sexta-feira, abril 01, 2016

VIVE-SE PARA A FRENTE...ENTENDE-SE PARA TRÁS



É bem verdade que só entendemos a vida olhando para trás, mas só a conseguiremos viver olhando para a frente. E que se soubéssemos o que nos espera em frente provavelmente fugiríamos a toda a velocidade, ou faríamos os impossíveis por modificar alguma coisa. É também verdade que se tivéssemos o poder da adivinhação daríamos muito mais valor aos momentos quando passamos por eles, sabendo que todos estão destinados a terem um fim. Claro que vivemos os nossos momentos e os valorizamos! Mas penso que os aproveitaríamos muito mas muito mais, se nos lembrássemos que podem terminar a qualquer instante, que tudo é efémero e finito. Se nos lembrássemos daquele ditado popular; “Tudo o que tem princípio tem fim”.

Tudo o que já se viveu, agora olhando para o início das nossas estradas, provavelmente poderia ter sido vivido de outra forma. Poderia ter sido mais bem vivido, ou aproveitado, poderia ter sido mais intenso, ou quem sabe, menos intenso até, se soubéssemos na altura o que nos esperava. Quantos de nós não pensaram já; - Se tivesse estado mais com A,B, ou C… Se tivesse saído mais e visto mais mundo… Se não tivesse amado desta forma….Se não me tivesse entregue a A, B.ou C…. Se tivesse feito isto, ou aquilo… Não, não digo que haja arrependimento! Longe disso! Apenas que se calhar muitos pensamos, depois dos factos passados, que poderíamos ter tido outra atitude, outra postura, outra forma de viver. Não como uma forma de “penalização” pessoal ou remorso, apenas como uma constatação de vida.

Devíamos todos de ter bem presente a efemeridade da vida. O quão ténue e fugaz é a sua passagem. Nós, enquanto pessoas, apenas atravessamos este lapso de tempo chamado VIDA. Como tal não nos devíamos esquecer de aproveitar o mais simples e singelo momento. O mais ténue dos sentimentos, a mais insignificante das coisas que nos cruzam o caminho. Cada vez mais acredito que só assim podemos dizer no final dos nossos dias – Eu vivi. Após momentos traumáticos, desgostos e feridas abertas por mãos que não se espera que o façam tendemos a olhar mais profundamente para vida, para a nossa vida. Aquele pedaço de estrada já percorrido – entender “para trás”, para poder “viver para a frente”. E é nestes olhares que aprendemos. Que paramos a nossa azáfama do dia-a-dia para pensar em nós, pessoas, humanos, com sentimentos, com desejos, com ansias e frustrações. E é nestes momentos que valorizamos o que já tínhamos valorizado, mas não o suficiente. Que queremos voltar a ter os momentos que nos foram queridos e que, porque o tempo não para, já não voltam. Fazem apenas e só parte da estrada percorrida.


Há que aprender com estes momentos de introspecção a passar a viver de outra forma. Mais intensa, mais vibrante, mais valorizada. Aprender a joeirar o que na realidade não importa daquilo que é essencial e único, daquilo que vale mesmo a pena dar atenção e VIVER VALORIZANDO. É um processo em que iremos consumir a vida terrena, porque penso que viemos a este mundo para lutar por ser melhor, para aprender, para cair e levantar as vezes que tiver que ser. Está nas nossas mãos terminar a nossa breve passagem enriquecidos e plenos de frutos que as nossas sementes deram.

1 comentário:

A.S. disse...

Acompanho a tua reflexão... e quase me revejo
em cada uma das tuas palavras!

Beijos...
AL

O TEMPO PERDIDO NÃO SE RECUPERA

As palavras lançadas não voltam atrás, o tempo perdido já não tem retorno e a vida esvai-se, no silêncio voraz. Fica o caminho, diluído, sem...