domingo, fevereiro 15, 2015

HOJE EU SEI...OU NÃO...

Hoje eu sei que a vida passa sem que possamos voltar,
Hoje eu sei que o que não vivo se perde sem se aproveitar.
Hoje eu sei que o amor é o motor para viver,
mas que não ter amor é o motor para morrer.
Hoje eu sei que cada lágrima pode alimentar uma semente
e que cada semente, se cuidada, pode ser “um sol nascente”.
Hoje eu sei que dos dias negros nascerá uma nova aurora,
e que das solitárias noites contadas hora a hora
um dia de sonhos e rosas eventualmente nascerá.
Hoje eu sei que jamais serei capaz de não amar.
Hoje eu sei onde quero estar,

 apenas HOJE eu sei que nunca lá vou chegar…..

terça-feira, fevereiro 03, 2015

LIQUIDA PAIXÃO

Pelas frases passam as lágrimas ecoam os sorrisos
como liquida paixão silenciosa.
Como pérola escondida nas dobras carnudas de uma ostra
perdida e esquecida no fundo do mar.
Pelas palavras escorrem as loucuras e todos os juízos
como liquida paixão harmoniosa.
Como raios de um argênteo luar que  se prostra
aos pés do poeta a sonhar.
Pelas sílabas diluem-se os desejos, amarrados e calados,
como liquida paixão impetuosa.
Como ondas alterosas que se entre chocam sem parar
nos corações inflamados, incendiados.
Pelas letras brincam os sentimentos inquietos acelerados, 
como liquida paixão ansiosa.
Como asas de querubim em voo breve a suspirar
pelas dobras dos delírios inconfessados...

Como liquida paixão silenciosa.... 




quinta-feira, janeiro 15, 2015

ILUSÓRIA NORMALIDADE..

Acordou no escuro do quarto silencioso e calmo, apenas a respiração pausada de anciã se ouvia. Lá fora o sol já brilhava alto no céu azul. Mas isso não importava, pouco sentido fazia. Ali deitada no ambiente morno e aconchegante onde o medo e o desconforto não entravam, estava sossegada, quase feliz. Mas essa sensação não iria durar muito mais. Não que ela soubesse de antemão o que se ia passar, isso não acontecia há alguns anos. Por agora limitava-se a ficar numa espécie de limbo, entre a semi inconsciência e uns laivos da realidade que a rodeava.
Dentro em breve o drama iria começar; Ter que se levantar, ter que se mexer, lavar, vestir, comer… O que lhe passava na ideia, ninguém sabia, apenas quem estava de fora recebia as reacções mais ou menos bruscas, mais ou menos duras e irritadas. O fosso entre a realidade e o que era a “sua” realidade crescia cada vez mais. Porque tinha que se levantar se estava a dormir tão bem sem trazer problemas a ninguém? Porque tinha que se lavar e vestir? Mas porque não a deixavam ficar quieta, calada e sossegada? E pronto lá começava a guerra, a fúria incontida e descarregada sem qualquer controle. Se as situações que aconteciam eram contra o que queria, reagia com agressividade. E ficava por perceber se era o medo, se era o desconforto que as despoletava. Ultrapassada a primeira guerra, que tantas e tantas vezes passava por deixa-la sozinha na casa de banho por alguns minutos, vinha a segunda e talvez mais dura e difícil guerra; comer. Enquanto a sua cabeça não a atraiçoara não fora uma pessoa de comer muito, aliás nunca se lhe ouvira a frase; “tenho fome”! E agora que os circuitos cerebrais estavam mais débeis, todo e qualquer tipo de alimento era sempre saudado com um; “Não quero, não tenho fome”, desespero de quem tinha que tratar e prover ao seu bem-estar e vida. Havia muito que a mastigação e a deglutição tinham perdido a coordenação. Se mastigava não engolia, e para engolir não podia ter nada que mastigar, bastava encontrar um pedacinho de algo sólido na comida passada para ser posto na borda do prato. Mas se se lhe apresentava comida passada era outro desespero, queria comida como os outros e era impressionante como não tinha a noção das suas limitações. 
Que mistérios encerra o cérebro humano!


