terça-feira, novembro 25, 2008

INVERNIA

No frio da estrada deserta

ecoam os passos pedidos

martelando a calçada.

De alma nua e desperta

entre soluços sofridos

de lágrimas enfeitada.

Soam os passos sem rumo

pelas pedras desbotadas,

como folhas arrancadas,

páginas feitas de fumo.

No frio deserto da noite,

escorrendo, o silencio magoa.

Barca de negra proa

sem porto que a acoite.

As pedras de olhos baços

engolem os passos perdidos,

escrevem no eco os traços

dos sonhos desvanecidos.

E só o frio trespassa, gélido

sem piedade...



sábado, setembro 20, 2008

PARTI...

De pés nus e alma errante


abandonei-me ao destino,


perdi-me nas ondas do levante


transformei-me em orvalho fino.


Caí do céu, molhei a terra,


lavei as mágoas, enchi ribeiros,


afundei-me nas entranhas da serra,


escorri distante pelos carreiros.


Fui lama, fui cinza, fui sal,

fui vento agreste ao por do dia,

fui todo o bem e todo o mal,

fui o carrasco e quem sofria.

Parti num dia de nevoeiro

sem deixar rasto ou sombra,

apenas um leve cheiro

de musgo, Outono e poesia.

domingo, setembro 14, 2008

ALMA ERRANTE

Nasce o sol, cresce a lua,

passam as horas e viram os dias.

A minha alma errante e nua

vagueia descalça, sozinha e sombria.

Trilha cada pedaço de céu

em passos doridos na terra,

clama por um aconchego só seu

para encontrar apenas a guerra,

esta guerra surda e fria

sem tino e desgovernada,

em que se lança à porfia

sem sentido, nem esp'rança nem nada!

Quantos sois e quantas luas

mais terá que ver nascer?

Quantas lutas duras e cruas

mais terá que combater?!

domingo, setembro 07, 2008

PARAR O TEMPO


Se ao correr da mão o tempo parasse, e ao piscar de olhos o nada fosse tudo, se o nascer de cada aurora deparasse com um mundo novo, belo, limpo e mudo! Completamente mudo, em que o som do silêncio se elevasse calmamente, nos preenchesse, nos aninhasse, nos desse a mão e encaminhasse para a vida docemente. Ah como serio belo o mundo! Como seria perfeita a vida!
Ouvir o silêncio, beber a vida, perceber o simples pulsar da semente a crescer.
Senti-la pequena, dividida, subdividida, repartida, tripartida e por fim…Florescer! Se ao correr da mão o tempo se aquietasse, se ao correr das horas congelasse o momento preciso em que te toco… Se o tempo me desse tempo, se a vida me desse a VIDA, essa que eu não troco por nada que a vida tenha. Ah se o tempo se imobilizasse, e eu pudesse apenas ter-te!

quarta-feira, setembro 03, 2008

VENCER/PERDER

Quando se vence ?

Quando se perde?

Quem vence e quem perde?

Há um vencido para haver um vencedor,

há um vencedor para haver um vencido.


Hoje ganho...Amanhã perco,

hoje choro...Amanhã rio.

Para eu rir alguém chora,

para eu chorar alguém ri.

Há um vencido para haver um vencedor,

há um vencedor para haver um vencido.


Quando se vence na realidade?

Quando se perde de verdade?

Quem perde e quem vence?

Há um vencedor para haver um vencido,

há um vencido para haver um vencedor.


Nesta vida quem vence? Quem perde?

sábado, agosto 30, 2008

NÃO PENSES! NÃO SINTAS!


Tu oh cabeça, não penses
e tu coração não sintas.
Minh’alma olha que mentes
ao pintares com essas tintas
este quadro que é meu!
Vê bem que é escuro de breu
e não brilhante e colorido,
cabeça deixa de pensar
tira daí o sentido!
Coração, porque não parar?
Simplesmente deixares-te ficar
como que adormecido e calar
tudo o que dentro te vai.
Alma, cala-te, aquieta-te e esquece,
tudo o que entra, um dia … Sai!
Nada resta, fica ou permanece.
Por isso, tu cabeça, não penses!
E tu coração, não sintas!
Alma, cresce e luta que vences
esta batalha de fintas!

sexta-feira, agosto 29, 2008

CORAÇÕES DE PEDRA

Corações de pedra, intransigentes,

corações duros e prepotentes.

Como se vive com uma pedra no peito,

actuando e falando de forma diferente?

Como se dorme tranquilo no leito

depois de arrasar uma vida latente?

De que serve dizer "perdão"?
De que serve à palamatória dar a mão,

se o coração é uma pedra, fria e dura?

De que serve a intransigência nesta vida,

se amanhã a nossa alma mais ou menos pura

vai entregar-se ao Criador? Só Ele a dá como perdida

ou como outra coisa qualquer.

Porquê uma pedra insensível no lugar de coração?

Porque não perceber um coração de mulher

e a força singela da sua razão?

Como se vive com uma pedra no peito,

e na alma se exige o maior respeito?

Corações de pedra, corações duros,

que criam barreiras e elevam muros!


O TEMPO PERDIDO NÃO SE RECUPERA

As palavras lançadas não voltam atrás, o tempo perdido já não tem retorno e a vida esvai-se, no silêncio voraz. Fica o caminho, diluído, sem...