quinta-feira, janeiro 24, 2019

OPACIDADE DOS DIAS





São ocas as palavras que pendem de olhos fechados,
de corações anquilosados, num bater sem ritmo,
sem cor, nem idade. São ocos os sonhos guardados
no baú da dor, na rigidez nua de um algoritmo,
ou no gume de uma adaga, que a História corrompeu.
São esfumadas as memórias que a vida já viveu.

São ocas as palavras que escorrem de lábios lilases,
que se escondem nas rugas de uma crua mentira.
São ocas as mãos que sustentam dias vorazes
e noites de insónia, onde a solidão ecoa e suspira.
São ocos os passos que pisam o caminho errante,
deslizando, sem norte, sempre para jusante.

Ocas são as palavras, ocos os pensamentos,
ocas as vidas empurradas por duros ventos.
Ocas são as bocas que amassam o amor,
destruindo-lhe a essência, pintando-o de dor.


Lágrimas de lua

sábado, janeiro 19, 2019

A UM AMOR INFINITO




O tempo arrastou o seu manto sobre a vida passando,
levou os risos e as lágrimas, levou tudo castrando
o amor, em gotas de magoada e tenaz dor.
O tempo devorou a vida como fera faminta,
deixando esfumada sombra indistinta,
nos trilhos de um caminho sem retorno nem cor.
O tempo consumiu a vida, a história, a memória,
esmagou a frágil imagem de uma guerreira sóbria.
O tempo só não conseguiu matar nem destruir o AMOR.

(1º ano)

Lágrimas de luar

quarta-feira, janeiro 09, 2019

LOST SPARKLES


Imagem retirada da net


Vai onde a vida te levar, mas vai inteira, não vás à toa.
Não deixes para trás a chama que te iluminou os dias,
que te pôs em movimento, que te deu alma.
Vai onde a vida te levar, mas vai erecta; na proa.
Senhora dos quereres que são os teus guias,
vai segura e vigilante por essa estrada de calma.
Não carregues o lixo, que te pesa sem proveito,
não leves as sombras de passados sem volta,
nem futuro sem esperança – vago, vão.
Mas a vida arrasta na torrente, perde-se o conceito
de lutar, de querer, de morder a dor e a revolta.
A vida leva de arrastão, em cambalhotas sem chão,
sem ar, sem cor, sem meta; passos sem direcção.
Perdeu-se a chama, perdeu-se o brilho vestindo o olhar.
É só a vida a passar, passando, sem deixar rasto, nem luz.
E sigo, bolha de estagnado ar, rolando sem água nem pão.
É só vida despida de tudo; nua, lapidada, a resvalar.
Monte de ressequida quimera, decompondo os dias que depus.

Onde estão as minhas Lost Sparkles of life?


Lágrimas de lua

SILÊNCIO ENSURDECEDOR

Por entre as palavras mordidas e os silêncios demorados, decorrem os dias. Escorrem as horas e passam os anos. Moldam-se a...