segunda-feira, dezembro 23, 2019

FELIZ NATAL - 2020 EM PLENITUDE

Imagem retirada da net


Brilham duas estrelas no alto desta noite escura,
deste caminho mais pobre, desta estrada vazia.
Brilham como sempre brilharam. Agora, na lonjura
que medeia o aqui e o vosso aí, há apenas luz fria,
distancia imensa, um oco trilho vestido de sombra.
Olho o céu, neste desejo mudo que me ensombra,
e vejo duas estrelas que sorriem do alto; serenas,
simples... tão minhas. Meus luzeiros-guias!
São o meu "presépio", o meu "Deus-menino", minhas açucenas
enfeitando o breu destas mãos vazias.
Brilham lá no céu as minhas estrelinhas 
e no coração as saudades minhas.


Lágrimas de lua

VOTOS DE FELIZ E DOCE NATAL

quarta-feira, novembro 27, 2019

SERENO E NOITE ESCURA


Vesti-me de sereno, do negro manto da noite escura,
apaguei todas as estrelas, aconcheguei a doce lua
em cama de alvas nuvens velada por estranha alvura,
soprei desejos de amor na aragem da noite nua.
Soltei os cabelos ao vento da madrugada.
Fui gaivota, fui rapace, fui corça e fui algoz,
percorrendo uma longa e dura estrada.
Semeei-me nos caminhos, brotei de um solo feroz,
e cerrei os dentes à dor, mordi raiva e solidão,
percorri léguas e léguas em busca do meu tempo.
Dei-me à carne, dei-me à vida, jurei a vida ao perdão,
e neste percurso trôpego, ritmado a contra-tempo,
deslizaram auroras e ocasos. Marés sem marinheiros,
barcos que perderam o rumo. Primaveras e estios,
vogaram ventos e vagas, fazendo seus prisioneiros
todos os sonhos, arrepiando os medos sombrios.
Vesti-me de sereno e noite escura,
coroei-me de raios de alvura.



Lágrimas de lua





sábado, novembro 02, 2019

SENTIR ETERNO...INTENSO MOMENTO


Se olhares no horizonte e sonhares além do mar,
se abrires as asas ao vento e aprenderes a voar,
então solta as tuas amarras; liberta a ancora pesada,
pega no leme e nos remos da tua barca encantada
e faz-te ao vento!
Se olhares o voo das gaivotas cruzando as tempestades,
se gritares todas as dores, molhadas de duras saudades,
então serás guerreiro feroz, empunhando fina adaga,
penetrando o âmago do sonho, como onda que propaga
um encanecido lamento.
Se olhares a vida nos olhos, palmilhando-lhe os caminhos,
tortuosos ou singelos, agrestes escarpas ou suaves cantinhos,
então bolinarás nas memórias de tempos idos, algodoados,
de um sentir desmedido; amor eterno, silêncios inteiriçados …
Suspensos em sóbrio momento.





Lágrimas de lua

quarta-feira, outubro 16, 2019

SOU SOMBRA




Sou a sombra que permanece na estrada
alongada de passos feitos, e por cumprir.
Sou a poeira que encobre a vida passada,
e a brisa que escreve o futuro sentir.
Sou a sombra que passa e a sombra que fica,
moldura intemporal de um único caminho,
e sou pergaminho que o tempo certifica,
anciã memória em partilhado escaninho.
Sou a sombra da sombra que o tempo arrasta,
e a poalha fina que o orvalho empoa.
Fantasma efémero, que o sol engasta
em anel de fogo. Ou em afoita proa
de encanecida caravela cortando o mar,
rasgando o caminho, trilhando história.
Sou a sombra que resta d’uma canção de embalar,
sou a sombra esfumada de uma ave migratória.

Lágrimas de lua

domingo, outubro 06, 2019

VOZES DO PASSADO


Se um dia ouvires a voz que se levanta do passado,
perdido, esquecido, duramente silenciado,
não olhes! Não oiças! Não queiras sequer saber.
Afasta todas as palavras e tudo o que possam conter.
Se um dia o coração se rasgar, doendo no peito,
cala-o, como calaste um dia um amor eleito.
Não olhes! Não oiças! Segue, apenas, sem pensar,
olha em frente sem sentir. É assim o teu caminhar.

