quarta-feira, dezembro 16, 2009

VERÃO


Acabara de acordar.
Pela janela entrava o sol em jorros luminosos e fortes, embora o dia mal tivesse também acordado, adivinhava-se um belíssimo dia de verão, quente, luminoso, resplandecente e alegre., Espreguiçando-se deleitada e mole da noite bem dormida, descobre o corpo nu e salta da cama, encaminhando os passos para um revigorante duche matinal.
Mas o sol chama-a pela vidraça, descalça e de cabelos em desalinho vai colar o rosto ao vidro já quente, piscando á intensidade luminosa. Pelo jardim corre o melro atrevido que todas as manhãs vem buscar as migalhas que ela lhe deixa cada noite, os pardalinhos reboludos saltitam de migalha em migalha fugindo em piados estridentes do negro e grande melro de vibrante bico amarelo, que reclama o seu quinhão do festim. Duas borboletas brancas dançam o seu bailado de corte nupcial dando um toque de magia á manhã. A verde relva já pede água para manter o seu habitual frescor, mas lança o seu apelo mudo ao rosto que a observa de janela do quarto.
Esquecendo-se das horas, planos, projectos e trabalho, enfia o transparente camisão que usa normalmente sobre o fato de banho e lança-se escada abaixo, abre a porta das traseiras e vai sentar-se sobre o manto verde que cobre o jardim, as mãos afagam as ervas e aos poucos vai deixando descair o corpo, ficando deitada de barriga para cima, olhos fechados apenas sentindo o calor do sol matutino invadi-la aos poucos, as pernas já morenas, os pés nus, as coxas que sob a túnica espreitam, o peito que sobe e desce cadenciado ao ritmo da respiração, e que, mal escondido se evidencia redondo, sob o tecido leve. Os cabelos espalhados pelo chão, tudo é doçura e silêncio.
Um outro rosto contempla da mesma janela, em igual quietude e de respiração suspensa a imagem da mulher que se recorta a seus pés. Aos poucos um sorriso vai-se abrindo no rosto ainda por barbear e com os traços de uma noite tão bem dormida quanto a dela.
Lançando sobre o corpo um roupão leve desce as escadas e entra na cozinha, põe a chaleira ao lume e desce de manso em direcção ao local onde ela permanece de olhos fechados, meio sorriso nos lábios e perfeitamente imóvel.
Sem querer quebrar o idílico momento, estende-se devagar ao seu lado e passa-lhe um braço sobre o corpo, fazendo descer sobre o rosto calmo o seu, para depositar um beijo suave nos lábios entreabertos.
É o Verão, que acolhe aqueles dois corpos vibrantes e plenos de energia, a terra será o leito, e o perfume que dela se eleva mistura-se com um outro não menos forte; O amor feito vida.
Lá do alto o sol lança os seus raios quentes com maior intensidade, penetrando fundo no solo sedento de calor.
As aves espreitam o jardim silencioso, vibrante e transbordante de vida, troca e amor.

quinta-feira, dezembro 10, 2009

INVASÃO DO VAZIO


Um sopro de ar vindo da alma

do mais profundo do ser,

lança nesta aparente calma

a saudade do querer,

a invasão do vazio que morde

pela madrugada.

Cada momento é um acorde

de uma guitarra quebrada

em estranha melodia.

Tão oca sinfonia!

Um sopro de fria verdade

evade-se do fundo do ser,

vem de manso, sem alarde,

vem matando e a morrer.

Notas quebradas de vida

que a vida já esqueceu,

e na fúria da alma sofrida

entregou as armas e morreu.

Acordes vindos do nada

rasgando a alma à desfilada!

segunda-feira, novembro 30, 2009

WHAT'S THE USE...


Smile, what's de use of crying?
Life is never what we wish for,
but if we keep the sun shining
life will be worth living for.
Smile, what's the use of crying?
Time goes by and days come and go
the pain never vanish, still hurting,
still missing my link. My broken link;
You.
But...Smile, what's the use of crying?!
There's no answer to my questions,
so I go, step by step… Smiling...
What's the use of crying, anyway?

quinta-feira, novembro 05, 2009

SEM ABRIGO

Passa o tempo
não o vazio,
passam os dias
não a ausencia.
Passa o tempo
neste lamento
de quem no vazio
sente eterno frio.
Passam os dias
sem alegrias
e a tua ausencia
é a permanencia
desta dor que não abranda,
que caminha comigo
no silencio que comanda
este seguir sem abrigo.

terça-feira, outubro 27, 2009

DESAGREGAÇÃO


Partiste um pilar na minha estrutura
mal estruturada e insegura,
deixaste o teu lugar tão vazio,
tão nu e tão, mas tão frio.
Partiste um pilar da minha vida,
e nada se recompõe, estou dividida
entre a saudade e a incerteza
se quero continuar.
Diz-me, será esta a minha fraqueza
de não querer mais em frente olhar?
O tempo passa mas tu ficas
preso, ancorado no meu porto,
e as nossas memórias, as mais ricas
doem, doem como dói o meu morto.
Partiste de mim um pilar; Tu,
faltam os lugares, as palavras,
tudo é tão desesperadamente nu,
faltam as conversas que falavas.
Porque partiste? Porque não estás?
Porque deixaste este vazio desajustado
este travo de horas más,
este querer-te desmesurado?

segunda-feira, outubro 05, 2009

DO OUTRO LADO DO ESPELHO...TU

Como o sol no horizonte descendo lentamente

assim a vida ser recompõe suavemente.

Dói saber que já não estás, ou estarás,

mas se for verdade, sei que me verás,

desse lado do espelho, desse lado da vida.


Como pudeste pensar que vivo sem ti?

Como me deixaste sozinha aqui?

A vida volta aos poucos ao lugar

mas o meu coração continua a sangrar,
e eu...Ainda tão dividida.

Não te posso ver, não podes voltar,

não te posso sentir, tenho que ultrapassar

esta dor de perder-te meu amigo!

E saber que não vais estar mais aqui comigo.

Envia-me a força de que sempre me falaste,

desse lado do espelho para cá.

O "fio" que me ensinaste e entre nós criaste

não foi destruído pela tua morte e está

na minha mão e na tua..Só o espelho nos separa...

Tu vês-me eu não.


sábado, outubro 03, 2009

O TEMPO ...ETERNO E DURO


Passa o tempo, as horas, os dias,

passam os locais, e as memórias

passam diante do meus olhos.

Ainda há pouco tu te rias

e querias celebrar novas vitórias,

viver novos desafios sem escolhos.

Agora a cinza espalha-se no ar

e o teu sorriso peculiar

cola-se à minha lembrança

como uma lapa ao rochedo.

Custa viver sem a esperança

de te voltar a ver! É o degredo

saber que não voltas, não estás!

Cruzar lugares, pessoas, memórias,

anos vividos, coisas boas e más,

tantas foram as nossas histórias

que lhes perdi o conto.

E o nosso ponto de encontro

hoje é deserto e vazio,

perdeu o encanto..Faltas tu!

Mas porque está tudo tão frio????

Faltas tu!

O TEMPO PERDIDO NÃO SE RECUPERA

As palavras lançadas não voltam atrás, o tempo perdido já não tem retorno e a vida esvai-se, no silêncio voraz. Fica o caminho, diluído, sem...