terça-feira, fevereiro 12, 2019

INFINITUDE DO SER




Sim; ainda espero as horas das promessas do amanhecer,
e das lembranças de cada doce e falacioso entardecer.
Sim, ainda olho a linha do horizonte e sonho,
reconhecendo os traços do coração batendo tristonho.


Sim; é no ruborescer da nova aurora que me sento,
em esperas, sem já esperar de verdade, mas tento,
ainda, continuar a acreditar, a somente superar.
Sim; é no encanto de cada hora que busco o respirar.


Sim; ainda escuto a canção do mar, na eternidade do vazio,
e ainda me debruço no abismo do nada, para onde vai o rio
que me transporta sem norte. Nem sul, nem rumo ou sorte.
Sim; ainda me levanto e percorro a estrada, na inocência da morte.
E na sofreguidão da vida, e na crueza da encruzilhada,
e na avidez do sonho e na infinitude de cada alvorada.

Sim... ainda olho o infinito de cada Ser.

Lágrimas de lua







quinta-feira, janeiro 24, 2019

OPACIDADE DOS DIAS





São ocas as palavras que pendem de olhos fechados,
de corações anquilosados, num bater sem ritmo,
sem cor, nem idade. São ocos os sonhos guardados
no baú da dor, na rigidez nua de um algoritmo,
ou no gume de uma adaga, que a História corrompeu.
São esfumadas as memórias que a vida já viveu.

São ocas as palavras que escorrem de lábios lilases,
que se escondem nas rugas de uma crua mentira.
São ocas as mãos que sustentam dias vorazes
e noites de insónia, onde a solidão ecoa e suspira.
São ocos os passos que pisam o caminho errante,
deslizando, sem norte, sempre para jusante.

Ocas são as palavras, ocos os pensamentos,
ocas as vidas empurradas por duros ventos.
Ocas são as bocas que amassam o amor,
destruindo-lhe a essência, pintando-o de dor.


Lágrimas de lua

sábado, janeiro 19, 2019

A UM AMOR INFINITO




O tempo arrastou o seu manto sobre a vida passando,
levou os risos e as lágrimas, levou tudo castrando
o amor, em gotas de magoada e tenaz dor.
O tempo devorou a vida como fera faminta,
deixando esfumada sombra indistinta,
nos trilhos de um caminho sem retorno nem cor.
O tempo consumiu a vida, a história, a memória,
esmagou a frágil imagem de uma guerreira sóbria.
O tempo só não conseguiu matar nem destruir o AMOR.

(1º ano)

Lágrimas de luar

quarta-feira, janeiro 09, 2019

LOST SPARKLES


Imagem retirada da net


Vai onde a vida te levar, mas vai inteira, não vás à toa.
Não deixes para trás a chama que te iluminou os dias,
que te pôs em movimento, que te deu alma.
Vai onde a vida te levar, mas vai erecta; na proa.
Senhora dos quereres que são os teus guias,
vai segura e vigilante por essa estrada de calma.
Não carregues o lixo, que te pesa sem proveito,
não leves as sombras de passados sem volta,
nem futuro sem esperança – vago, vão.
Mas a vida arrasta na torrente, perde-se o conceito
de lutar, de querer, de morder a dor e a revolta.
A vida leva de arrastão, em cambalhotas sem chão,
sem ar, sem cor, sem meta; passos sem direcção.
Perdeu-se a chama, perdeu-se o brilho vestindo o olhar.
É só a vida a passar, passando, sem deixar rasto, nem luz.
E sigo, bolha de estagnado ar, rolando sem água nem pão.
É só vida despida de tudo; nua, lapidada, a resvalar.
Monte de ressequida quimera, decompondo os dias que depus.

Onde estão as minhas Lost Sparkles of life?


Lágrimas de lua

segunda-feira, dezembro 31, 2018

PALAVRAS DESMEMBRADAS


FELIZ 2019



Imagem retirada da net



De palavra em palavra se tece uma teia de vida,
uma malha intrincada, que leva pedaços, e traz farrapos.
Presa por letras desgarradas, a vida corre de fugida,
e veste-me a alma, despindo o olhar, como ignotos fiapos
de um passado sem sombras, e um futuro sem madrugada.
Das palavras entrançadas se faz agasalho de ave abandonada.
De palavra em palavra se enreda um caminho, uma estrada,
atapetando as agruras, diluindo as arestas, reforçando muralhas.
Palavras de doce sonho, de mortífera arma ou esquecida gargalhada.
São pedaços de gente, são pedaços de memórias, frágeis vitualhas
sobre uma mesa sem tempo; nem memória, nem voz. Apenas imensidão.
Palavras que o não são, letras que não se amam mas encontram-se na solidão.


Lágrimas de lua


sábado, dezembro 22, 2018

NATAL...TALVEZ



VOTOS DE FESTAS FELIZES









A bruma acumula-se nos beirais, gélidos de invernia,
traz a cor das neves solitárias, o hálito de manhã fria.
A distância impõe o silêncio de mãos vazias de tudo,
de olhos em busca do tempo que, veloz, recua mudo.
Como em caleidoscópio infantil a vida passa de fugida,
passam os risos, os sonhos, a luz, a cor, a harmonia perdida,
passam festas e alegrias, passam beijos com calor por dentro,
e passam os anos arrastando almas. Agonizando no centro
está um coração vazio, fechado em cofre sem chave ou sentido,
está uma vida, no limbo de um caminho percorrido.
A bruma cheira a Natal, cheira a madeira e aconchego,
a bruma amortalha-me a alma numa dor que calo e carrego.


Lágrimas de lua

quinta-feira, dezembro 13, 2018

UM PIANO


Nas asas da música, numa noite de escuro sereno,
as mãos bailam sobre as teclas brancas e negras,
os sons desenham momentos sonhados, idealizados.
E a música ecoa pelas dobras desta noite de terreno
e silencioso encanto. Como amo o que sonho! Sem regras,
sem bem nem mal; apenas música, e desejos tão calados.

Nas asas da música, que dos teus dedos se eleva, como aragem,
como doce neblina, como secreto beijo, ou profunda lagoa,
nas asas da música que dedilhas com alma de gaivota em viagem,
com olhar de menino sem chão, de rainha sem coroa.

Nas asas de um clássico, o tempo esvai-se, dilui-se e cresce,
como Adamastor, em noite de temporal; como mágico,
como eleito, como deus de um mar menor e sonho maior.
Nas asas da música o mundo respira, a rosa floresce,
o mar cala-se e o olhar espraia-se no amargor trágico
de um amor desfolhado antes de florir, espalhando ao seu redor
o perfume de uma alma que dança, nas asas da música, no fio do som.
Rodopia nas notas que esse piano exala, prolongando o teu dom.

Nas asas da música, nesta noite de todos os sonhos…. Por cumprir

Lágrimas de lua



imagem retirada da net


SILÊNCIO ENSURDECEDOR

Por entre as palavras mordidas e os silêncios demorados, decorrem os dias. Escorrem as horas e passam os anos. Moldam-se a...