resvalando mansamente para um abismo que desconheço
e não temo.
Vogo como folha perdida em vendaval encarniçado,
como alva espuma em maré viva onde envelheço
mas não tremo.
Deslizo sem ruído pelas dobras desta vida,
ora vou, ora venho...Ora estou, ora fui,
olho sem ver, sonho se sonhar, quero sem querer.
Desejo sem desejar, acredito sem acreditar no amanhecer.
Empurrada, puxada, repartida e dividida,
passo a passo trilho o caminho que se dilui.
Deslizo na imensidão dos pálidos dias sem rumo,
como desfolhada margarida em agreste invernia,
como encanecido carvalho que perdeu o prumo
e se vergou silencioso à gelada ventania....




