quinta-feira, agosto 04, 2016

ANJO CAÍDO



Anjo caído de um céu sem sombras
de uma vida pintada a tons de eternidade.
Anjo de enganadoras asas trazendo nas dobras
o gosto amargo da mais dura crueldade.
Anjo caído de um céu de murchas rosas
repletas de sonhos, amachucados,
de poemas sentidos e vibrantes prosas
escritas em momentos, perpetuados
em cada vírgula, em cada ponto, em cada linha.
Anjo caído de um coração soçobrado
no mais profundo e negro abismo.
Anjo parido de um amor amaldiçoado,
de um desejo vil e de um egoísmo
impar. Brutal. Desumano.
Anjo caído de uma vida que deixaste suspensa
num breve instante sem cor nem som.
Anjo caído que arrastas tudo numa queda imensa
de falsa moralidade, de podre mascarado de bom.

Anjo caído, de que céu caíste tu?

quinta-feira, julho 28, 2016

UMA ESTRELA



Uma lágrima e uma estrela.
Um vazio e um saber que não partiste,
que permaneces no que sou.
Ainda que a saudade aperte
e a dor não esmoreça.

Uma lágrima e uma estrela.
Um beijo que fure a distancia
e que te toque... Soubesse eu que era possível!!
Um soluço que não calo.

Uma lágrima e uma estrela
e um ano de saudade



sábado, julho 23, 2016

POR ESTE DIA, SEMPRE



Perdi-te um dia nas voltas da vida, mas continuas em mim,
como não se me deste a vida!
Perdi-te e no entanto tenho-te presente, como concha vazia,
como casa sem gente, como pão sem miolo, como boca sem palavras.
E olho-te e vejo-te como sempre, mas nessa tua realidade fria
onde permaneces encarcerada, somando dias que lavras
sem sentido e sem destino, passando apenas a passar.
Perdi-te um dia nas voltas da vida, mas continuas em mim,
como não se me deste a vida!
E olhar-te é ver o vazio, ver o vago e o difuso, ver o nada neste mundo.
E é saber não saber o que sabes, nem perceber o que sentes e queres,
Se é que ainda queres… É mergulhar no teu olhar já sem fundo
onde a vida se foi apagando e o tino se foi perdendo. Soubesse eu o que preferes!
Soubesse eu ler-te o vazio que se instalou, veio sem aviso a alastrar…
Perdi-te um dia nas voltas da vida, mas continuas em mim,
como não se me deste a vida!




sábado, julho 16, 2016

HÁ...HAVERÁ SEMPRE


Há razões que a razão desconhece. Há dores que a dor não esquece.
Há momentos que o tempo não dilui. Há sonhos que a memória substitui.
Há promessas que se deveriam cumprir e há desejos que não deviam existir.

Há uma vida para além de cada encruzilhada, que é preciso agarrar,
há sombras que prendem os passos que é preciso saber largar.
Há espaços vazios que tem que se preencher e lágrimas que tem que se reter.

E há uma tela inacabada por pintar e uma aurora por nascer e acordar.
Haverá um novo sol e uma nova lua por inventar mergulhados num estranho mar.
Haverá um inverno e um verão por celebrar com cores de primavera por estrear.

Porque há razões que a razão desconhece e porque há dores que dor não esquece.



sábado, julho 09, 2016

DESTINO? QUEM SABE?





Talvez seja o destino ou o "fado" que trazemos à nascença
ou talvez seja a vida somente, a que fazemos e desfazemos,
a que plantamos e deixamos secar. Talvez seja só coincidência,
ou a mão do Pai no nosso caminho. Ou apenas o que queremos,
o que sonhamos, desejamos, lutamos e por fim perdemos.

Talvez seja o destino traçado na palma da nossa mão,
talvez seja o fado fadado, cantado pelas vielas da vida.
Quem sabe se não é só imagem num espelho, uma inversão?!
Seja o que for foi-me entregue, selado e sem contrapartida.
Será apenas o que queremos, sonhamos e por fim perdemos.

O que me for destinado a mim virá, diz o povo e ele sabe.
O que tiver que ser, será. Mas até onde vai a dor? E a tristeza?
Até onde vai o silencio de um coração onde já nada cabe
a não ser um Ser que um dia foi metade e hoje é a certeza
de ter sido. Passado. Perdido. Vivido. O que foi sonhado e por fim...esquecido.

Mas... Se calhar é o destino que trazemos à nascença, sabe-o Deus e mais ninguém!

segunda-feira, junho 27, 2016

SEM CHAMA



Não alimentes uma fogueira que já não tem lenha por onde arder,
Não alimentes a ave que morreu na manhã gelada da solidão.
Não alimentes. Não alimentes os sonhos que só te fizeram perder
o pé, o rumo, o tempo, a estrada da vida na curva da desilusão.
Não alimentes. Não alimentes a ilusão que tu própria criaste
com a força de um sentimento avassalador e transcendente.
Apaga as pegadas que ficaram na areia que já trilhaste
e segue, segue de “pé como as árvores”, ou como sol incandescente.
Mas não alimentes a fogueira nem a chama, não alimentes a mentira
que pautou o teu caminhar, cuidando que era verdade e que te era destinada.
Não, não alimentes esse sonho, essa miragem que a saudade revestira
de vã esperança, de louca obstinação. Não, não alimentes a chama condenada,

o tempo já esfumou a sua luz, resta deixar que arrefeça e se desfaça em esquecimento.


imagem retirada da net

terça-feira, junho 07, 2016

SEGUIR EM FRENTE... SEM OLHAR PARA TRÁS



Ser capaz de olhar em frente sem olhar para trás e esquecer,
arrumar no fundo de um baú o vida passada e já vivida,
o que fiz e não fiz é passado. Está vivido não volta a acontecer.
Ser capaz de seguir em frente deixando a memória contida
num espaço limitado e escuro onde só o pó se acumule.
Onde só a força de vontade impere e regule
todos os sentimentos, todas as memórias e sonhos.
Ser capaz de arrancar os sentimentos do lugar onde enraizaram,
onde criaram espaço e se aninharam confiantes e risonhos.
É preciso extirpar a dor e a mágoa de onde se deitaram,
de onde não saem e se agitam como medusas hediondas.
Como máscaras de sátiros ou de entidades nefandas.
Ser capaz de olhar em frente sem olhar para o passado,
esse já foi vivido! Foi o que foi, não importa se nada ficou,
importa que foi vivido, bem ou mal está acabado.


Seguir em frente enterrando tudo aquilo que já passou.



O TEMPO PERDIDO NÃO SE RECUPERA

As palavras lançadas não voltam atrás, o tempo perdido já não tem retorno e a vida esvai-se, no silêncio voraz. Fica o caminho, diluído, sem...