terça-feira, março 26, 2019

AINDA AQUI ESTOU ... ESTAREI?






Ainda estou aqui; na voragem dos tempos,
no rodopio das horas, dos dias, dos ocasos.
De todas as marés e algas de salgada cor.
Ainda estou aqui; a servir de passatempo
às nuvens, às letras, ao improvável e aos acasos
que a vida, ou o destino, me quiserem propor.
Ainda aqui estou; no fluir de todos os rios e chuvas,
de todos os temporais e estios, de azuladas preces.
Ainda aqui estou; nos lábios de morangos e uvas,
de mosto e vinho novo. Das sombras onde feneces,
onde os vulcões depositam cinzas, e laivos lilases
de esquecimento. Ainda aqui estou, estive… estarei?
Talvez uma gaivota me leve, talvez uma onda me prenda
a um encalhado navio, brincando com os roazes.
Ainda aqui estou; em brandas palavras, que jamais direi,
em sonhos mil, acorrentados, a este cais que a dor desvenda.



Lágrimas de lua





quarta-feira, março 13, 2019

DISTÂNCIA INTRANSPONÍVEL






Invento um vendaval de vento aberto
para chegar ao teu lugar.
Invento um mar azul e descoberto
para te tentar alcançar.
Invento olhos de andorinha
para que te possa vislumbrar,
nesse jardim onde se adivinha,
um tempo que passa devagar.
Invento uma ponte de sonhos,
que eu possa atravessar,
mas apenas os vazios medonhos
invadem o teu lugar.
Inunda-me um vendaval de vento deserto
que não chega para te abraçar.

Lágrimas de luar
(92º)

sexta-feira, março 08, 2019

MULHER


Por dentro da minha pele, sopram ventos
de gritos calados, no amadurecer dos dias.
Nos trilhos que rasgo por entre verdes sonolentos,
por entre fragas de sombras longas e frias.
Por dentro da minha pele palpito eu,
mescla de bem e mal, anjo e demónio, sim e não.
Por dentro da minha pele, que alguém esqueceu,
existem palavras por dizer, feitas de amor e pão,
feitas de dádiva mordida, 
de uma dor sofrida,
feitas de sal e sol, feitas de saudade e perdão.






Por dentro da minha pele existe uma alma,
existe um pedaço de sopro eterno,
existe passado, presente, um futuro onde se espalma
o passar do tempo, como o rigor do inverno.
Por dentro da minha pele vibram sonhos,
enterrados, como espinhos, em terra viva,
esgrimindo farrapos velhos e tristonhos,
esperando o tempo do porvir como  lágrima cativa.
Palpita ainda a chama imortal
de um amor intemporal,
que a vida arrastou na maré dura e intempestiva.

Lágrimas de lua

domingo, fevereiro 24, 2019

RUGAS, TEMPO - TERMINOU








Canto, com rugas na voz um “já passou”
que foi e esteve, que foi e foi, que acabou.

Escrevo, com gelhas na ponta dos dedos,
os sorrisos, as lágrimas, os sonhos e todos os medos.

Olho, com passado nos olhos cansados,
vestidos de folhas de Outonos esfumados.

Sorrio, com lábios de encanecida alegria
e colo o sorriso, com a cola da nostalgia.

Danço, com passos de infiltrado desamor,
na roda das bruxas esconjurando o pavor.

Volto e canto; com rugas de ir sem destino,
sem vontade de voltar a este país ambarino.
Volto e escrevo; com gelhas de vida esburacada,
e toco e fujo, e beijo e mordo o caminho desnudada.
Volto e sorrio, com arreganhada utopia sem cor,
e sigo, com o rumo do sem destino, já sem dor.
Volto e danço, com sapatos de sonhos brumosos,
vestido de fada esquecida, com olhos tumultuosos.


Canto, com rugas na voz, gelhas no rosto e um gosto de “terminou”.

