quarta-feira, setembro 19, 2018

CAIS DE ANTEPASSADAS PEDRAS




Imagem retirada da net











Um rasto de luz, uma porta entreaberta,
um sopro de verde, uma lágrima de vento,
notas soltas no sereno pela mão da feiticeira
que da lua espreita, esta ilha deserta,
este chão de pedras magoadas de esquecimento.
Uma barca sem leme pela bruma aventureira.

Uma voz que desliza, nas sombras de uma inventada aurora,
porque não sabe se acorda, se grita, se ri ou chora.
Um olhar sem idade, nas encruzilhadas do nada,
porque perdeu o combate, porque sucumbiu ao fio da espada.

Uma criança que espera no cais de todos os adeus,
embebido de águas sem tempo, de um azul profundo,
de um grito de prazer amordaçado pela mão do vazio.
Um dia que adormece nos braços robustos dos plebeus,
repousando da fome e da imensidão do mundo.
Uma carta sem palavras no mais sano desvario.

Uma pedra laçada, uma onda maior, uma praia sem mim,
uma aurora anunciada em noites de veludo e jasmim.
Uma taça doirada, de fel adornada, um beijo suspenso,
uma vida lacada, uma tela inacabada no suave perfume de incenso.

Lágrimas de lua

4 comentários:

Jaime Portela disse...

Um poema profundo, que exige uma leitura atenta e demorada.
Li-o três ou quatros vezes e fiquei com uma certeza: é um excelente poema, ao nível dos teus melhores e ao nível dos bons poetas. Parabéns pelo teu talento e inspiração.
Querida amiga, um bom fim de semana.
Beijo.

Lua Azul disse...

É difícil atracar num cais de pedras.
Gostei bastante do seu poema; só tem um senão: o tamanho da letra! Torna até difícil fazer uma ideia do poema!

Lua Azul disse...

Beijo!

A.S. disse...

Haverá sempre um cais de partidas tristes e chegadas promissoras.
Há ainda um cais
sempre a perguntar
para onde vais?

Beijos de luar.

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