quinta-feira, novembro 30, 2017

AO SABOR DE UM VENTO....





E quando todos os muros nada mais forem que chuva,
e todas as notas, melodias de um violino gasto pela vida,
todas as lágrimas forem uma saudade de partida,
então todas as gotas de orvalho serão diamantes,
e todas as pétalas serão promessas de eternidade.
E quando todas as mágoas se diluírem na simplicidade
de um olhar, na magia de uma melodia sem norte,
na graciosidade do voo de uma gaivota sem rumo.
Então os passos serão somente um leve fumo
que se eleva suave na noite que cai devagar.


               .......................


Soltem-se os ventos do oblívio, 
e as chuvas de pacificação e alívio.
Soltem-se todas as lembranças ancoradas
num cais de podres dores amordaçadas.
Soltem-se palavras caladas e olhares perdidos
e voem as vãs esperas e obtusos sentidos.
Soltem-se as amarras de um tempo esfumado
e os odores de um passado perfumado.
Hoje, há um vulcão de pedras brancas em ebulição,
e o voo de uma pomba de paz e sonho, de esperança e perdão.


           ...........................


Letra a letra nascem as sombras escritas
por entre os rochedos de memórias foscas.
E ouvem-se frases, risos, mentiras ditas
como se se  tratassem de verdades toscas.
Letra a letra compõe-se a melodia
de um poema sem tempo nem idade,
pétalas brancas de falsidade luzidia
guardadas num livro de eternidade.

                                                                                                                                                                                                     Lágrimas de lua

sexta-feira, novembro 17, 2017

NOVA NASCENTE

Vim beber a vida aos horizontes da alma,
 olhei o infinito que contém uma esperança,
quebrei amarras, lancei as velas de temperança.
Despi o manto de negro fumo e falsa calma.
Vim ver o outro lado do mundo; que não conheço,
onde tropeço, mas me embrenho e recomeço.

Vim beber a aurora aos horizontes do amor,
ainda que haja noite, penumbra e sombra,
haverá sempre a esperança, remédio que desensombra
as agruras do caminho. Bebo naquele rubro fragor
de quem semeia novas sementes em terras de poesia,
em sonhos de menina, em trajes de fantasia.
Vim beber a vida aos horizontes da alma.


Nasce o dia: um novo dia, esplendor que acalma
                                                                                                                                                                                                Lágrimas de lua

sábado, novembro 04, 2017

UM DIA... AS BRUMAS, MAIS NADA



Um dia, a luz é só uma luz e o sol apenas um brilho quente.
Um dia, o perfume não tem cheiro, nem o mel sabe a natureza.
Um dia, o dia não mais significa viver; será apenas um molho de horas
que passam em sonolento limbo, onde tudo é nada: e nada é tudo.

Um dia tudo será uma sombra ensombrada, sem cor e dormente.
Um dia, um olhar apenas significa que se vê, mas que se perdeu a beleza,
que se perdeu o vigor, o sentido e a razão, e que tudo se prende com escoras
feitas de teias de aranha, feitas de brumas e de tempo passando: mudo.

Um dia, as mãos vão esquecer-se do caminho, do préstimo, do sentido,
nada mais que conchas vazias em areal estranho e intemporal.
Um dia, apenas a névoa povoará o olhar, encherá o corpo, a alma, a vida.
Um dia, as memórias serão farrapos sem nexo, desgarradas e esparsas.

Um dia de nada servirão os esforços, o empenho, a luta; estará perdido
o mundo periclitante onde se equilibram os passos, lutando contra o vendaval.
Um dia terei que deixar-te ir após as lutas que nos levam de vencida.
Um dia será o vazio; nada mais restará que vazio, num voo de brancas garças.



Lágrimas de lua

FORMAS NO IMPONDERÁVEL

Imagem retirada da net Há formas na inconstância do informe, do disforme, do que amarro, com nós górdios, em silêncios gritant...