A meio caminho entre o principio e o fim,
a dois passados do passado e outros dois do futuro,
olho a estrada nos dois sentidos partindo apenas de mim.
E nas sombras aniladas está um caminho obscuro
que trilhei, andei,
suei, e bem ou mal já percorri.
A meio caminho entre o ido e o que está para vir,
está uma vida meio desfeita, meio perdida, meio esfumada
e dividida. Estão os erros e as lições, está um vazio a
ferir.
Está a vontade de seguir e o desejo de ceder, extenuada.
No meio da estrada da vida o que foi que já vivi?
A meio caminho do fim olho em frente o infinito,
e apenas vejo o passado projectado para a frente.
Está lá o anil nas sombras, e o vazio, negro retinto,
estão lá os ecos passados reflectindo-se obstinadamente
nessa estrada longa e fria. O passado e o futuro estão aqui.
Tocam-se no meu corpo desnudado no fio da meia estrada,
no frio da meia vida, na solidão do atrás e do à frente.
Parada no caminho árido e escuro, como árvore seca e
descarnada.
Olho o passado com nostalgia e o futuro amargamente.
O passado e o futuro chocam-se e fundem-se em mim.






