Uma pomba voa de asas alegres abertas ao sol,cabeça leve de olhos vivos e brilhantes,
rasga os céus inebriada e louca.
Voa porque é livre, voa porque é jovem,
voa em direcção a sonhos distantes
lindos! perfeitos! cabecinha oca.
E a pomba voa, pelo passar dos anos,
ainda acredita, ainda tem sonhos, ainda tem vigor,
conheceu a magoa, conheceu a dor e os vis enganos
mas voa alegre, voa com pujança, voa com ardor.
E a pomba voa, vão pesando as penas, desfiando o rol
de sonhos desfeitos, tristezas caladas,
desejos rasgados, sombras que se movem
sobre o seu voar de asas cansadas.
E a pomba morre, morre devagar a cada voo magoado,
as asas cortadas, desfeitas as penas pelo seu penar.
E a pomba morre num ultimo voo cansado
já não olha o céu, as nuvens o mar,
morre branca e doce, morre devagar.