Se um dia a solidão se abater sobre a tua altivez,
quebrando a dureza e o desamor, então, talvez
entendas o rasgo que abriste sem consideração,
sem dó, sentimentos, respeito ou contemplação.
Se um dia o passado te gritar das profundezas,
não oiças a sua voz! Amordaça-o!  Enche-te de certezas,
essas mesmas com que te vestes e te exibes,
essas mesmas que jamais te coíbes
de mostrar, como grande mestre desta vida.
Se um dia o passado te sondar…mostra-lhe a saída,
como um dia me foi dado provar….

Lágrimas de lua

terça-feira, setembro 24, 2019

COORDENADAS POLARES




















De olhos cerrados ao ruído da vida, parti!
Parti de mim e dos outros… apenas fluí.
Senti o sopro do vento agreste, e o sal; duro,
de um mar que envolve e abraça; ninho seguro
de uma alma em viagem, de um ser em busca,
de um corpo que respira e sonha e em si rebusca
todos os acordes de uma muda melodia.
De olhos cerrados sigo ao som de uma fantasia.
Num pólo que não tem avesso nem direito,
lanço todos os silêncios, escuto o coração no peito,
ganho olhos de milhafre, e alma de pomba amável,
vogo em concha de perdido nautilus palpável,
da vida contorcida em partos sem retorno.
É um caleidoscópio de verde, e um abismo moreno,
rodopio de insustentável leveza sobre um olhar sereno.
De olhos cerrados ao ruído da vida, mergulhei
nesta viragem de polares agitações, e pintei
uma tela de involuções em verdes intemporais.

Lágrimas de lua



sexta-feira, setembro 06, 2019

APENAS UM DIA....






Melodia que passa, como chuva singela de verão,
refrescando o peso do calor da desilusão.
Acordes que volitam como andorinhas sem rumo,
como gotas de orvalho, em folhagem que esfumo
entre as neblinas da memória.
Entre as linhas de uma qualquer história,
sons que gravitam com flores em cachos perenes,
vida que passa em furiosa corrida, em passos solenes.
Rubras bocas de beijos por nascer,
vazias mãos de desejos a fenecer.
Melodia que passa como desfigurada alucinação,
por entre os dedos, como água de azul tentação,
como sonegado sonho de menino em cais de espera.
Como sopro de uma esquecida Primavera.


Lágrimas de lua

terça-feira, agosto 27, 2019

SAUDADES....





Saudades!
Um sentimento agridoce que marca,
que assola com a força de um vulcão.
Saudades!
Sentimos do que foi bom; abarca
sonhos, desejos, risos; vida em profusão.
Saudades!
Não as quero calar, mas não as quero dizer,
quero que sejam passado, arrumado sem magoar.
Saudades!
Que sejam apenas memórias, num canto do viver,
como águas passadas de um longo caminhar.
Saudades!
Apenas as temos do que foi bom.
Cala-las? Não! Arruma-las para a eternidade,
sinal de que a vida teve o seu dom,
vibrou, cresceu, deu-se e calou-se na desigualdade.
Saudade? saudade…  saudade…

Lágrimas de lua

segunda-feira, agosto 05, 2019

PALAVRAS AO VENTO






Escrevo no sopro do vento norte
palavras de destino e esperança,
como quem vislumbra nova sorte,
novos rumos, auroras de mudança.
Dias de paz e solidão.
Dias de dourado perdão.
Escrevo na brisa do vento suão;
olhares de tenebrosa ausência,
lágrimas de distante ilusão,
de ingénua e mordente consciência.
Dias de calado coração.
Dias de antiga desolação.
Escrevo nos alvores da primavera,
o que, no inverno, o céu chorou,
e o outono fez sonho e quimera.
E o verão aqueceu e fermentou.
Dias de inebriante emoção.
Dias de insano amor e paixão.


Lágrimas de lua

quarta-feira, julho 24, 2019

NO IR E VIR DOS INSTANTES....





Somos, na vida, um ir e vir constante.
Nem sempre luz nem sempre sombra,
nem sempre amado, nem sempre amante.
Guardamos o caminho que ensombra
e o que desvenda o mais longe, mais além.
Somos gigantes e anões, o carrasco e o refém.
Somos a noite e o dia, num sim e não infernal,
somos o génio e o monstro, mudando a cada instante,
somos a paz e a guerra, somos gente e animal.
E somos o querer e o não querer gritante,
somos o que dizemos e calamos,
o que expomos e guardamos…
Somos tão só viajantes, presos na dualidade
dos passos que dando, não damos,
em busca de eternidade.

