net


Lágrimas de lua












terça-feira, janeiro 02, 2018

365 AS NOVAS PORTAS.... ABERTAS DE PAR EM PAR


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Abrem-se as portas de ouro, inundadas de sol rubro,
as esperanças atapetam os passos que descubro
e povoam as penumbras do que está por vir,
do que está mais adiante, logo ali, para nascer e colorir.

Abrem-se as portas de prata, inundadas de prateados luares,
elevam-se as palavras, as horas, as essências das almas e dos lugares,
vestem-se as fadas e os faunos de viçosas heras e enfeitiçadas papoilas,
as estrelas brincam  no céu, na terra sonham as moçoilas,
de olhos  de amoras silvestres, de lábios cor de romã;
bagos gulosos por colher, orvalhados de sequiosa manhã.

Abrem-se as portas de diamante, inundadas de faiscantes cometas,
reverberantes caminheiros em terra macia perfumada de doces violetas,
inocentes, tímidas, pairando sobre as águas de uma profunda lagoa
onde magos e princesas vêm murmurar sonhos. E uma gaivota entoa
o mais belo canto de amor, a mais bela balada de dor e solidão,
olhando do alto rochedo o infinito mar de segredos e quebrada mastreação.

Abrem-se as portas de um ciclo, novo, fresco, vibrante a iniciar,
desenham-se novos sonhos, escreve-se no infinito a palavra "começar",
como em jogo de criança, como em virginal desejo a crescer.
Abrem-se as portas da vida, nova, em botão,  ainda por florescer.


Lágrimas de lua

sábado, dezembro 30, 2017

TRANSIÇÃO





Escoam-se as horas numa brecha de olhar,
para além do sonho, para além do mar.
Partilha-se o pão de suado amargor,
e ama-se um sonho em desdobrado amor.

Escoam-se os anos, pelas mãos de menino,
agrilhoam-se os passos a um talhado destino,
espera-se a vinda, a partida, o adeus, espera-se tudo...
e nada. Desenha-se um sonho num grito mudo.

Escoam-se as mágoas, enlaçam-se esperanças,
soltam-se os risos, bordam-se doces lembranças,
enfeitam-se os cabelos com grinaldas de luz,
e amortalha-se ao peito o sinal da Cruz.

Escoou-se um ano, castelo de brincar,
nas mãos de um menino de perdido olhar.
Gritou-se: "Amo-te", nas palavras por dizer,
e dissesse tanto no que ficou por escrever.

Partilhou-se o pão, o vinho e a dor,
partilhou-se o sonho, o sorriso e o amor.
E o tempo, escoando, passou a correr,
nesta cacafonia chama da viver.

Lágrimas de lua


2018, sejas bem vindo.

quinta-feira, dezembro 21, 2017

CORES DE VIAGEM

Vou pintar um arco-íris num céu por mim inventado,
onde as espumas dos dias se desfazem em silêncio.
Vou lançar bolas de sabão ao mundo angustiado
com raios de prateado luar nelas entrelaçado.

E vou plantar beijos, como sementes douradas,
como luas, como sois, como "mares nunca dantes navegados".
Desenhar o impossível, inventar as alvoradas,
e das ondas verde-esp'rança tecer as minhas madrugadas.

Vou vestir-me de estrelas, companheiras de viagem,
vou calçar-me de brumas breves, enfeitar-me de novos sonhos,
vou abandonar-me na suave aragem,
ser gaivota, andorinha, vou ser somente  miragem.

Empunho as telas e as tintas, misturo-as com a esperança.
Crio um novo amanhecer, onde impere o sol nascente.
Escrevo uma tela colorida de sonhos e de bonança.
Entrego ao vento o que sou; corpo e alma de criança.

Vim pintar um arco-íris neste amanhecer de segredos,
neste silêncio de alma, nestes olhos de ver por dentro,
neste mar que me separa de mim, entre escolhos e rochedos.
Vim pintar um arco-íris para colorir a dor e apagar os degredos.

Vim pintar um arco-íris em cada vida, em cada sonho, em cada lágrima de alma....