Lágrimas de lua

terça-feira, fevereiro 12, 2019

INFINITUDE DO SER




Sim; ainda espero as horas das promessas do amanhecer,
e das lembranças de cada doce e falacioso entardecer.
Sim, ainda olho a linha do horizonte e sonho,
reconhecendo os traços do coração batendo tristonho.


Sim; é no ruborescer da nova aurora que me sento,
em esperas, sem já esperar de verdade, mas tento,
ainda, continuar a acreditar, a somente superar.
Sim; é no encanto de cada hora que busco o respirar.


Sim; ainda escuto a canção do mar, na eternidade do vazio,
e ainda me debruço no abismo do nada, para onde vai o rio
que me transporta sem norte. Nem sul, nem rumo ou sorte.
Sim; ainda me levanto e percorro a estrada, na inocência da morte.
E na sofreguidão da vida, e na crueza da encruzilhada,
e na avidez do sonho e na infinitude de cada alvorada.

Sim... ainda olho o infinito de cada Ser.

Lágrimas de lua







quinta-feira, janeiro 24, 2019

OPACIDADE DOS DIAS





São ocas as palavras que pendem de olhos fechados,
de corações anquilosados, num bater sem ritmo,
sem cor, nem idade. São ocos os sonhos guardados
no baú da dor, na rigidez nua de um algoritmo,
ou no gume de uma adaga, que a História corrompeu.
São esfumadas as memórias que a vida já viveu.

São ocas as palavras que escorrem de lábios lilases,
que se escondem nas rugas de uma crua mentira.
São ocas as mãos que sustentam dias vorazes
e noites de insónia, onde a solidão ecoa e suspira.
São ocos os passos que pisam o caminho errante,
deslizando, sem norte, sempre para jusante.

Ocas são as palavras, ocos os pensamentos,
ocas as vidas empurradas por duros ventos.
Ocas são as bocas que amassam o amor,
destruindo-lhe a essência, pintando-o de dor.


Lágrimas de lua

sábado, janeiro 19, 2019

A UM AMOR INFINITO




O tempo arrastou o seu manto sobre a vida passando,
levou os risos e as lágrimas, levou tudo castrando
o amor, em gotas de magoada e tenaz dor.
O tempo devorou a vida como fera faminta,
deixando esfumada sombra indistinta,
nos trilhos de um caminho sem retorno nem cor.
O tempo consumiu a vida, a história, a memória,
esmagou a frágil imagem de uma guerreira sóbria.
O tempo só não conseguiu matar nem destruir o AMOR.

(1º ano)

Lágrimas de luar

quarta-feira, janeiro 09, 2019

LOST SPARKLES


Imagem retirada da net


Vai onde a vida te levar, mas vai inteira, não vás à toa.
Não deixes para trás a chama que te iluminou os dias,
que te pôs em movimento, que te deu alma.
Vai onde a vida te levar, mas vai erecta; na proa.
Senhora dos quereres que são os teus guias,
vai segura e vigilante por essa estrada de calma.
Não carregues o lixo, que te pesa sem proveito,
não leves as sombras de passados sem volta,
nem futuro sem esperança – vago, vão.
Mas a vida arrasta na torrente, perde-se o conceito
de lutar, de querer, de morder a dor e a revolta.
A vida leva de arrastão, em cambalhotas sem chão,
sem ar, sem cor, sem meta; passos sem direcção.
Perdeu-se a chama, perdeu-se o brilho vestindo o olhar.
É só a vida a passar, passando, sem deixar rasto, nem luz.
E sigo, bolha de estagnado ar, rolando sem água nem pão.
É só vida despida de tudo; nua, lapidada, a resvalar.
Monte de ressequida quimera, decompondo os dias que depus.

Onde estão as minhas Lost Sparkles of life?