Por agora reina a calma e depois do stress de levantar e comer algo, a “normalidade” está estampada no rosto. Mesmo sendo uma ilusão, parece que o tempo voltou para trás e os anos e a doença se apagaram. A mansidão no tom de voz, os gestos coordenados e certos, a conversa com tino, coerente e pouco repetitiva. Uma paz ilusória mas tão boa invade o ambiente da sala… O sol da rua inunda estes momentos e empresta-lhes uma beleza que quase parece eterna, quase parece normal. Mas o sorriso já denuncia o alheamento, e paira no rosto sem expressão, a neblina do esquecimento instalou-se de novo…
Foi como que um raio de sol que surgiu num dia de temporal e que as nuvens carregadas esconderam rapidamente.


terça-feira, janeiro 13, 2015

METAMORFOSE DE MIM

Vou despir-me de querer estar e ser o que não faz falta.
Vou encostar-me no meu espaço e calar o que não interessa.
Vou caminhar mansamente,vou esquecer-me como se salta
para a vida de quem não nos quer. Sigo silenciosa e imersa
nas águas escuras do esquecimento.
Vou deixar-me nas marés desta vida sem me debater,
vou ser uma folha no vento,  uma borboleta sem cor,
vou sem me revoltar, sem lutar, sem querer de nada saber.
vou ser uma monocromática paleta de um qualquer pintor,
uma pincelada rasgada sem era ou tempo.
Vou-me despir de quem sou, metamorfose de mulher,
vou ser tudo o que não foi nem sou, e será que o sei ser?
Vou vestir-me deste ano em 365 sonhos por colher,
por semear,  por regar, sachar, adubar e ver crescer.
Vou apenas deixar-me embalar nas ondas de um novo vento.



sexta-feira, janeiro 09, 2015

DE MIM PARA TI....

Oiço a voz do silencio do teu abraço,
um silêncio que preenche no calor dos braços,
na certeza da presença que é o traço
de uma vida que cresceu dos estilhaços,
que tantas vezes assaltaram o caminho.
Este caminho tocado a quatro mãos com carinho.

Oiço a voz do silêncio do teu sorriso,
na gargalhada liberta e solta sem barreiras,
nas loucuras das horas passadas e no riso
controlado, ou nas lágrimas sofridas e verdadeiras.
Vida que cresce a par e passo, empenhadamente,
suada, esforçada, caída e levantada corajosamente.

Oiço a voz do silêncio em ti e em mim no bater uníssono do coração.


quarta-feira, dezembro 31, 2014

ANO NOVO - Esperança





Tragam nos olhos a centelha da esperança,
por mais louca que pareça.
Tragam nas mãos a temperança
por mais improvável que aconteça.
Tragam no coração o amor,
por mais ausente que seja,
tragam na alma o calor
por mais fria que ela esteja.
Tragam na vida a força do querer sem ter limites.
Tragam na vida a coragem de ultrapassar todos os trâmites.
Tragam os sonhos, sem medo, as alegrias também,
tragam a tristeza e a dor porque a vida as contém.
Mas tragam os passos concretos, que marcam a vida a passar,
tragam os braços abertos prontos para abraçar,
nos lábios as suaves palavras que dão alento a quem chora
e nas mãos a coragem presente para dar p'la vida fora.

Tragam nos olhos a esperança, por mais louca que pareça!
E no coração o amor sem deixar que se desvaneça.


Desejo-vos a todos um FELIZ E EXCELENTE 2015

quinta-feira, dezembro 18, 2014

FESTAS FELIZES

Veio o frio, veio a chuva, veio o cheiro de Natal.
Veio o pinheiro, o presépio e a mesa...Tudo igual...

Veio a ausência, o olhar perdido, veio o vazio sem fim,
veio a mão aberta sem rumo, sobre a mesa, só assim...

Mas Natal é tempo de sorrisos, de calor e alegria,
de alma plena e coração ardendo sem tanta "fantasia".

Desejo a todos que este Natal se deixem tocar pelo que realmente importa, realmente conta e faz sentido; Que nos "sapatinhos" possam encontrar em abundância

A M O R 
          P R E S E N Ç A
                                E S P E R A N Ç A
                                                          S A Ú D E
                                                                        P A Z



FESTAS FELIZES


O TEMPO PERDIDO NÃO SE RECUPERA

As palavras lançadas não voltam atrás, o tempo perdido já não tem retorno e a vida esvai-se, no silêncio voraz. Fica o caminho, diluído, sem...