NATAL DE PAZ E HARMONIA, SAÚDE, AMOR E COMUNHÃO

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Lágrimas de lua


terça-feira, dezembro 12, 2017

SEM DESTINATÁRIO



Olá!


Esta é mais uma carta que não tem destinatário, porque não será enviada.

Sim, é para ti, que estás num mundo à parte do meu, vogas numa "bolha" que vejo passar da minha "bolha". Ah, pois! Não estranhes, para mim todos vivemos em bolhas: as nossas vidinhas, de onde não queremos sair. Pedimos a todos os santinhos que não sejamos obrigados a romper as paredes das nossas bolhinhas de conforto. Mas sim, dizia eu, são para ti estas palavras.  Um dia a curiosidade foi mais forte: cedi. Quis entrar num mundo que, sabendo não me pertencer, pensei poder franquear. Que me fosse permitido visitar, desfrutar, quem sabe; habitar. E entrei! Abriste, rectificação: entreabriste a porta e eu, sem hesitações, entrei.

Mas essa porta deu acesso a um mundo de magia, de encanto, de descoberta que me foi, seguidamente, negado. Uma espécie de “toca e foge” dos meus anos de menina. E deixou um gosto de incumprimento de uma promessa, de uma fraude da vida, de uma expectativa gorada. A culpa? Pois, essa, não há. E se houver, será, indubitavelmente, minha. Sempre minha, porque ainda espero. Sempre minha, porque ainda acredito. Sou assim, serei assim até ao meu fim.- Até prova em contrário, tudo (e todos) são verdadeiros e sãos. - Crédula? Ingénua? Talvez… sim … serei.

E hoje vejo-te, levando a tua bolha, vogando nas ondas da vida, nos ventos dos acontecimentos e nas marés das sementes que vais semeando, e nas ceifas do que já frutificou. E eu vejo-te, de longe, quando achei poder estar perto. E eu vejo-te, com um peso no coração, e uma lágrima na alma. Mas, apenas e só, porque me iludo, porque espero, porque creio ser possível não viver somente na minha bolha. A vida faz sentido se as nossas paredes não forem estanques, se soubermos rasga-las e deixar que “outras bolhas” toquem, penetrem, se fundam nas nossas. Depois, quando a vida me confronta com a realidade; dura, crua e desapiedada, dói. Uma dor de desalento e de sementes que não vingaram. De esperança pequenina defraudada. Uma dor estranha pela estranheza do que não foi vivido, apenas idealizado, sonhado, esperado.

Mente humana de tamanhos mistérios.
Ainda bem que esta carta não tem destinatário! Irias dizer que sou louca. Mas, sabes? Não sou. Sou apenas uma alma aberta, uma alma que acredita no Bem, que mantém aquela candura de menina, ainda que a vida tenha sovado, bem sovada, a massa de que sou feita. Não, não sou louca. Apenas um coração que bate e que, por muito que seja maltratado, continua a bater. A bombear esperança e sonho nos passos deste caminho.

Sigo, com esta estranheza na alma, esta sensação de ficar à porta, mas sigo. Sabes? Tenho uma “bolha” para levar por diante. Desejo que sejas feliz na tua pequena-grande bolha, que a vida te sorria e dê tudo o que desejas e anseias.  Desejo que os teus sonhos se concretizem, os teu projectos avancem. Mas, acima de tudo, desejo-te o “suficiente de tudo”.

Não entendes?  Pois… acredito. Mas desejo-te o melhor.



Até sempre


Lágrimas de lua

sexta-feira, dezembro 08, 2017

HÁ PEDAÇOS DE MIM...


Há pedaços de mim no infinito,
no mais longe, no mais além.
Há quereres mudos que permito
invadam o silêncio, que mantém
este equilíbrio de folhas secas,
de olhares glaucos perdidos nas brumas .

Há pedaços de mim na areia deserta,
onde um dia fui ninfa e olhei o sol.
Há uma nova maré que me liberta
dos grilhões da saudade, em prol
de um amanhecer em airosas charnecas
plenas de vida, coroadas de espumas...