Lágrimas de lua

segunda-feira, dezembro 31, 2018

PALAVRAS DESMEMBRADAS


FELIZ 2019



Imagem retirada da net



De palavra em palavra se tece uma teia de vida,
uma malha intrincada, que leva pedaços, e traz farrapos.
Presa por letras desgarradas, a vida corre de fugida,
e veste-me a alma, despindo o olhar, como ignotos fiapos
de um passado sem sombras, e um futuro sem madrugada.
Das palavras entrançadas se faz agasalho de ave abandonada.
De palavra em palavra se enreda um caminho, uma estrada,
atapetando as agruras, diluindo as arestas, reforçando muralhas.
Palavras de doce sonho, de mortífera arma ou esquecida gargalhada.
São pedaços de gente, são pedaços de memórias, frágeis vitualhas
sobre uma mesa sem tempo; nem memória, nem voz. Apenas imensidão.
Palavras que o não são, letras que não se amam mas encontram-se na solidão.


Lágrimas de lua


sábado, dezembro 22, 2018

NATAL...TALVEZ



VOTOS DE FESTAS FELIZES









A bruma acumula-se nos beirais, gélidos de invernia,
traz a cor das neves solitárias, o hálito de manhã fria.
A distância impõe o silêncio de mãos vazias de tudo,
de olhos em busca do tempo que, veloz, recua mudo.
Como em caleidoscópio infantil a vida passa de fugida,
passam os risos, os sonhos, a luz, a cor, a harmonia perdida,
passam festas e alegrias, passam beijos com calor por dentro,
e passam os anos arrastando almas. Agonizando no centro
está um coração vazio, fechado em cofre sem chave ou sentido,
está uma vida, no limbo de um caminho percorrido.
A bruma cheira a Natal, cheira a madeira e aconchego,
a bruma amortalha-me a alma numa dor que calo e carrego.


Lágrimas de lua

quinta-feira, dezembro 13, 2018

UM PIANO


Nas asas da música, numa noite de escuro sereno,
as mãos bailam sobre as teclas brancas e negras,
os sons desenham momentos sonhados, idealizados.
E a música ecoa pelas dobras desta noite de terreno
e silencioso encanto. Como amo o que sonho! Sem regras,
sem bem nem mal; apenas música, e desejos tão calados.

Nas asas da música, que dos teus dedos se eleva, como aragem,
como doce neblina, como secreto beijo, ou profunda lagoa,
nas asas da música que dedilhas com alma de gaivota em viagem,
com olhar de menino sem chão, de rainha sem coroa.

Nas asas de um clássico, o tempo esvai-se, dilui-se e cresce,
como Adamastor, em noite de temporal; como mágico,
como eleito, como deus de um mar menor e sonho maior.
Nas asas da música o mundo respira, a rosa floresce,
o mar cala-se e o olhar espraia-se no amargor trágico
de um amor desfolhado antes de florir, espalhando ao seu redor
o perfume de uma alma que dança, nas asas da música, no fio do som.
Rodopia nas notas que esse piano exala, prolongando o teu dom.

Nas asas da música, nesta noite de todos os sonhos…. Por cumprir

Lágrimas de lua



imagem retirada da net


segunda-feira, novembro 26, 2018

AGRESTES CERCANIAS





O vento rasgou-se pelos fraguedos,
uivando por entre as penedias,
açoitando as copas em diálogos; bravias.
Vergando os troncos ao peso dos segredos.
O dia foi-se escoando, pela brecha das horas,
e a ventania, rugindo, empurrando as demoras
que o tempo se apressa, e não para, nem espera.
As árvores falavam, na sua linguagem de folhas,
balouçando, assustadas, ao sabor do vento morno.
Dobram-se e contorcem-se alterando o seu contorno.
O vento das cercanias não permite outras escolhas,
açoita alegremente a paisagem, soprando sonhos,
afastando medos, e magos loucos e bisonhos.
Desnorteou-se o vento, como suspensa quimera,
de um outonal dia em despedida.

Lágrimas de lua

sexta-feira, novembro 16, 2018

ALMA SEM VOZ


Há um mágico silêncio em todas as palavras
que não sabes dizer, que preferes calar.
Há um excêntrico fulgor nas mãos a acenar;
falam elas pela alma sem voz, enquanto lavras
sentenças de vida, no mutismo da ilusão.
Olhas o mar, esperando o infinito de mansidão.

