quinta-feira, janeiro 24, 2019

OPACIDADE DOS DIAS





São ocas as palavras que pendem de olhos fechados,
de corações anquilosados, num bater sem ritmo,
sem cor, nem idade. São ocos os sonhos guardados
no baú da dor, na rigidez nua de um algoritmo,
ou no gume de uma adaga, que a História corrompeu.
São esfumadas as memórias que a vida já viveu.

São ocas as palavras que escorrem de lábios lilases,
que se escondem nas rugas de uma crua mentira.
São ocas as mãos que sustentam dias vorazes
e noites de insónia, onde a solidão ecoa e suspira.
São ocos os passos que pisam o caminho errante,
deslizando, sem norte, sempre para jusante.

Ocas são as palavras, ocos os pensamentos,
ocas as vidas empurradas por duros ventos.
Ocas são as bocas que amassam o amor,
destruindo-lhe a essência, pintando-o de dor.


Lágrimas de lua

5 comentários:

Quase Cinderela disse...

Poema maravilhoso!
Tão cheio de sentido e sentimento.
Parabéns!
Beijinho

Jaime Portela disse...

Há muitas coisas ocas, mas também as há bem cheias...
Excelente poema, gostei muito.
Querida amiga, continuação de boa semana.
Beijo.

saudade disse...

Tudo o que é oco necessita de ser cheio.....
Beijo de....
Saudade

LuísM Castanheira disse...

Gosto muito deste seu novo visual, minha amiga.
A pa'gina ganhou uma intensa vida nas cores outonais.
Do poema direi o seguinte: nao se pode viver so' de recordacoes;
ficam assim os sonhos esquecidos (anulados) e, sonhar ainda e' preciso.
Dele gostei e, das ocas palavras, concordo. Ouvir (e saber ouvir) e' mais importante
do que, por vezes falar, sem ter nada de novo a dizer.

Boa e feliz semana
Um beijo

Jaime Portela disse...

Gostei de reler este excelente poema.
Cara amiga, continuação de boa semana.
Beijo.

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