domingo, fevereiro 24, 2019

RUGAS, TEMPO - TERMINOU








Canto, com rugas na voz um “já passou”
que foi e esteve, que foi e foi, que acabou.

Escrevo, com gelhas na ponta dos dedos,
os sorrisos, as lágrimas, os sonhos e todos os medos.

Olho, com passado nos olhos cansados,
vestidos de folhas de Outonos esfumados.

Sorrio, com lábios de encanecida alegria
e colo o sorriso, com a cola da nostalgia.

Danço, com passos de infiltrado desamor,
na roda das bruxas esconjurando o pavor.

Volto e canto; com rugas de ir sem destino,
sem vontade de voltar a este país ambarino.
Volto e escrevo; com gelhas de vida esburacada,
e toco e fujo, e beijo e mordo o caminho desnudada.
Volto e sorrio, com arreganhada utopia sem cor,
e sigo, com o rumo do sem destino, já sem dor.
Volto e danço, com sapatos de sonhos brumosos,
vestido de fada esquecida, com olhos tumultuosos.


Canto, com rugas na voz, gelhas no rosto e um gosto de “terminou”.

Lágrimas de lua

terça-feira, fevereiro 12, 2019

INFINITUDE DO SER




Sim; ainda espero as horas das promessas do amanhecer,
e das lembranças de cada doce e falacioso entardecer.
Sim, ainda olho a linha do horizonte e sonho,
reconhecendo os traços do coração batendo tristonho.


Sim; é no ruborescer da nova aurora que me sento,
em esperas, sem já esperar de verdade, mas tento,
ainda, continuar a acreditar, a somente superar.
Sim; é no encanto de cada hora que busco o respirar.


Sim; ainda escuto a canção do mar, na eternidade do vazio,
e ainda me debruço no abismo do nada, para onde vai o rio
que me transporta sem norte. Nem sul, nem rumo ou sorte.
Sim; ainda me levanto e percorro a estrada, na inocência da morte.
E na sofreguidão da vida, e na crueza da encruzilhada,
e na avidez do sonho e na infinitude de cada alvorada.

Sim... ainda olho o infinito de cada Ser.

Lágrimas de lua







SILÊNCIO ENSURDECEDOR

Por entre as palavras mordidas e os silêncios demorados, decorrem os dias. Escorrem as horas e passam os anos. Moldam-se a...