segunda-feira, janeiro 11, 2010

DISTANTE FEITICEIRA

Desce a noite mansa sobre o coração vazio,
a lua feiticeira distante, rebrilha, prateada
no escuro céu, opaco manto frio.
O silencio pesado,minha companhia alada,
caminha denso a meu lado, passo a passo,
percurso batido e sabido que faço
de cor e sem sentido, vogando como folha
na imensidão de um vago sentir não sentindo.
Ao sabor do vento quente flutuo numa bolha
isolada e transparente, subindo sempre subindo,
descendo cada vez mais descendo...
E doendo, doendo, sempre doendo.
Nasce um novo dia sobre o coração vazio,
a bruma fresca da manhã acorda a vida,
só não aquece este eterno e duro frio
que me invade sem tamanho nem medida.

sexta-feira, janeiro 08, 2010

QUANDO


Quando a lua descer sobre as águas

e dos raios prateados tecer sonhos brilhantes,

e o frio da noite calar todas as mágoas

e das duras lágrimas fizer tiaras de diamantes,

o grito trancado na garganta terá voz.

Quando o Inverno cobrir com o seu manto

toda a dor e a agonia, toda esta heresia

de uma alma em chaga e mudo pranto

e enterrar de vez a louca e doce fantasia.

Este grito agudo e mudo terá voz.

E quando o sol romper de novo as trevas

do querer desmesurado e quase maldito,

e tu, alma velha, de novo te atrevas

a acreditar que tudo é possível e infinito,

então o grito cantará no teu peito a plena voz

não mais prisioneiro de um inventado "nós",

liberto dos grilhões de um sonho belo mas atroz

bordado por minhas mãos a ponto de retrós.

Quando a lua descer prateada sobre as águas...

sexta-feira, janeiro 01, 2010

LIVRO NOVO


Livro aberto no regaço

as páginas imaculadas,

aguardam mansas pelo traço

das minha letras desenhadas.

Livro em branco, novo ano.

Quantas linhas por escrever,

quantos sonhos, tristezas e dano,

quantas alegrias por viver?!

Nas tuas páginas desertas

ávidas de tinta e de cor,

escondem-se mil descobertas,

tristeza, sonhos, lágrimas e amor.

Livro aberto no regaço,

caneta à espera entre os dedos,

de escrever mais um pedaço

dos meus sonhos, vida e medos.

Novo livro no regaço...

domingo, dezembro 27, 2009

TEMPESTADE


Há uma ventania que enfuna a vela solta
da pequena barca perdida e já sem rumo,
singra a custo contra a maré revolta
tentando manter a rota, manter o prumo.

Mas o mar teimoso, encapelado e duro
açoitando os flancos desagastados
corrói a madeira, destrói esse muro
que separa as almas dos desgraçados.
E o vento enchendo a vela bamba
empurra, torce, geme grita e rodopia,
sob a sua gritaria a barquinha camba
arrastando as vidas em agonia.
A ventania cresce enrugando as águas,
tragando as almas frágeis num turbilhão,
entrechocam-se as ondas de encontro às fraguas
e as lágrimas descem mansas na solidão.


quarta-feira, dezembro 23, 2009

FESTAS FELIZES

A LUZ, fez-se pequena estrela para iluminar os caminhos dos homens todos os dias das suas vidas.
O AMOR, desceu à terra no choro indefeso de uma criança para que os homens tivessem a VIDA que jamais tem fim.
No NATAL apenas relembramos com mais intensidade tudo isto. Hoje chega-nos mais um NATAL, façamos dele um hino de Glória, Vida, Amor e PAZ.

FELIZ E SANTO NATAL

quarta-feira, dezembro 16, 2009

VERÃO


Acabara de acordar.
Pela janela entrava o sol em jorros luminosos e fortes, embora o dia mal tivesse também acordado, adivinhava-se um belíssimo dia de verão, quente, luminoso, resplandecente e alegre., Espreguiçando-se deleitada e mole da noite bem dormida, descobre o corpo nu e salta da cama, encaminhando os passos para um revigorante duche matinal.
Mas o sol chama-a pela vidraça, descalça e de cabelos em desalinho vai colar o rosto ao vidro já quente, piscando á intensidade luminosa. Pelo jardim corre o melro atrevido que todas as manhãs vem buscar as migalhas que ela lhe deixa cada noite, os pardalinhos reboludos saltitam de migalha em migalha fugindo em piados estridentes do negro e grande melro de vibrante bico amarelo, que reclama o seu quinhão do festim. Duas borboletas brancas dançam o seu bailado de corte nupcial dando um toque de magia á manhã. A verde relva já pede água para manter o seu habitual frescor, mas lança o seu apelo mudo ao rosto que a observa de janela do quarto.
Esquecendo-se das horas, planos, projectos e trabalho, enfia o transparente camisão que usa normalmente sobre o fato de banho e lança-se escada abaixo, abre a porta das traseiras e vai sentar-se sobre o manto verde que cobre o jardim, as mãos afagam as ervas e aos poucos vai deixando descair o corpo, ficando deitada de barriga para cima, olhos fechados apenas sentindo o calor do sol matutino invadi-la aos poucos, as pernas já morenas, os pés nus, as coxas que sob a túnica espreitam, o peito que sobe e desce cadenciado ao ritmo da respiração, e que, mal escondido se evidencia redondo, sob o tecido leve. Os cabelos espalhados pelo chão, tudo é doçura e silêncio.
Um outro rosto contempla da mesma janela, em igual quietude e de respiração suspensa a imagem da mulher que se recorta a seus pés. Aos poucos um sorriso vai-se abrindo no rosto ainda por barbear e com os traços de uma noite tão bem dormida quanto a dela.
Lançando sobre o corpo um roupão leve desce as escadas e entra na cozinha, põe a chaleira ao lume e desce de manso em direcção ao local onde ela permanece de olhos fechados, meio sorriso nos lábios e perfeitamente imóvel.
Sem querer quebrar o idílico momento, estende-se devagar ao seu lado e passa-lhe um braço sobre o corpo, fazendo descer sobre o rosto calmo o seu, para depositar um beijo suave nos lábios entreabertos.
É o Verão, que acolhe aqueles dois corpos vibrantes e plenos de energia, a terra será o leito, e o perfume que dela se eleva mistura-se com um outro não menos forte; O amor feito vida.
Lá do alto o sol lança os seus raios quentes com maior intensidade, penetrando fundo no solo sedento de calor.
As aves espreitam o jardim silencioso, vibrante e transbordante de vida, troca e amor.

quinta-feira, dezembro 10, 2009

INVASÃO DO VAZIO


Um sopro de ar vindo da alma

do mais profundo do ser,

lança nesta aparente calma

a saudade do querer,

a invasão do vazio que morde

pela madrugada.

Cada momento é um acorde

de uma guitarra quebrada

em estranha melodia.

Tão oca sinfonia!

Um sopro de fria verdade

evade-se do fundo do ser,

vem de manso, sem alarde,

vem matando e a morrer.

Notas quebradas de vida

que a vida já esqueceu,

e na fúria da alma sofrida

entregou as armas e morreu.

Acordes vindos do nada

rasgando a alma à desfilada!

O TEMPO PERDIDO NÃO SE RECUPERA

As palavras lançadas não voltam atrás, o tempo perdido já não tem retorno e a vida esvai-se, no silêncio voraz. Fica o caminho, diluído, sem...