sexta-feira, junho 08, 2012

DESPI-ME DE TI

Um dia vesti-me de ti como se fosses a minha pele,
perfumada e doce, nívea e perfeita.
Um dia vesti-me de sonhos, de eternidade e de mel,
de cumplicidade satisfeita.
Um dia vesti-me de encantos, abri as asas ao sol,
subi leve na aragem, fui pássaro livre, fui girassol,
fui menina, fui mulher, fui tudo o que de mim te dei,
vela enfunada ao vento, caravela em tenebroso mar,
onda mansa pela areia, fui refugio que criei,
fui abrigo, fui espaço aberto para te aninhar.
Um dia despi-me dos sonhos, de ti e dos meus encantos,
despi-me da pele que não é minha, das mãos vazias
sem graça. Deixei as asas, vagueei pelos recantos
da realidade da vida. Vesti-me de cores sombrias,
como a noite de aveludado e acre sabor.
Um dia despi-me do amor.

sexta-feira, maio 25, 2012

SÓ MAIS UM SONHO...NADA MAIS

Um sonho sem sonho, uma vida por viver,
um passo e mais um passo, pés perdidos
andando sem meta ou rumo.
Um sonho que se dilui até se perder,
linha infíma, ténue, de pensamentos sentidos,
de noites longas, de nevoeiro e fumo.
Um sonho, é só mais um sonho!

Que acaba, que se esvai, que se dilui... é só mais um sonho....

VESTIDA DE SILENCIO

Deixo que o silencio penetre todos os poros da minha pele,
invada o meu espaço e o preencha totalmente.
Deixo que a escuridão me sirva de aveludado lençol
e me envolva num abraço frio de gélida invernia.
Troquei os dias pelas noites e a doçura pelo fel
que tempera cada hora, cada dia duramente.
Troquei o riso pela lágrima calada e desfio o rol
de sonhos por cumprir em forçada alegria.

Abre-se a porta do vazio mais uma vez...
Entrei. 
E nele fiz o meu espaço... outra vez

sexta-feira, abril 27, 2012

LIMBO

Como pétala arrancada da corola,
como folha enrugada levada pela ventania,
como salpico de espuma ancorado no nada.
Como ave sombria em doirada gaiola,
como barco perdido em lenta agonia,
como grito mudo em boca calada.


Como gota de orvalho sem brilho, na madrugada,
levada pelo vento; Vazia,  somente empurrada.

quinta-feira, abril 19, 2012

NOITE DE SOMBRAS

Elevam-se no ar como névoa, os sonhos sem concretização,

parecem apenas poalha, finas gotas em dispersão.

Escorrem pelas mão engelhadas, os anos em catadupa,

dissolvem-se no tempo sem esperança e sem culpa.

Perdem-se os passos na areia que a vida já esqueceu

e o rasto dilui-se nas breves ondas que o mar cedeu.



Olhos perdidos no futuro enlaçados no passado vivido,

ancorados no presente sem cor, fustigados pelo tempo perdido,

criticados, mal amados, incompreendidos, desgastados

e tão tristemente mal entendidos.

Elevam-se na noite como luzeiros, os mudos gritos de dor,

as lágrimas quentes de solidão, os punhos cerrados sem amor.

Eleva-se no escuro manto o alvo e étero corpo, grácil,

delicado, solitário e branco, tão branco! tão frágil!

E num suspiro cansado entrega-se à noite sem fim.



sexta-feira, abril 13, 2012

ABANDONO

Na tempestade abandono o corpo e a alma,
deixo que me sufoque

que simplesmente me afogue,

e que tudo em mim soçobre com calma.


Na distancia abandono os meus sonhos,

as lutas sem sentido e os desejos sem cor.

Abandono os laivos de um efémero amor,

navio fantasma entre nevoeiros medonhos.


No silencio abandono o coração cansado,

as mãos desgastadas, a alma desbotada,

o riso esquecido e a lágrima disfarçada.



No rio da vida abandono o meu ser desencantado





segunda-feira, abril 09, 2012

ENTRE O NEGRO E O VAZIO

Existe um ponto no Universo onde a noite cruza o dia,
onde um único raio de sol invade o negro esquecido e mudo.

Existe um ponto cardeal sem nome, onde morre a poesia,

onde o passado cruza o futuro num abismo cego e surdo.

Existe um presente sem luz, entre sombras desfocado,

entre pensamentos perdido, entre vislumbres aninhado.

Existe um ponto intangível que pelos dedos se escoa,

como água de um mar sem tempo, sem principio, sem idade.

Existe um olhar sem ver, um grito mudo que ecoa

na imensidão de um vazio onde já não vibra a claridade.


Existe a dor que não se diz, o medo que tolhe os passos,

a angustia da incerteza, o perder de todos os laços.
Existe um ponto na Vida onde a noite ensombra o dia,

onde o sol sem força se ergue e ainda tenta romper o negrume,

onde o riso compete com a lágrima, e se abre na manhã fria.

Onde tudo se acaba sem revolta e sem murmúrio ou queixume.

Existe um ponto....Existe um ponto sem retorno ou alegria.

O TEMPO PERDIDO NÃO SE RECUPERA

As palavras lançadas não voltam atrás, o tempo perdido já não tem retorno e a vida esvai-se, no silêncio voraz. Fica o caminho, diluído, sem...