Lavas a alma com as lágrimas do coração,
e escreves sonhos para fazer sorrir.
Escondes o medo nas dobras de um porvir,
arrancas da vida o amor; seguindo em negação,
fechas portas e janelas, enclausuras o novo dia,
como se o sol a nascer fosse apenas utopia.

Há um mágico silêncio nas profundezas do grito
que, mudo, se cola à garganta, ressecando o olhar,
e cada palavra é um hino, que ofereces sem ofertar.
Escreves com alma de pássaro; escreves como um rito
de uma estranha adoração. Como se alma fluísse
sem saber para onde vai, como se construísse
uma desenhada quimera… nas areias do impossível.

Lágrimas de lua























quinta-feira, novembro 08, 2018

A LONJURA DO MAR






Há auroras que são imensas
plenas e densas.
Há sorrisos que são poemas
sem gráficos nem teoremas.
Há sonhos que morrem no cais
do adeus, de simples mortais.
Há beijos que pairam sem destino,
estrelas suspensas, em desatino.
Há palavras que secam sozinhas
em corações doendo por almas mesquinhas.
Há luares que são asas de gaivota,
rumorejando numa praia ignota.
Há letras na poesia de um olhar
perdido na lonjura do grande mar.
Há palavras que tombam caladas
como  sombras de memórias aladas


Lágrimas de lua

domingo, outubro 28, 2018

SOMBRA DE AVES








Na sonoridade de um raio de luar,
onde habitam os sonhos e telas inacabadas
que um pintor abandonou,
desenha-se uma melodia a flutuar.
Como sombras de aves, em lagoas caladas
que o tempo marcou.


Na imensidão da noite, desdobrando o vazio,
onde as velas ardem e os anjos velam
em mansa litania,
eleva-se o odor, suave, do alecrim bravio
em alcova de amores, que cinzelam
as horas, passando em sintonia.

No silêncio de uma ausência que mata
e das palavras gritadas, por dizer,
derrapa a vida,
voando veloz; perigosa acrobata,
num trapézio sem rede e olhos sem ver,
escreve-se o adeus… de partida

Lágrimas de lua

quinta-feira, outubro 18, 2018

CAVALEIRO ANDANTE


Cavaleiro andante de auroras nebulosas,
onde se perde o tempo e as horas repousam.
Vens do desbaste das memórias tenebrosas,
como arqueiro de guerras perdidas que poucos ousam,
que poucos tentaram, que muitos fracassaram.
Cavaleiro andante de sonhos esfumados,
dos tempos sem tempo, sem eira nem beirado,
trazes no corpo as marcas de amores derramados,
de esquecidos beijos, de mãos ocas e olhar aloprado.
Cavaleiro andante que tantos conheceram e desprezaram.
Hoje és apenas memória, és neblina do intemporal sonho,
és vaga sombra no caminho, sopro de aragem mansa.
Como folhas em Outonal madrugada onde deponho
as mais doces lembranças passadas; minha arca da aliança.
Ah, cavaleiro andante, quantos sóis te açoitaram?

Lágrimas de lua


Imagem retirada da net

sexta-feira, outubro 05, 2018

USA PALAVRAS... SE FOR PRECISO

"Ama; se preciso for, usa palavras".

E ela amou, sem palavras, com todas as letras que inventou,
com todas as frases que disse e que calou.
E ela amou, com palavras, com as que compôs, re-escreveu,
remodelou, reinventou, com as que imaginou e não se atreveu.

"Ama; se preciso for, usa palavras".

E ela amou, com corpo e sonhos,com alma e coração,
com o que tinha e era, com a coragem da doação.
E ela amou, na ingenuidade do amar, na pureza do acreditar,
na força do lutar, na desordem de encontrar, apenas, um lugar.

"Ama; se preciso for, usa palavras".

E ela amou, cresceu e mudou. Amadureceu e aceitou
o que a vida propunha. Desembainhou a espada e lutou.
E ela amou, pela vida toda e pela morte inteira,
pela alegria louca e pela dor cruel e certeira.
Sim, ela amou.

