Esta noite percorri sete mares em busca de sete véus de
magia,
traguei sete poções de amor, e sete de perdição, à luz da
prateada lua.
Dancei no fogo de um braseiro que não arde, entreguei a alma
nua
às mãos de uma nova madrugada. Encontrei-me com o vazio
nessa louca correria,
e das mãos vazias e velhas escorrem memórias pintadas em
telas intemporais.
Esta noite percorri o infinito em busca do pulsar dos sonhos,
em busca de razões e sinais, em busca de signos e runas,
de lendas enfeitiçadas, presas em lagoas afundadas, em
singelas dunas.
Vesti-me de névoas e brumas, naveguei em barcos tristonhos
Tricotei novelos de espuma nas nuvens dos temporais.
E abracei o sereno, renasci à luz de um novo sol, mergulhei
no abismo
de azul e verde enfeitado, deitei-me com as ninfas e as
conchas sem futuro
num areal inventado, numa ilha para lá do mar, onde não há
tempo nem muro,
nem manhã nem ocaso,
apenas o tempo passa num bruxuleante grafismo,
apenas a vida escorre, lenta, sedenta, dançando insana nos
vendavais.
Lágrimas de lua



