quinta-feira, setembro 22, 2011

TODAS AS MARÉS



Se olho para trás, se olho para a frente, somente o vazio me acolhe.


Se olho para os passos que dou, apenas o pó se cola aos pés.


Depois da plenitude vem sempre a queda e só ela me recolhe


nos braços amantes de quem conhece todas as marés,


todos os ir e vir sem rumo certo, sem consistência ou futuro.


Até quando esta caminhada, este rumar a uma meta incerta?


Até quando este vendaval de sentimentos que se abate duro


sobre mim? Sem medida, sem solução, sem decisão certa.


Este limbo estranho e descolorido, onde impera o cinzento,


é o vestido que me cobre o corpo abandonado e vazio,


que se amordaça a si mesmo no silencioso lamento


de um beijo que se perdeu no caminho longo e frio.

2 comentários:

A.S. disse...

Deixa-te navegar ao sabor das emoções, sobre a sensualidade das ondas, encontrarás os braços amantes que conhecem todas as marés!!!

Gostei do teu poema. Muito!...


Beijos,
AL

rita disse...

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