quinta-feira, agosto 23, 2018

THE DARK SIDE OF MY MOON



Num lago sem fundo nem cor,
onde o inicio e o fim se confundem,
se tocam e se fundem,
se agregam, desagregam sem pudor,
mácula, ordem, precisão.
É lá que reside a minha origem,
a essência do meu ser.
Sou filha de sol, e de lua por nascer,
de trevas e luz, caleidoscópio de vertigem,
baloiçando no limite da solidão.
Lado negro da minha eterna Lua,
onde o sol não se aninha, não brilha,
nem aquece ou ilumina. Apenas o frio trilha
rastos de bruma; eflúvios de alma nua,
neste espaço de limbo onde flutuo sem razão.
Porto seguro onde habito sem mostrar.
Meu lado negro, meu lado branco,
o meu lado sem cor, onde escondo e tranco
o que não digo, ao dizer calada.Sopro por gritar,
elevando-se, breve, na sombra da escuridão.
Nasci num lago de luz e obscuridade,
onde o sim é a imagem invertida do não,
e a alma é o avesso de um simples coração.
Olho a superfície, espelhada de claridade,
onde flutua uma alva rosa em botão.
Num lago, sem fundo e sem cor,
onde o equilíbrio é um pensamento de anjo,
o dia, um hálito de fada, uma lágrima que tanjo
como dedos de neblina. A noite, um deus menor,
que não sabe do principio e do fim de uma oração.
De lá emergiu um dia uma alma,
envolta em pétalas de dúvida e sonho,
em crédula magia de ser tristonho,
que cresce na sede de uma sonhada calma,
de um idealizado lugar de comunhão.
O lado negro da minha Lua
é a fase oculta do meu esquecido Sol.
Dele farei meu halo, meu perfume, meu lençol,
minha mortalha e meu hino; verdade crua
da metade que escapa, como água, da minha mão.
Meu refugio de aconchego; The dark side of my moon...



Lágrimas de lua

terça-feira, agosto 14, 2018

FORMAS NO IMPONDERÁVEL




Imagem retirada da net



Há formas na inconstância do informe, do disforme,
do que amarro, com nós górdios, em silêncios gritantes.
Há formas, nas sombras ensombradas de vazios hiantes.
Sem corpo, sem rosto, nem cor, matéria serpentiforme
como lava escorrendo altivamente, olhando o infinito.

Há formas na intemporalidade de uma alma sem luz,
há rios correndo para a nascente de algo impalpável,
de neblinas fugidias por entre a vida descartável,
por entre dedos enclavinhados aos pés de uma cruz.
Como vaga presa no grito, rasgando o absurdo de um rito.

Há formas no pensamento feito de limbo, feito de nadas,
há luz; baça, fria. Há sons, mudos, de cavernosa solidão.
E há vida invisível, flutuando nas dobras da escuridão.
Há vida a resvalar no asfalto de estradas ocas e molhadas.
Devem haver formas na alma moribunda em esvaziado grito.

Há formas na inconformidade do ser, no desnorte da sorte,
no resvalar dos dias, no arrastar dos tempos levando a vida
de rajada. Haverá formas no inadiável da dor incontida?
Haverá forma na passagem da vida para a morte?
Há forma, sim, nas letras da carta, solitária, onde fica inscrito:

Amo-te - com letras de sangue, coração sem cor e alma sem forma….

Lágrimas de lua

SILÊNCIO ENSURDECEDOR

Por entre as palavras mordidas e os silêncios demorados, decorrem os dias. Escorrem as horas e passam os anos. Moldam-se a...