Lágrimas de lua

segunda-feira, julho 08, 2019

RENASCER


Nasceu o dia com negrume no céu azedo,
como se os anjos, revoltados, virassem costas,
arreganhassem as nuvens carregadas.
Nasceu o dia, com grilhetas de um degredo
que o coração quebrará, entregando as respostas
que a alma pede, em mansas suplicas caladas.
Olhando o dia que cresce, olhando a vida que se faz,
deixando que flua o AMOR, essência de fogo invisível,
aprenderei a dar passos de infinito.
E o dia regressa à beleza que cada aurora sempre traz.
E a paz inunda a caminhada como um toque sensível,
como beijo de flor, de ave, como a certeza que habito.
Inunda-me uma manhã de cinzas e luz, de serena aceitação,
de alma renascida, de casa recém-lavada.   
Inunda-me uma manhã de paz sem tempo,
correndo suave como bruma numa qualquer viração,
fiz das feridas roupa nova, fiz da dor força renovada,
percorri a minha vereda sem horas nem contratempo.
Esta luz baça que escorre, ténue, pela vidraça
traz-me as estrelas que brilham no céu,
e as que habitam o mar; o meu céu, o meu mar,
onde ecoa uma melodia doce que perpassa
pelos côncavos do meu coração, qual balsamo ou véu,
qual afago de maternal mão, beijo de paternal amar.
hoje o dia acolheu-me na concha de um nautilus perdido,
vogando, tonto, pela corrente desta vida deslizante,
e o horizonte tornou-se palpável, tangível.
O que foi; passou, o que vem; virá renascido,
de novas cores enfeitado. Só o presente; vibrante,
é certeza de vida, é caminho perceptível.
Hoje, das nuvens carregadas, nasceu um sol inextinguível.

Lágrimas de lua







segunda-feira, junho 03, 2019

SOBREVIVÊNCIA







Guardo a capacidade de sobreviver ao que fere,
ao que mata e destrói.
Guardo a força de olhar mais longe, para o que difere
do caminho que não constrói.
Guardo a capacidade da aceitação, sem revolta,
sem resistência ou controvérsia.
Guardo-me na caminhada sem guarda nem escolta,
e sigo, no movimento e na inércia.
Guardo cada partida e cada chegada,
cada perda e cada abandono.
Guardo cada inevitabilidade na alvorada
de um novo dia sem retorno.
Guardo a capacidade de sobreviver ao imponderável,
porque a vida é apenas um sopro de infinito.


                                                                                                                                                                                                                                         Lágrimas de lua


quinta-feira, maio 09, 2019

SUSTENIDA NEBLINA


Olho a bruma que da noite se desprende
como esfumado sonho, sem tempo nem hora,
deixo perder o olhar na sonata que acende
as memórias de saudoso futuro, que demora.
Mergulho na sustenida neblina odorosa,
permito que os seus dedos me devassem a alma,
me percorram o corpo em viagem silenciosa.
Entrego a vida na sua inebriante e fosca calma.
E, de olhos vendados, caminho segurando o Nada,
carregando o Tudo, como se o mundo tombasse,
como se tivesse asas, dotes de adivinhação traçada
na palma da minha mão. Como se enfeitiçasse
esta eterna vida de árida e nua caminhada.
Entro, bruma a dentro, para um mundo só meu,
onde desabrocha uma nova alma desnudada,
onde enfrento o meu primordial EU.





Lágrimas de lua

terça-feira, abril 23, 2019

PÁSSARO NEGRO


Abre as asas, pássaro negro, ensina-me o teu voo.
Acolhe-me, pássaro negro, no calor do teu ninho.
Desdobra o negro do teu voo em raios de luz e caminho,
em rotas de descoberta, em coragem e denodo.
Voa, pássaro negro, nas auroras de róseos ventos,
nas brumas de espuma ardente, adentrando-se no peito.
Paira, pássaro negro, sobre as sombras de amor feito,
derretendo na lonjura, de silenciados fragmentos,
de adormecidas palavras e gritados silêncios.
Abre as asas, pássaro negro, leva-me na tua viagem,
não temas ventos nem marés, ou a força da solidão,
Voa, pássaro negro, na tua ilha, tua rota de ilusão.
Lança-te no espaço sem retorno, faz-te ao sol e à aragem.
Olha, pássaro negro, à tua volta tudo é noite sem luar,
respira, pássaro negro, a singeleza da tua cor e leva-me no teu voar.