Há pedaços de mim dentro de mim,
onde nada habita, onde o sonho adormece.
Onde a vida passa e corre e se esvai, por fim.
Há pedaços de mim onde o horizonte se desvanece,
se restringe, em mascarada cerca,
que contém a alma em cortantes plumas.

Há pedaços de mim.... há pedaços de mim...



lágrimas de lua

quinta-feira, novembro 30, 2017

AO SABOR DE UM VENTO....





E quando todos os muros nada mais forem que chuva,
e todas as notas, melodias de um violino gasto pela vida,
todas as lágrimas forem uma saudade de partida,
então todas as gotas de orvalho serão diamantes,
e todas as pétalas serão promessas de eternidade.
E quando todas as mágoas se diluírem na simplicidade
de um olhar, na magia de uma melodia sem norte,
na graciosidade do voo de uma gaivota sem rumo.
Então os passos serão somente um leve fumo
que se eleva suave na noite que cai devagar.


               .......................


Soltem-se os ventos do oblívio, 
e as chuvas de pacificação e alívio.
Soltem-se todas as lembranças ancoradas
num cais de podres dores amordaçadas.
Soltem-se palavras caladas e olhares perdidos
e voem as vãs esperas e obtusos sentidos.
Soltem-se as amarras de um tempo esfumado
e os odores de um passado perfumado.
Hoje, há um vulcão de pedras brancas em ebulição,
e o voo de uma pomba de paz e sonho, de esperança e perdão.


           ...........................


Letra a letra nascem as sombras escritas
por entre os rochedos de memórias foscas.
E ouvem-se frases, risos, mentiras ditas
como se se  tratassem de verdades toscas.
Letra a letra compõe-se a melodia
de um poema sem tempo nem idade,
pétalas brancas de falsidade luzidia
guardadas num livro de eternidade.

                                                                                                                                                                                                     Lágrimas de lua

sexta-feira, novembro 17, 2017

NOVA NASCENTE

Vim beber a vida aos horizontes da alma,
 olhei o infinito que contém uma esperança,
quebrei amarras, lancei as velas de temperança.
Despi o manto de negro fumo e falsa calma.
Vim ver o outro lado do mundo; que não conheço,
onde tropeço, mas me embrenho e recomeço.

Vim beber a aurora aos horizontes do amor,
ainda que haja noite, penumbra e sombra,
haverá sempre a esperança, remédio que desensombra
as agruras do caminho. Bebo naquele rubro fragor
de quem semeia novas sementes em terras de poesia,
em sonhos de menina, em trajes de fantasia.
Vim beber a vida aos horizontes da alma.


Nasce o dia: um novo dia, esplendor que acalma
                                                                                                                                                                                                Lágrimas de lua

sábado, novembro 04, 2017

UM DIA... AS BRUMAS, MAIS NADA



Um dia, a luz é só uma luz e o sol apenas um brilho quente.
Um dia, o perfume não tem cheiro, nem o mel sabe a natureza.
Um dia, o dia não mais significa viver; será apenas um molho de horas
que passam em sonolento limbo, onde tudo é nada: e nada é tudo.

Um dia tudo será uma sombra ensombrada, sem cor e dormente.
Um dia, um olhar apenas significa que se vê, mas que se perdeu a beleza,
que se perdeu o vigor, o sentido e a razão, e que tudo se prende com escoras
feitas de teias de aranha, feitas de brumas e de tempo passando: mudo.

Um dia, as mãos vão esquecer-se do caminho, do préstimo, do sentido,
nada mais que conchas vazias em areal estranho e intemporal.
Um dia, apenas a névoa povoará o olhar, encherá o corpo, a alma, a vida.
Um dia, as memórias serão farrapos sem nexo, desgarradas e esparsas.

Um dia de nada servirão os esforços, o empenho, a luta; estará perdido
o mundo periclitante onde se equilibram os passos, lutando contra o vendaval.
Um dia terei que deixar-te ir após as lutas que nos levam de vencida.
Um dia será o vazio; nada mais restará que vazio, num voo de brancas garças.



Lágrimas de lua

APENAS UM DIA....

Melodia que passa, como chuva singela de verão, refrescando o peso do calor da desilusão. Acordes que volitam como andorinha...