"Ama; se preciso for, usa palavras".

E ela calou cada palavra-punhal enterrada no peito,
e ela seguiu a estrada sombria, de coração desfeito.
E ela matou o amor, sem palavras, que perdidas foram
por ruelas de negro. E soçobrou nas letras, que choram
o quanto se deu, o quanto amou.

"Ama; se preciso for, pinta um arco-íris na alma." 
Ama, sim. E, se preciso for: esgrima as palavras.

Lágrimas de lua




quarta-feira, setembro 19, 2018

CAIS DE ANTEPASSADAS PEDRAS




Imagem retirada da net











Um rasto de luz, uma porta entreaberta,
um sopro de verde, uma lágrima de vento,
notas soltas no sereno pela mão da feiticeira
que da lua espreita, esta ilha deserta,
este chão de pedras magoadas de esquecimento.
Uma barca sem leme pela bruma aventureira.

Uma voz que desliza, nas sombras de uma inventada aurora,
porque não sabe se acorda, se grita, se ri ou chora.
Um olhar sem idade, nas encruzilhadas do nada,
porque perdeu o combate, porque sucumbiu ao fio da espada.

Uma criança que espera no cais de todos os adeus,
embebido de águas sem tempo, de um azul profundo,
de um grito de prazer amordaçado pela mão do vazio.
Um dia que adormece nos braços robustos dos plebeus,
repousando da fome e da imensidão do mundo.
Uma carta sem palavras no mais sano desvario.

Uma pedra laçada, uma onda maior, uma praia sem mim,
uma aurora anunciada em noites de veludo e jasmim.
Uma taça doirada, de fel adornada, um beijo suspenso,
uma vida lacada, uma tela inacabada no suave perfume de incenso.

Lágrimas de lua

quarta-feira, setembro 05, 2018

ESCADAS PARA O INFINITO - Foto de Carlos Rolo

Foto de CARLOS ROLO



Encaneci nas esperas de verdes vestidas,
verguei o corpo, outrora esbelto, desfaleci.
Ao vento soltei os cabelos, nas sete partidas
do mundo; do meu mundo, e estremeci;
de fome? De frio? De abandono?
Ou apenas de árvore grácil à espera de um Outono?
Estendi os braços cristalizando a esperança,
atapetei-me de musgos, vesti-me de mansas heras.
O tempo percorre-me as veias na temperança
dos ocasos, de sonhadas auroras, quem sabe…quimeras?

Sei que guardo comigo as escadas para o infinito.


Lágrimas de lua

terça-feira, setembro 04, 2018

O PULSAR DOS SONHOS



Esta noite percorri sete mares em busca de sete véus de magia,
traguei sete poções de amor, e sete de perdição, à luz da prateada lua.
Dancei no fogo de um braseiro que não arde, entreguei a alma nua
às mãos de uma nova madrugada. Encontrei-me com o vazio nessa louca correria,
e das mãos vazias e velhas escorrem memórias pintadas em telas intemporais.

Esta noite percorri o infinito em busca do pulsar dos sonhos,
em busca de razões e sinais, em busca de signos e runas,
de lendas enfeitiçadas, presas em lagoas afundadas, em singelas dunas.
Vesti-me de névoas e brumas, naveguei em barcos tristonhos
Tricotei novelos de espuma nas nuvens dos temporais.

E abracei o sereno, renasci à luz de um novo sol, mergulhei no abismo
de azul e verde enfeitado, deitei-me com as ninfas e as conchas sem futuro
num areal inventado, numa ilha para lá do mar, onde não há tempo nem muro,
nem manhã nem ocaso, apenas o tempo passa num bruxuleante grafismo,
apenas a vida escorre, lenta, sedenta, dançando insana nos vendavais.




Lágrimas de lua



SILÊNCIO ENSURDECEDOR

Por entre as palavras mordidas e os silêncios demorados, decorrem os dias. Escorrem as horas e passam os anos. Moldam-se a...