sexta-feira, fevereiro 10, 2012

POMBA BRANCA

Uma pomba voa de asas alegres abertas ao sol,


cabeça leve de olhos vivos e brilhantes,


rasga os céus inebriada e louca.


Voa porque é livre, voa porque é jovem,


voa em direcção a sonhos distantes


lindos! perfeitos! cabecinha oca.


E a pomba voa, pelo passar dos anos,


ainda acredita, ainda tem sonhos, ainda tem vigor,



conheceu a magoa, conheceu a dor e os vis enganos


mas voa alegre, voa com pujança, voa com ardor.


E a pomba voa, vão pesando as penas, desfiando o rol


de sonhos desfeitos, tristezas caladas,


desejos rasgados, sombras que se movem


sobre o seu voar de asas cansadas.


E a pomba morre, morre devagar a cada voo magoado,


as asas cortadas, desfeitas as penas pelo seu penar.


E a pomba morre num ultimo voo cansado


já não olha o céu, as nuvens o mar,


morre branca e doce, morre devagar.

sexta-feira, janeiro 27, 2012

SONHO EM FARRAPOS

Feita de brumas insondáveis e vazios incontornaveis

são os desmandos de uma vida.

Desfeitos os sonhos, mortas as esperanças impenetráveis

como rosas desfolhadas na partida.

Suspensos os beijos no adeus que doeu,

perdidos os braços no abraço que morreu,

soluçados os desejos no tempo que terminou

no breve segundo que um suspiro levou.

Feita de densas brumas sem luz nem espaço,

são as veredas de uma vida cativa.

Poema sem rumo, palavras sem tom, pequeno pedaço

de um esfarrapado sonho sem perspectiva.

Feita de brumas...Feita de brumas...Feita de brumas,

tristes, insondáveis, dolorosas e impenetráveis brumas.

quinta-feira, janeiro 19, 2012

NOTAS DE UMA QUALQUER MELODIA


Desconsertadas notas de uma melodia quebrada
sem jeito, sem horas sem passado nem futuro.
Gaivota emudecida em ilha ignota de asas fechadas.
O vento ruge num Inverno gelado e prematuro,
e as notas ouvem-se soltas e dispares, desesperadas.
Melodias sem princípio nem fim, de rouca garganta soluçadas.
Como são tristes e desafinadas! Como são perdidas e ignoradas!
Gaivota sem voo, presa ao chão de olhos no infinito,
asas quebradas de marés por descobrir, por inventar,
vida indefinida ancorada num qualquer porto recôndito
com os dias por nascer com os dias por navegar.
Desconsertadas notas de uma melodia por tocar,
eterna peça por compor, eterno coração a sangrar.
Desconsertada nota de uma melodia incompleta
eterno voo adiado de uma gaivota em ilha deserta.



quinta-feira, dezembro 22, 2011

DE NOVO NATAL...FESTAS FELIZES

Queria que este fosse um Natal diferente...

Queria que o coração voltasse à inocência da infância

que perdesse as manchas negras que a vida lhe pintou.

Queria que este Natal fosse de facto um presente

de olhar doce sem mágoa e sem ânsia

como o olhar puro da criança que a vida ainda não marcou.





Este Natal queria que o mundo parasse e olhasse o céu,

que as mãos se dessem de verdade e com magia,

que o perdão fosse sincero, que se rasgasse o espesso véu

do isolamento em que se vive, que se fizesse um hino à alegria.



Queria que este fosse um Natal diferente...

Queria....Queria tanta coisa simples e pequenina ..

Ou talvez eu queria o impossível porque perfeito.

Apenas posso desejar que o AMOR esteja presente,

que a AMIZADE seja a luz brilhante que ilumina

um caminho nem sempre correcto e sem defeito.



Este Natal de mãos abertas deixo que delas fluam

a simplicidade, a sinceridade, o amor e a paz,

e que num abraço fraterno tudo se misture num único voto;




FESTAS FELIZES e um NATAL VERDADEIRO











quinta-feira, novembro 24, 2011

PÉS NUS

Sob os pés nus, as folhas mortas,

os sonhos rasgados e as esperanças perdidas.

As águas presas entre estanques comportas

debatem-se por liberdades incontidas,

por espaços abertos e margens verdejantes,

por correrem sem tempo saltitantes.

Sob os pés nus o vazio hiante,

o espaço deserto de um inverno escuro,

e a melodia desconsertada e sussurrante

de um trilho apertado, despido e duro.

Vazias as mãos abertas, despido o coração

sem cor. Só o espaço atapetado de imensidão.


Sob os pés nus a vida flui somente...

quinta-feira, novembro 17, 2011

DEIXA.....



Deixa que os olhos da minh'alma te sigam

no escuro aveludado da noite fria,

e que as minhas mãos sedentas se prendam

nas tuas, perdidas e sem sentido.

Deixa que os meus íntimos sonhos te digam

o que a minha boca cala e não cria

e que os meus olhos cansados se rendam

ao devaneio de um luar consentido.


Deixa que o negrume envolva a vida

aninhando-a no seu intemporal seio,

no seu manto de silenciosa perdição.

Deixa que a noite desça dividida

e guarde toda a tristeza que a rasga ao meio,

que a viola sem dó nem compaixão.

Deixa que te toque sem tocar,

permite que te tenha sem ter,

abre a porta eternamente fechada,

deixa-me somente entrar.

Deixa que sem agitar eu possa ser

um balsamo silencioso, uma pétala intocada.



sexta-feira, novembro 04, 2011

MADRUGADA POR ESCREVER

Rompe a tempestade que ruge com um beijo,
afaga os cabelos do desalento com uma carícia,
cobre a solidão com o corpo quente do desejo,
toca a escuridão com o olhar que vicia.
Acolhe no teu peito desnudado as lágrimas frias
de uma nuvem que se desfaz no vento norte.
Grita no silêncio bravio onde anuncias
a nova madrugada de uma incerta sorte.
Rompe a profunda noite emudecida de vida,
rasga a bruma desta lagoa perdida
envolta em tenebrosa perdição.
Solta as velas do novo dia por nascer ,
abraça amorosamente o sonho por escrever
na palma aberta da minha mão.
Rompe o negro mar em convulsão
desfazendo-se em alva e altaneira espuma,
prende forte, em funda caverna, a solidão,
ilumina a penumbra que se esfuma
no toque breve da tua madrugada.
Deixa que os véus da aurora se desfaçam
nos beijos meigos de uma efémera fada
de pés ligeiros e diáfanas asas que traçam
raios de rimas e poemas na pele suada
.

O TEMPO PERDIDO NÃO SE RECUPERA

As palavras lançadas não voltam atrás, o tempo perdido já não tem retorno e a vida esvai-se, no silêncio voraz. Fica o caminho, diluído, sem...