quarta-feira, fevereiro 12, 2020

A TRIBO






É esta a minha tribo, a minha essência profunda.
É esta a minha tribo, a força que me alimenta.
É esta a minha casa, que a leveza toca e inunda.
É esta a minha casa, onde o mistério se senta.

É esta a minha raiz, o meu tecto e o meu chão,
a mesa que me sacia, o leito que me descansa.
É esta a minha raiz feita de amor e perdão,
de dar sem esperar, cultivar paz como herança.

É esta a minha tribo, que me moldou a cinzel,
e pelo fogo e água me temperaram,
deram forma, garra, voz, deram ímpeto de corcel.
É esta a minha tribo, os laços que me apertaram,

o caminho que me ensinaram, as asas que me doaram…
É esta a minha tribo, é esta a minha casa; é esta a minha raiz!


Lágrimas de lua

sexta-feira, janeiro 03, 2020

SOMBRAS NA ESTRADA



Quebra a sombra que na estrada se projecta; oblonga e fria,
quebra as amarras que ancoram o barco ao cais, lodoso e triste.
Quebra as neblinas que se arrastam ao nascer de mais um dia,
e pinta novos alvores de sonhos, mesmo se já nada existe.
O tempo presenteia-te a cada suspiro de vento norte,
a vida oferece-te uma nova oportunidade a cada novo luar,
abre os olhos, abre as mãos; o caminho não é só sorte,
é empenho, é alma, é doação e entrega, conjugando o verbo amar.
Quebra a corrente de um passado sem futuro; vive o presente.
O caminho tem pedras, mas há sempre um sol nascente.

Quebra as sombras que na estrada te ensombram…


Lágrimas de lua

segunda-feira, dezembro 23, 2019

FELIZ NATAL - 2020 EM PLENITUDE

Imagem retirada da net


Brilham duas estrelas no alto desta noite escura,
deste caminho mais pobre, desta estrada vazia.
Brilham como sempre brilharam. Agora, na lonjura
que medeia o aqui e o vosso aí, há apenas luz fria,
distancia imensa, um oco trilho vestido de sombra.
Olho o céu, neste desejo mudo que me ensombra,
e vejo duas estrelas que sorriem do alto; serenas,
simples... tão minhas. Meus luzeiros-guias!
São o meu "presépio", o meu "Deus-menino", minhas açucenas
enfeitando o breu destas mãos vazias.
Brilham lá no céu as minhas estrelinhas 
e no coração as saudades minhas.


Lágrimas de lua

VOTOS DE FELIZ E DOCE NATAL

quarta-feira, novembro 27, 2019

SERENO E NOITE ESCURA


Vesti-me de sereno, do negro manto da noite escura,
apaguei todas as estrelas, aconcheguei a doce lua
em cama de alvas nuvens velada por estranha alvura,
soprei desejos de amor na aragem da noite nua.
Soltei os cabelos ao vento da madrugada.
Fui gaivota, fui rapace, fui corça e fui algoz,
percorrendo uma longa e dura estrada.
Semeei-me nos caminhos, brotei de um solo feroz,
e cerrei os dentes à dor, mordi raiva e solidão,
percorri léguas e léguas em busca do meu tempo.
Dei-me à carne, dei-me à vida, jurei a vida ao perdão,
e neste percurso trôpego, ritmado a contra-tempo,
deslizaram auroras e ocasos. Marés sem marinheiros,
barcos que perderam o rumo. Primaveras e estios,
vogaram ventos e vagas, fazendo seus prisioneiros
todos os sonhos, arrepiando os medos sombrios.
Vesti-me de sereno e noite escura,
coroei-me de raios de alvura.



Lágrimas de lua





sábado, novembro 02, 2019

SENTIR ETERNO...INTENSO MOMENTO


Se olhares no horizonte e sonhares além do mar,
se abrires as asas ao vento e aprenderes a voar,
então solta as tuas amarras; liberta a ancora pesada,
pega no leme e nos remos da tua barca encantada
e faz-te ao vento!
Se olhares o voo das gaivotas cruzando as tempestades,
se gritares todas as dores, molhadas de duras saudades,
então serás guerreiro feroz, empunhando fina adaga,
penetrando o âmago do sonho, como onda que propaga
um encanecido lamento.
Se olhares a vida nos olhos, palmilhando-lhe os caminhos,
tortuosos ou singelos, agrestes escarpas ou suaves cantinhos,
então bolinarás nas memórias de tempos idos, algodoados,
de um sentir desmedido; amor eterno, silêncios inteiriçados …
Suspensos em sóbrio momento.





Lágrimas de lua

quarta-feira, outubro 16, 2019

SOU SOMBRA




Sou a sombra que permanece na estrada
alongada de passos feitos, e por cumprir.
Sou a poeira que encobre a vida passada,
e a brisa que escreve o futuro sentir.
Sou a sombra que passa e a sombra que fica,
moldura intemporal de um único caminho,
e sou pergaminho que o tempo certifica,
anciã memória em partilhado escaninho.
Sou a sombra da sombra que o tempo arrasta,
e a poalha fina que o orvalho empoa.
Fantasma efémero, que o sol engasta
em anel de fogo. Ou em afoita proa
de encanecida caravela cortando o mar,
rasgando o caminho, trilhando história.
Sou a sombra que resta d’uma canção de embalar,
sou a sombra esfumada de uma ave migratória.

Lágrimas de lua

domingo, outubro 06, 2019

VOZES DO PASSADO


Se um dia ouvires a voz que se levanta do passado,
perdido, esquecido, duramente silenciado,
não olhes! Não oiças! Não queiras sequer saber.
Afasta todas as palavras e tudo o que possam conter.
Se um dia o coração se rasgar, doendo no peito,
cala-o, como calaste um dia um amor eleito.
Não olhes! Não oiças! Segue, apenas, sem pensar,
olha em frente sem sentir. É assim o teu caminhar.

Se um dia a solidão se abater sobre a tua altivez,
quebrando a dureza e o desamor, então, talvez
entendas o rasgo que abriste sem consideração,
sem dó, sentimentos, respeito ou contemplação.
Se um dia o passado te gritar das profundezas,
não oiças a sua voz! Amordaça-o!  Enche-te de certezas,
essas mesmas com que te vestes e te exibes,
essas mesmas que jamais te coíbes
de mostrar, como grande mestre desta vida.
Se um dia o passado te sondar…mostra-lhe a saída,
como um dia me foi dado provar….

Lágrimas de lua

A TRIBO

É esta a minha tribo, a minha essência profunda. É esta a minha tribo, a força que me alimenta. É esta a minha casa, que a l...