Imagem da net



Lágrimas de lua


segunda-feira, abril 15, 2019

MUNDO AO CONTRÁRIO



Imagem da net


O mundo ao contrário, do avesso, do outro lado,
rasguei um lenho no mundo para descobrir o infinito,
espreitei: criança curiosa, o desconhecido encantado,
para além do sonhado, imaginado, para além do que foi dito.

Vi aves rastejando no deserto, baleias rindo no céu,
vi vulcões de mansas águas e lagos de eriçadas lavas.
Vi dias nascendo como noites de agoirento breu,
e luas de brilhantes auras envoltas em chuvas alvas.

Vi sonhos, como espantalhos, em maduros trigais,
vi lágrimas, como orvalhos de impenetrável aridez,
vi crianças calejadas de desalentados brandais,
e amantes esquecidos em destroçada lucidez.

Vi navios de chegada acenado em dura partida,
num cais de brilhante e mágica neblina.
Vi os teus olhos magoando a distancia incontida,
e os beijos, como nuvens, pairando em surdina.

Mudei o rumo dos mares, empoei as madrugadas,
e, de cartolas vazias, fiz nascer um novo dia.
Neste mundo do avesso, as palavras enrugadas
rasgam como lancetas, espreitam em agonia,
por este lenho aberto, bem no coração do mundo, à porfia.

Lágrimas de lua



quinta-feira, março 28, 2019

CONTRACÇÃO TEMPORAL



Sob um céu de desencontros, a vida esvai-se,

a vida passa, corre e escorre, como revolto ribeiro.
As nuvens murmuram sonhos, o tempo contrai-se,
cristalizado em cinzentos e esfumado nevoeiro.
Como almofada de memórias, perdidas no vento,
deslizando como espuma em céu sem cor,
passam as horas, os dias, e a vida que enfrento
de mãos nuas, onde já se afogou a dor.
Sob um céu de aveludados sonhos,
que um dia foram caminho e vida,
deslizam tempos de sorrisos tristonhos,
perpassam cores de uma paleta esquecida,
Que o tempo não poupou.
Que o pintor abandonou.
Que a vida apagou,
e o poeta, em silêncios, amordaçou.


Lágrimas de lua



terça-feira, março 26, 2019

AINDA AQUI ESTOU ... ESTAREI?






Ainda estou aqui; na voragem dos tempos,
no rodopio das horas, dos dias, dos ocasos.
De todas as marés e algas de salgada cor.
Ainda estou aqui; a servir de passatempo
às nuvens, às letras, ao improvável e aos acasos
que a vida, ou o destino, me quiserem propor.
Ainda aqui estou; no fluir de todos os rios e chuvas,
de todos os temporais e estios, de azuladas preces.
Ainda aqui estou; nos lábios de morangos e uvas,
de mosto e vinho novo. Das sombras onde feneces,
onde os vulcões depositam cinzas, e laivos lilases
de esquecimento. Ainda aqui estou, estive… estarei?
Talvez uma gaivota me leve, talvez uma onda me prenda
a um encalhado navio, brincando com os roazes.
Ainda aqui estou; em brandas palavras, que jamais direi,
em sonhos mil, acorrentados, a este cais que a dor desvenda.



Lágrimas de lua





quarta-feira, março 13, 2019

DISTÂNCIA INTRANSPONÍVEL






Invento um vendaval de vento aberto
para chegar ao teu lugar.
Invento um mar azul e descoberto
para te tentar alcançar.
Invento olhos de andorinha
para que te possa vislumbrar,
nesse jardim onde se adivinha,
um tempo que passa devagar.
Invento uma ponte de sonhos,
que eu possa atravessar,
mas apenas os vazios medonhos
invadem o teu lugar.
Inunda-me um vendaval de vento deserto
que não chega para te abraçar.

Lágrimas de luar
(92º)

sexta-feira, março 08, 2019

MULHER


Por dentro da minha pele, sopram ventos
de gritos calados, no amadurecer dos dias.
Nos trilhos que rasgo por entre verdes sonolentos,
por entre fragas de sombras longas e frias.
Por dentro da minha pele palpito eu,
mescla de bem e mal, anjo e demónio, sim e não.
Por dentro da minha pele, que alguém esqueceu,
existem palavras por dizer, feitas de amor e pão,
feitas de dádiva mordida, 
de uma dor sofrida,
feitas de sal e sol, feitas de saudade e perdão.






