Sou mãe do nada ancorado no arrabalde de um sonho.
Sou a mão que a neblina estende enfeitando o infinito,
sou o que não sou, mascarando o passado e o bisonho,
e sou um caminho por trilhar em mágico e estranho rito.
Sou mãe do nada que emoldura a vida, escorrendo de uma ária
solfejada em Dó Menor, Ré sustenido. Barítono enamorado
de uma encantada Moura, qual musa enfeitiçante e lendária.
Sou o que toco na caricia da pele, no beijo efémero, apenas
sonhado.
Sou mãe do nada que brinca por entre os vetustos troncos
ardentes,
mordendo histórias que o tempo encerra, e os homens
esquecem.
Sou vento norte e brisa do mar; salgada, subindo falésias
recrudescentes.
Sou o corpo que viaja entre o tudo e o nada, sou olhos que
enfraquecem
e mãos que prendem o vazio, escorrendo como água; verde e
azul.
Como gotas de um sol gasto, duramente encanecido,
como pétalas soltas, abandonadas ao cálido vento sul.
Sou mãe de um nada ou de um tudo; um início há muito
esquecido.
Lágrimas de lua









