Há um mágico silêncio em todas as palavras
que não sabes dizer, que preferes calar.
Há um excêntrico fulgor nas mãos a acenar;
falam elas pela alma sem voz, enquanto lavras
sentenças de vida, no mutismo da ilusão.
Olhas o mar, esperando o infinito de mansidão.
Lavas a alma com as lágrimas do coração,
e escreves sonhos para fazer sorrir.
Escondes o medo nas dobras de um porvir,
arrancas da vida o amor; seguindo em negação,
fechas portas e janelas, enclausuras o novo dia,
como se o sol a nascer fosse apenas utopia.
Há um mágico silêncio nas profundezas do grito
que, mudo, se cola à garganta, ressecando o olhar,
e cada palavra é um hino, que ofereces sem ofertar.
Escreves com alma de pássaro; escreves como um rito
de uma estranha adoração. Como se alma fluísse
sem saber para onde vai, como se construísse
uma desenhada quimera… nas areias do impossível.