Por dentro da minha pele existe uma alma,
existe um pedaço de sopro eterno,
existe passado, presente, um futuro onde se espalma
o passar do tempo, como o rigor do inverno.
Por dentro da minha pele vibram sonhos,
enterrados, como espinhos, em terra viva,
esgrimindo farrapos velhos e tristonhos,
esperando o tempo do porvir como  lágrima cativa.
Palpita ainda a chama imortal
de um amor intemporal,
que a vida arrastou na maré dura e intempestiva.

Lágrimas de lua

domingo, fevereiro 24, 2019

RUGAS, TEMPO - TERMINOU








Canto, com rugas na voz um “já passou”
que foi e esteve, que foi e foi, que acabou.

Escrevo, com gelhas na ponta dos dedos,
os sorrisos, as lágrimas, os sonhos e todos os medos.

Olho, com passado nos olhos cansados,
vestidos de folhas de Outonos esfumados.

Sorrio, com lábios de encanecida alegria
e colo o sorriso, com a cola da nostalgia.

Danço, com passos de infiltrado desamor,
na roda das bruxas esconjurando o pavor.

Volto e canto; com rugas de ir sem destino,
sem vontade de voltar a este país ambarino.
Volto e escrevo; com gelhas de vida esburacada,
e toco e fujo, e beijo e mordo o caminho desnudada.
Volto e sorrio, com arreganhada utopia sem cor,
e sigo, com o rumo do sem destino, já sem dor.
Volto e danço, com sapatos de sonhos brumosos,
vestido de fada esquecida, com olhos tumultuosos.


Canto, com rugas na voz, gelhas no rosto e um gosto de “terminou”.

Lágrimas de lua

terça-feira, fevereiro 12, 2019

INFINITUDE DO SER




Sim; ainda espero as horas das promessas do amanhecer,
e das lembranças de cada doce e falacioso entardecer.
Sim, ainda olho a linha do horizonte e sonho,
reconhecendo os traços do coração batendo tristonho.


Sim; é no ruborescer da nova aurora que me sento,
em esperas, sem já esperar de verdade, mas tento,
ainda, continuar a acreditar, a somente superar.
Sim; é no encanto de cada hora que busco o respirar.


Sim; ainda escuto a canção do mar, na eternidade do vazio,
e ainda me debruço no abismo do nada, para onde vai o rio
que me transporta sem norte. Nem sul, nem rumo ou sorte.
Sim; ainda me levanto e percorro a estrada, na inocência da morte.
E na sofreguidão da vida, e na crueza da encruzilhada,
e na avidez do sonho e na infinitude de cada alvorada.

Sim... ainda olho o infinito de cada Ser.

Lágrimas de lua







quinta-feira, janeiro 24, 2019

OPACIDADE DOS DIAS





São ocas as palavras que pendem de olhos fechados,
de corações anquilosados, num bater sem ritmo,
sem cor, nem idade. São ocos os sonhos guardados
no baú da dor, na rigidez nua de um algoritmo,
ou no gume de uma adaga, que a História corrompeu.
São esfumadas as memórias que a vida já viveu.

São ocas as palavras que escorrem de lábios lilases,
que se escondem nas rugas de uma crua mentira.
São ocas as mãos que sustentam dias vorazes
e noites de insónia, onde a solidão ecoa e suspira.
São ocos os passos que pisam o caminho errante,
deslizando, sem norte, sempre para jusante.

Ocas são as palavras, ocos os pensamentos,
ocas as vidas empurradas por duros ventos.
Ocas são as bocas que amassam o amor,
destruindo-lhe a essência, pintando-o de dor.


Lágrimas de lua

sábado, janeiro 19, 2019

A UM AMOR INFINITO




O tempo arrastou o seu manto sobre a vida passando,
levou os risos e as lágrimas, levou tudo castrando
o amor, em gotas de magoada e tenaz dor.
O tempo devorou a vida como fera faminta,
deixando esfumada sombra indistinta,
nos trilhos de um caminho sem retorno nem cor.
O tempo consumiu a vida, a história, a memória,
esmagou a frágil imagem de uma guerreira sóbria.
O tempo só não conseguiu matar nem destruir o AMOR.

(1º ano)

Lágrimas de luar

SILÊNCIO ENSURDECEDOR

Por entre as palavras mordidas e os silêncios demorados, decorrem os dias. Escorrem as horas e passam os anos. Moldam-se a...