quinta-feira, agosto 29, 2013

É A HORA!


É hora de recolher as velas e deixar o barqueiro descansar,
é hora de esquecer a maré deixando o barco bolinar.
É hora de fechar os olhos, negros gastos de tanto procurar.
É hora de permitir ao corpo simplesmente relaxar.
É hora de chamar os deuses que imperam no grande mar
e com eles orquestrar uma nova sinfonia.
É hora de calar fundo toda esta horrenda agonia
em que mergulho de cabeça, sem sequer poder pensar.
É hora de querer e não querer, hora do sim ou do não,
é hora de ser o que sou, apenas e só mulher.
É hora de arrancar esta pele, e esta máscara se puder,
é hora de arrumar todo o medo, de pedir e dar perdão.
É hora de beber o cálice, seja de fel ou de absinto,
seja do mais puro e doce néctar ou seja de suavíssimo mel.
É hora, minha vida, é hora! é hora de percorrer cada aurora,
alcançar cada poente, dançar louca pela estrada fora
despojada de preconceitos, de normas e leis de papel.
É hora de abrir todas as portas dar largas ao que sinto.
 
 
É hora de recolher as velas e deixar a noite flutuar…..

sábado, agosto 10, 2013

PASSOU O MEU TEMPO.....DESVAIRADO


Como a asa de uma gaivota que perdeu o rumo,
como o fumo de um navio que passou ao largo.

Passou o meu tempo….
Como a gaveta aberta onde alinho e arrumo
as memórias que vogam num mar triste e amargo.

Passou o meu tempo…
Como o beijo aflorado, o desejo ancorado na praia deserta,
como a água que por entre os dedos se esvai incerta.

Passou o meu tempo….
Do tempo que não para nem se acerta, do tempo que sobra
do tempo que chora, do tempo que ri e soçobra.

Passou o meu tempo…
E ficou o espaço oco e enevoado, como manhã de outono,
como barco fantasma, como lágrima cristalizada em puro abandono.

Passou o meu tempo…
Nas mãos abertas vazias, nos olhos fechados em sonhos perdidos,
no corpo usado e despido, em todos os despertos sentidos.

Passou o meu tempo….
Na espera de um novo tempo, sentado à beira do abismo,
oscilando entre o cá e o lá, entre a luz e a escuridão, perfeito antagonismo!

Passou o meu tempo…
Nas palavras murmuradas, nas juras apenas sonhadas e nas que foram juradas
entre o soluço e o grito de solidão. Nas frases de paixão apenas sussurradas.

Passou o meu tempo…
Na ilusão de um momento, efémero, precioso, vivido e ambicionado,
mas o tempo apenas passou sem se ater a nada. Passou desvairado!


 

SEM AMARRAS ... SEM CHÃO...

Quando as amarras que nos predem ao chão, nada mais são que laças cordas sem vida, nós esgotados, rasgadas velas, farrapos em ferida. ...