sábado, setembro 14, 2013

ADAGA





Há nesta noite um mar de silencio que se abate sobre a alma,
como ave de rapina sobre a indefesa presa que descuida de si.
Há um punhal de realidade absurda e de incongruente calma
enterrado no mais profundo do meu ser, abrindo mesmo ali
no coração um lenho dorido, uma ferida jamais sarada,
jamais consertada, remendada. Jamais calada ou reparada.
Há nesta noite um raio de luar prateado que me transporta
para bem longe daqui. Para um lugar mágico e encantado
onde tudo para e paira , tudo flutua. Um lugar que comporta
o sonho, o desejo, o riso e a lágrima, o segredo mais guardado.
E há esta adaga que me acorda, me desperta de devaneios,
não me permite perder-me em sonhos, e me acorda sem rodeios
para a dura realidade - Este silencio rapace que devora esta alma,
que consome o coração, que obriga ao grito magoado e mudo
que na garganta veio morrer, como um pranto que se acalma
em lágrimas de intensa dor. Como um sacrílego tributo
a um moribundo amor